20 anos de Law & Order: Special Victims Unit

Celebramos aniversários aqui. 50 anos de 2001: Uma Odisseia no Espaço, 40 anos de Superman, o Filme, 15 anos de Cidade de Deus e por aí vai. São datas nostálgicas. Servem de resgate histórico. Para contextualizarmos obras importantes, clássicas, cultuadas.

Os 20 anos de Law & Order: Special Victims Unit (Lei e Ordem: Unidade de Vítimas Especiais) vão além. Não trata-se só de nostalgia. Mas da longevidade da série que iguala-se à Law & Order original (1990-2010) e ao western Gunsmoke (1955-1975) como o seriado com maior número de temporadas na história da TV americana.

Se o Oscar debateu na última edição os movimentos #TimesUp e #MeToo, contra o assédio na indústria, Law & Order: SVU foi pioneira ao retratar, refletir e combater, com consistência e consciência, os crimes sexuais, principalmente contra crianças e pessoas vulneráveis.

Dedicados mas falíveis são os policiais apresentados. Vivem no limite tênue entre vida e morte, legalidade e ilegalidade. Vez ou outra trocam os pés pelas mãos. No início, algumas histórias soavam puras propagandas do sistema judicial dos EUA. Com o tempo, no entanto, o programa não poupou colocar os dedos nas feridas mostrando as falhas da polícia, de juízes e advogados e da própria sociedade norte-americana.

A audiência mantida durante duas décadas – e ainda maior do que muitas séries pops do momento, a exemplos das inspiradas em histórias em quadrinhos – pode ser avaliada de duas maneiras. Pelo conteúdo que, muitas vezes, figura em jornais sensacionalistas, daí a atenção de quem adora ver sobre a desgraça alheia. Ou pela fibra moral dos detetives que praticamente abdicam de suas vidas pessoais em prol do trabalho e servem de exemplos, são nossos heróis ou os heróis que adoraríamos contar no dia a dia.

Tal qual a recente The Handmaid’s Tale, traz protagonista feminina – Mariska Hargitay, filha da lendária atriz Jayne Mansfield e do Mr. Universo Mickey Hargitay, no papel de Olivia Benson – em jornada densa, complexa, dramática, em episódios que nos impressionam pelas atuações, pelas histórias narradas, e nos esgotam, chocam, por refletirem o mundo real. Por mais que, ao início de cada trama, reforcem que seus personagens são fictícios e qualquer ligação com fatos é coincidência, os roteiristas inspiram-se em fatos: sejam situações do cotidiano como escândalos vividos por gente famosa.

Assim como Batman, dos anos 60, astros de Hollywood fazem participações especiais, antes e após a fama. Do primeiro time, vimos as então novatas Kate Mara (de House of Cards e do último Quarteto Fantástico), Danielle Panabaker (a Nevasca de The Flash), Amanda Seyfried (Mamma Mia!), J.K. Simmons (o Comissário Gordon deLiga da Justiça), Ming-Na Wen (Agentes da SHIELD). Do segundo grupo, Treat Williams, Beverly D’Angelo e John Savage (todos de Hair), Robin Williams, as divas Viola Davis, Ann-Margret, Pam Grier, Brooke Shields, Amy Irving, Sharon Stone e Zoë Saldaña (a Gamora de Guardiões da Galáxia), Kal Penn (de House e Designated Survivor), o lendário Jerry Lewis,, Eric Roberts, a maior Lois Lane de todas, Margot Kidder,  aa tenista Serena Williams, Helen Slater, Bradley Cooper, Marcia Gay Harden, o ex-Superman da TV Dean Cain, Lou Diamond Phillips, Rebecca De Mornay, Elle Fanning, Bill Pullman, Carol Burnett, e muitos outros.

Sem contar, claro, o elenco recorrente, diversificado, exemplo de representatividade, que superou a perda de atores e atrizes e manteve-se afiado. Da força da própria Mariska ao seu ex-parceiro Christopher Meloni (que deixou o seriado e foi atuar em O Homem de Aço), o cinismo de Richard Belzer, a malandragem do rapper Ice-T, a liderança de Dann Florek, o emblemático B.D. Wong (cujo primeiro trabalho no cinema foi uma ponta em Karatê Kid 2: A Hora da Verdade Continua), os dedicados Tamara Tunie,  Kelli Giddish, Danny Pino, Peter Scanavino, Adam Beach, Stephanie March, Diane Neal e Raúl Sparza, e todos os demais. Há membros de origem saxã, latina, africana, indiana, chinesa. Mulheres e homens, gays e héteros, fortes, admiráveis. Tudo orquestrado pelo criador do show e Midas Dick Wolf, também idealizador dos seriados passados em Chicago (PD, Med, Fire). Até o premiado cineasta argentino Juan José Campanella lapidou seu lado “ação” dirigindo alguns episódios de L&O: SVU (trabalhou em House também) antes de fazer o oscarizado O Segredo dos Seus Olhos.

Várias temporadas de SVU foram lançadas em DVD no Brasil. As primeiras podem ser vistas no Prime Video, o streaming da Amazon. Na televisão, há exibições da atual temporada no Universal Channel, que inicia a 20ª nesta terça ao nos mostrar os episódios 435 e 436, e dos sétimo e oitavo anos no Foxlife, reprisados quase todos os dias.


André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

One thought on “20 anos de Law & Order: Special Victims Unit

  1. Não sabia que tanta gente famosa tinha participado!! Uma das minhas séries favoritas! Parabéns pelo texto!

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