Dia do Professor | 12 Filmes sobre a arte de educar

Por Paula Azenha com colaboração de André Azenha

Em 15 de Outubro, no Brasil, é celebrado o Dia do Professor, oficializado nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963.

Esta data celebra aqueles profissionais que marcam nossas vidas com lições que vão muito além das salas de aula.

Nós do Cinema Sempre acreditamos na importância da educação para um futuro melhor e te convidamos a (re)ver exemplos de educadores que persistiram e superaram obstáculos com o objetivo de formar cidadãos melhores. Esses professores fizeram história nas telas, na vida dos espectadores e na vida de pessoas reais, já que alguns dos filmes são baseados em fatos.


Ao Mestre, com Carinho
(To Sir, with Love, Reino Unido, 1967), dirigido por James Clavell, drama, 1h45
Mark Thackeray (Sidney Poitier) é engenheiro, ficou desempregado e resolveu dar aulas em Londres. Ele começa a ensinar alunos majoritariamente brancos em uma escola no bairro operário de East End. O protagonista se depara então com adolescentes indisciplinados e determinados a destruir suas aulas. Só que o engenheiro, acostumado com hostilidades, não se amedronta e enfrenta o desafio de ensinar. Ao receber um convite para voltar a atuar como engenheiro, ele tem que decidir se pretende seguir como mestre ou voltar ao antigo trabalho. Um clássico dos filmes sobre professores, estrelado pelo mito Sidney Poitier, inspirou muito da lista a seguir.


O Clube do Imperador 
(The Emperor’s Club, Estados Unidos, 2002), dirigido por Michael Hoffman, drama, 1h49
William Hundert (Kevin Kline) leciona na St. Benedict’s, escola preparatória para rapazes muito exclusiva que recebe como alunos a nata da sociedade. Ministra lições de moral para serem aprendidas com o estudo de filósofos gregos e romanos. Hundert está apaixonado por falar aos alunos que “o caráter de um homem é o seu destino” e se esforça para impressioná-los sobre a importância de uma atitude correta. Mas tem pela frente Sedgewick Bell (Emile Hirsch), filho de um influente senador. Sedgewick entra em choque com as posições do professor. Mas, apesar desta rebeldia, Hundert considera Sedgewick bem inteligente e acha que pode colocá-lo no caminho certo, chegando mesmo a colocá-lo na final do Senhor Julio Cesar, um concurso sobre Roma Antiga. Mas Sedgewick trai esta confiança arrumando um jeito de trapacear.


Escola de Rock (School of Rock, Estados Unidos, 2004) direção de Richard Linklater, comédia, 1h48
Aqui a dinâmica é contrária aos tradicionais filmes sobre professores. Os alunos são certinhos e o mestre, no caso, é fanfarrão. O músico Dewey Finn (Jack Black) é expulso de sua banda. Cheio de dívidas para pagar e sem ter o que fazer, “rouba” o trabalho do amigo e colega de quarto e vai dar aulas como professor substituto em uma escola particular de disciplina rígida. Ele acaba formando ensinando Rock aos alunos, os inspira a enfrentarem o “sistema” e acaba inspirado por eles. É o filme que alçou Black ao estrelato, repleto de energia, carisma, simpatia e elenco mirim certeiro. A trilha sonora, claro, é um prazer à parte.


Escritores da Liberdade
(Freedom Writers, Alemanha, Estados Unidos, 2007), dirigido por Richard LaGravenese, biografia/drama, 2h03
O livro The Freedom Writers Diaries traz relatos reais da professora Erin Gruwell. O filme é inspirado na obra literária e mostra como a educadora superou os desafios da educação no contexto socioeconômico vulnerável na escola retratada, onde nem os colegas de profissão acreditavam nos alunos. Hilary Swank, duas vezes premiados no Oscar (Meninos Não Choram e Menina de Ouro) faz a protagonista; O elenco tem o galã Patrick Dempsey e o veterano Denny DeVito é um dos produtores.


O Grande Desafio
(The Great Debaters, Estados Unidos, 2007). dirigido por Denzel Washington, biografia, 2h06
Inspirado em fatos, narra a jornada do professor Melvin Tolson (Denzel Washington) que leva um grupo de alunos do Wiley College, do Texas, a participar de um campeonato de debates na Universidade de Harvard. Eram tempos de segregação radical. Negros eram atacados e queimados em praça pública. Melvin e seus alunos fizeram história ao vencer o grupo de estudantes da elite branca de Harvard. Washington atua e dirige com brilhantismo este belo e denso filme lançado direto em home vídeo no Brasil e que merece ser descoberto.


Larry Crowne, o Amor Está de Volta (Larry Crowne, Estados Unidos, 2011), dirigido por Tom Hanks, comédia, 1h39
Larry Crowne (Tom Hanks) trabalha há anos em uma loja, onde já foi escolhido por nove vezes o funcionário do mês. Certo dia, para sua surpresa, ele é demitido por não ter curso superior. Precisando recomeçar do zero, decide se matricular na faculdade. Um dos cursos que realiza é o de Oratória, ministrado por Mercedes Tainot (Julia Roberts), desanimada devido ao desinteresse dos alunos por sua matéria. A vida na faculdade faz Larry ganhar novos amigos, mudar seu estilo de vida e se aproximar, cada vez mais, de Mercedes. Não é sempre que tempos o prazer de ver Hanks e Roberts juntos na tela. Só por isso já valeria conferir o longa.

Meu Mestre, Minha Vida (Lean on Me, Estados Unidos, 1989), dirigido por John G. Avildsen, drama, 1h48
O autoritário professor Joe Clark (Morgan Freeman) é convidado pelo amigo Frank Napier a assumir o cargo de diretor em uma problemática escola em Nova Jersey, de onde ele havia sido demitido. Com seus métodos nada ortodoxos, Joe se propõe a fazer uma verdadeira revolução no colégio marcado pelo consumo de drogas. O diretor Avildsen é o mesmo de Rocky, um Lutador (1976) e Karatê Kid (1984), filmes de luta que também abordam mestres inspiradores.

A Onda (Die Welle, Alemanha, 2008), dirigido por Dennis Gansel, drama, 1h48
Em uma escola da Alemanha, alunos tem de escolher entre duas disciplinas eletivas, uma sobre anarquia e a outra sobre autocracia. O professor Rainer Wenger (Jürgen Vogel), contrariado, dá aulas sobre a segunda matéria, Após alguns minutos da primeira aula, ele decide, para exemplificar melhor aos alunos, formar um governo fascista dentro da sala de aula. Eles dão o nome de “A Onda” ao movimento, e escolhem um uniforme e até mesmo uma saudação. Só que o professor acaba perdendo o controle da situação, e os alunos começam a propagar “A Onda” pela cidade, tornando o projeto da escola um movimento real. A situação fica séria demais e o fanatismo se expande e o educador precisa acabar com o movimento antes que seja tarde demais.


Preciosa – Uma História de Esperança (Precious, Estados Unidos, 2009), dirigido por Lee Daniels, drama, 1h49
Preciosa (Gabourey Sidibe) é negra, obesa, não sabe ler nem escrever, espera o segundo filho de seu próprio pai. Não bastasse sofrer abusos sexuais por aquele que devia amá-la incondicionalmente, também é vítima de ofensas e agressões da mãe (Mo’Nique, Oscar de atriz coadjuvante pelo papel), que a culpa pela ausência do marido. É portadora do vírus HIV. Estimulada pela dedicada professora (Paula Patton) de uma escola alternativa, a jovem aos poucos se encontra, descobre coisas que a fazem sorrir e passa a tomar atitudes independentes. Produzida por duas celebridades da televisão dos EUA, Oprah Winfrey e Tyler, trata-se de uma obra visceral e sensível, sobre transformação e, como entrega o título nacional, esperança. Mariah Carey e Lenny Kravitz fazem inusitadas e competentes participações. Levou ainda o Oscar de roteiro adaptado.

Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, Estados Unidos, 1989), direção de Peter Weir, drama, 2h08
Em 1959 na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, ex-aluno (Robin Williams) se torna o novo professor de literatura, mas logo seus métodos de incentivar os estudantes a pensarem por si mesmos cria um choque com a ortodoxa direção do colégio, principalmente quando ele fala aos seus alunos sobre a “Sociedade dos Poetas Mortos”.


O Sorriso de Monalisa (Mona Lisa Smile, Estados Unidos, 2003), dirigido por Mike Newell, drama, 1h57
Julia Roberts interpreta a professora Katharine Watson, que dá aulas de História da Arte. À frente do seu tempo, Watson desafia o conservadorismo da escola e das estudantes que sonham em casar e ter filhos como único plano de vida. Sua trajetória acaba servindo de inspiração para o empoderamento das mulheres de sua classe.

O Triunfo / A História de Ron Clark (The Ron Clark Story, Estados Unidos, 2006), dirigido por Randa Haines, biografia, 1h30.
Lembra muito Escritores da Liberdade e igualmente é inspirado em fatos. Baseado na trajetória de Ron Clark (1994), professor da Carolina do Norte (EUA) que, em busca de desafios, começa a lecionar no Harlem, em Nova York, Estados Unidos. Nesta cena, o professor aborda, inicialmente, o conteúdo de forma descontextualiza e tradicional. Matthew Perry, o Chandler da série Friends, vive o protagonista.


 

Paula Azenha é naturóloga, fotógrafa, cinéfila, pós-graduanda em Alimento, Nutrição e Saúde pela Universidade Federal de São Paulo - Campus Baixada Santista. É diretora do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos e já integrou equipe de produção de diversos eventos e projetos culturais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *