Crítica | Quase Famosos (Almost Famous, 2000)

Quase Famosos, de Cameron Crowe, é um cult de um assunto que eu tenho interesse embora não muito conhecimento: música. É o melhor longa sobre rock n´roll. Uma incrível história real, que ganha pontos pela sinceridade, pelo coração e pelo retrato realista – ainda que um pouco mais suave do que outros longas – do mundo do rock.

Lá pelo final dos anos 90 (para ser mais preciso, em 1998), eu comecei um curso de Jornalismo com o sonho de que um dia me tornaria um crítico de cinema – era inspirado pelo meu ídolo no meio, Rubens Ewald Filho. As coisas não saíram como o esperado (sou funcionário público concursado), mas essa minha breve lembrança (ou desabafo, como preferir), me fez identificar-me com o jovem protagonista William Miller (Patrick Fugit) que seria o alter ego do cineasta. Um rapaz de 15 anos que quer escrever para a famosa revista de rock n´roll, Rolling Stone, em plenos anos 70, mas sem que os editores do veículo saibam que ele é menor de idade. Acaba, meio que de “empurrão”, acompanhando a banda Stillwalter (que seria o Led Zeppelin) em sua primeira turnê pelos EUA.

Crowe já havia feito um retrato da juventude nos anos 80 em Picardias Estudantis, no qual o jovem Sean Penn interpretava um surfista maconheiro. E já havia flertado com o mundo da música em Singles – Vida de Solteiro (1991), só que mostrava jovens que curtiam grunge, estilo de rock alternativo que fez sucesso nos anos 90, em especial na cena de Seattle.

O filme era bem interessante e contava com participações de músicos como Chris Cornell (vocalista do Soundgarden) e de Eddie Veder (vocalista e guitarrista do Pearl Jam), entre outros e sua trilha sonora era repleta de canções do gênero musical – a única banda entre as mais relevantes desse tipo que não participou da trilha foi o Nirvana.

Mas Single, mesmo tendo sua importância à época, era meio que um filme de “nicho”, para jovens que se interessavam e escutavam um estilo de música específico. Nesse aspecto, Quase Famosos tem um lado mais universal: um retrato sincero, sem maquiagens e que mostra a alegria, o deslumbramento e as desilusões de um jovem ao entrar em um meio que tanto ama (o musical), o sexo, as drogas, as groupies, os egos, e as consequências dessa descoberta. Por ser biográfico, acaba emocionando ainda mais amantes da música e do bom cinema.

Eu não sou lá um grande conhecedor de música: mesmo os cantores(as) e bandas que eu curto, muitas vezes não sei reconhecer (na verdade, lembrar) de que álbum é determinada canção que tanto gosto, mas sei que, se tem um filme que é puro rock n´roll, esse é Quase Famosos. Tem alma e é um cult por natureza. Destaque para a pequena e especialíssima participação de Philip Seymour Hoffman vivendo o maior crítico musical da história, o grande Lester Bangs.

Embarque nessa viagem com o jovem William Miller e cia. e se encante com um filme que respira música, sonhos e um toque de realidade.

Quase Famosos
Almost Famous.
2000. EUA.
Direção: Cameron Crowe.
Com Billy Crudup, Kate Hudson, Frances McDormand, Jason Lee, Patrick Fugit, Zooey Deschanel, Michael Angarano, Anna Paquin, Fairuza Balk, Jimmy Fallon, Philip Seymour Hoffman.
122 minutos.


 

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.

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