Crítica | Mamma Mia: Lá Vamos Nós de Novo (Mamma Mia! Here We Go Again, 2018)

Dez anos atrás Mamma Mia cativou corações e mentes mundo afora numa sacada de seus realizadores: um filme musical cujo repertório reunia os maiores sucessos do grupo sueco Abba, inclusive a canção lançada em 1975, que inspirou o título da produção cinematográfica.

Com elenco charmoso, capitaneado pela grande Meryl Streep, a jovem atriz em ascensão Amanda Seyfried, e três veteranos charmosos – o ex-James Bond Pierce Brosnan, o futuro ganhador do Oscar por O Discurso do Rei, Colin Firth, e o atual Doutor Erik Selvig da Marvel, Stellan Skarsgård -, não deu outra: mais de US$ 600 milhões arrecadados internacionalmente para um orçamento de pouco mais de US$ 50 milhões, e várias indicações a prêmios. Entre os produtores do longa estava Tom Hanks. Uma continuação era esperada. Ninguém imaginava é que o segundo filme seria lançado uma década depois.

Mamma Mia: Nós Vamos Lá De Novo continua a trajetória de Sophie (Seyfried). Ela está prestes a reinaugurar o hotel criado pela mãe, Donna (Streep) – personagem que, para surpresa geral, faleceu. E a trama passa a intercalar momentos do presente com flashbacks que nos mostram o passado de Donna, vivida na juventude por Lily James (Baby Driver, Cinderela). Descobrimos como ela chegou à Grécia, envolveu-se com os “três pais” de Sophie e seguiu sozinha, firme e forte, criando a filha e transformando a região.

Colegas têm reclamado desta continuação. Atentam principalmente ao fato de que os principais hits do Abba foram usados no primeiro filme e, para este, teriam sobrado os somente músicas Lado B. Por isso precisaram repetir faixas a exemplos da canção-título e de Dancing Queen. Têm razão, até certo ponto. Lá Vamos Nós de Novo não é dos musicais mais inspirados.

No entanto, por mais irregular que seja, por mais insossos que sejam os atores que vivem as versões mais novas de Bill, Sam e Harry, ainda vale a pena ver Andy Garcia em cena, divertidíssimo, as melhores amigas de Donna, interpretadas por Julie Walters e Christine Baranski, ambas de tiradas certeiras, e os próprios Colin Firth, Stellan Skarsgård e Pierce Brosnan.

As paisagens, o bom humor e, claro, as músicas do Abba, fazem o espectador sorrir, mexer o pé e cantatolar. Enquanto notícias das mais pavorosas tomam conta dos noticiários, Mamma Mia ameniza as dores e sofrimentos do cotidiano.

Convite: Amigo leitor, aproveito para deixar um recado. De 28 de agosto a 5 de setembro acontece o 3º Santos Film Fest, com programação gratuita em diversos espaços de Santos. Serão mais de 80 filmes, dos gêneros mais variados. O cinema nunca se fez tão necessário.

Com as possibilidades mais tenebrosas que assombram o futuro do país, do mundo, a sétima arte mantém-se como importante ferramenta de cidadania, educação, reflexão e janela para o mundo.

Convido a todos para que venham maratonar com a gente nos cinemas da cidade. Cinema é, acima de tudo, uma experiência, um momento de encontro, de troca de ideias, visões de mundo.

Enquanto há quem pregue as divisões, as bolhas, e pessoas vivem em seus mundos particulares, a arte e a cultura tornam-se cada vez mais relevantes e necessárias.

Mamma Mia: Lá Vamos Nós de Novo
Mamma Mia! Here We Go Again
2018. Reino Unido, EUA. 
Direção: Ol Parker. 
Com Amanda Seyfried, Lily James, Andy Garcia, Julie Walters e Christine Baranski, Colin Firth, Stellan Skarsgård, Pierce Brosnan, Alexa Davies, Dominic Cooper, Jessica Keenan Wynn, Josh Dylan, Hugh Skinner, Cher. 
114 minutos. 


 

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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