Crítica | Missão Impossível: Efeito Fallout (Mission: Impossible – Fallout, 2018)

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Aos 56 anos completados no último dia 3 de julho, Tom Cruise é incansável. Fará um novo Top Gun mais de trinta anos após o original. Continua em evidência sem perder a pose, o fôlego. Parece um garoto.Tanto que, em Missão Impossível: Efeito Fallout, o sexto da franquia cinematográfica iniciada 22 anos (!) atrás baseada na série televisiva clássica, volta a acelerar carros, motos, caminhões, se pendurar em helicópteros, desfiladeiros, e correr e correr por cima de prédios.

Aliás, praticamente todo filme da saga traz cenas assim. É como se o ator fizesse questão de mostrar o quão vigoroso continua, que vale à pena investir nele como protagonista, o quão profissional ele é. Não poucas vezes, abre mão de dublês. Vez ou outra se machuca nas filmagens.

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O astro retoma a parceria de longa data com Christopher McQuarrie, seu diretor no longa anterior, Nação Secreta (2015) e Jack Reacher: O Último Tiro (2012), e roteirista e produtor de outras produções estreladas por ele: Jack Reacher: Sem Retorno (2016), A Múmia (2017), No Limite do Amanhã (2014). Talvez por ser um cineasta que aceite e/ou entenda as excentricidades e vontades do ex-marido de Katie Holmes, Nicole Kidman e Mimi Rogers.

Verdade seja escrita: Cientologia à parte, Tom Cruise é sujeito carismático e perfeito para esse tipo de filme repleto de ação, meio besteirol, sem muito sentido. Vê-lo conservado em formol ratifica seu potencial como astro cinematográfico. Por outro lado, revela o machismo da indústria, que aceita cinquentões como ele e Robert Downey Jr. (o Homem de Ferro da Marvel). Mas rejeita mulheres da mesma faixa etária para papéis parecidos. Seus pares românticos geralmente são atrizes bem mais jovens.

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Não trata-se de ser careta e negar casais cujas idades sejam bastante diferentes. “Consideramos justa toda forma de amor” canta de forma certeira Lulu Santos. Porém é necessário questionar certos tipos de escolha dos executivos hollywoodianos, que fecham as portas somente para um lado da moeda: Nicole Kidman, por exemplo, será a mãe de Aquaman, uma coadjuvante. Não seria legal vê-la, aos 51 anos, protagonizando um grande lançamento? Vale a reflexão.

Nesta nova aventura Ethan Hunt (Cruise), outra vez ajudado por Luther (Ving Rhames) e Benji (Simon Pegg), deverá tentar evitar um ataque terrorista. A premissa está bem resumida. Pois são tantas reviravoltas, traições, situações absurdas, que desejar entender tudo talvez tire o prazer proporcionado pelo filme: de nos divertimos, rirmos, torcermos à moda antiga. Seja para que as situações sejam resolvidas. Seja para que o herói opte pela mulher certa segundo nossa vontade: a agente Ilsa (Rebecca Ferguson) ou Julia (Michelle Monaghan). Difícil escolher.

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O elenco recheado de estrelas traz Henry Cavill usando o bigode famoso antes mesmo de ser mostrado. O atual Superman das telonas vive um agente que não sabemos inicialmente ser mocinho ou bandido – ok, materiais de divulgação revelam seu lado na trama. Há Angela Bassett, a mãe do Pantera Negra como chefe da CIA, Vanessa Kirby como a femme fatale digna dos anos 40 Viúva Branca, os retornos de Alec Baldwin e Sean Harris respectivamente vivendo Alan Hunley e o vilão Solomon Lane.

É admirável ver uma franquia iniciada nos anos 90 continuar viva e querida pelo público, especialmente nesses tempos de cinemão povoado praticamente por super-heróis e animações. A Missão Impossível exibida entre 1966 e 1973 era chamada de “resposta americana à James Bond”. É, também, uma grife sobrevivente e que soube se reinventar com o tempo.

Missão Impossível: Efeito Fallout 
Mission: Impossible – Fallout. 
2018. EUA. 
Direção: Christopher McQuarrie. 
Com Tom Cruise, Ving Rhames, Henry Cavill, Simon Pegg, Rebecca Ferguson, Sean Harris, Angela Bassett, Vanessa Kirby, Michelle Monaghan, Wes Bentley, Alex Baldwin, Frederick Schmidt. 
147 minutos. 


 

 

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André Azenha
André Azenha

Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.