Crítica | Michael Jackson: A Vida de um Ícone (Michael Jackson: The Life of an Icon, 2011)

mjdoc

Lançado sete anos atrás em DVD e Blu-ray, o documentário Michael Jackson: A Vida de um Ícone chegou ao Netflix – boa oportunidade do fã conhecer mais sobre o mito da música.

David Gest (1953-2016) idealizou e produziu o filme. Amigo desde a infância de Michael Jackson (1958-2009) e seus irmãos, o produtor televisivo compartilhou com o astro, inclusive, o mesmo cirurgião plástico. Nota-se desde o início de seu depoimento que trata-se uma homenagem ao Rei do Pop.

Homenagem a Michael Jackson (1958-2009) – Os 25 Anos de Thriller

A obra não chega a ser tão chapa branca quanto seriam Katy Perry: Part of Me (2012) e Gaga: Five Foot Too (2017), que retratam duas das maiores divas musicais recentes. Mesmo por que ambas estão vivas e participaram ativamente de seus filmes, levando ao público a visão que têm sobre suas próprias vidas e carreiras. A Vida de um Ícone não. Por mais que apresente entrevistas de pessoas próximas a Michael, basicamente é o olhar de Gest presente – o diretor Andrew Eastel, segundo o iMDB, possui poucos  trabalhos em TV no currículo.

mj1
Quase todo o primeiro terço da produção acompanha a infância de Michael. A mãe Katherine Jackson e os irmãos Tito e Rebbie trazem lembranças da família. O pai, Joseph, é citado vez ou outra. Publicamente conhecido pela rigidez com os filhos, que teria deixado traumas em Michael, é poupado pela família.

Melhores são as histórias e causos contados por artistas da gravadora Motown, que conheceram MJ criança. Também descobrimos um pouco mais sobre dois membros ignorados na biografia difundida do Jackson 5.

O documentário segue firme e forte até a ascensão de Michael, na virada dos anos 70 para os 80, quando procura a independência artística em relação ao grupo com os irmãos e passa a trabalhar sob a batuta de Quincy Jones. Parceria que elevaria à enésima potência as carreiras dos dois: primeiro com Of The Wall (1979).

Katherine Jackson, mãe de Michael.
Katherine Jackson, mãe de Michael.

.
E chegamos a Thriller, o seminal álbum que, finalmente, transformou-o em Rei do Pop, vendendo mundialmente mais de 104 milhões de cópias – nenhum artista chegaria sequer perto desse número. O disco chegou às lojas em 1982. Quebrou vários recordes. É o que ficou mais tempo em primeiro lugar (132 semanas), o que teve mais singles de sucesso (7 faixas no top 10), o mais premiado (97 prêmios, incluindo 8 Grammys), o disco internacional mais vendido no Brasil e o clipe mais bem-sucedido (14 milhões de cópias do vídeo da faixa-título foram vendidas em VHS).

Choca saber os tipos de cirurgia que Michael enfrentou após o famoso acidente na gravação de um comercial para a Pepsi, em 1984.

mj3
Senti falta de maiores informações dos discos seguintes: Bad (1987), que teve videoclipe dirigido por Martin Scorsese, Dangerous (1991), e History: Past, Present and Future (1995). Nesses anos, cada videoclipe do cantor, dançarino, compositor, músico e produtor ganhava contornos de grandes lançamentos na televisão brasileira, geralmente apresentados com imensa expectativa no Fantástico.

Do sucesso de Thriller o filme praticamente salta para as acusações de pedofilia que Michael recebeu e todo o circo montado em julgamentos demorados e repletos de buracos por parte dos acusadores. O terceiro ato ganha tons melancólicos. Até sua morte em 2009. Ainda que irregular, A Vida de um Ícone é bela ode ao artista pop mais completo de todos os tempos.

Curiosidade: David Gest foi casado com a diva Liza Minnelli. A relação, conturbada, chegou aos tribunais e acusações de todos os lados.

Michael Jackson: A Vida de um Ícone
Michael Jackson: The Life of an Icon.
2011. EUA.
Direção: Andrew Eastel.
Com .
159 minutos.


 

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *