Crítica | A Morte do Superman (The Death of Superman, 2018)

Em 1993 grandes veículos de imprensa que não davam a menor bola para a histórias em quadrinhos passaram a noticiar a nona arte. O motivo? A DC Comics anunciara que mataria seu personagem pioneiro: o Super-Homem. No Brasil, até o Fantástico, se bem me lembro, chegou a repercutir o fato. Superman surgiu em 1938 pelas mentes e talentos da Jerry Siegel e Joe Shuster. Inaugurou a Era de Ouro dos gibis. É o primeiro super-herói, ou ao menos o primeiro extremamente popular do gênero.

A indústria de HQs mudaria completamente após seu lançamento. 25 anos atrás, as vendas de gibis estavam em baixa. A ideia da editora foi chocar o mundo, reascender o interesse do público – além dos fãs hardcore – pelo segmento. Por aqui, a saga de sacrifício do Último Filho de Krypton foi publicada pela Abril como A Morte do Superman, que mostra do surgimento do monstrengo Apocalypse até a troca de golpes finais e fatais trocados entre o herói e a criatura.

Seguiu na minissérie Funeral Para um Amigo, em Super-Homem: Além da Morte, digna dos contos espíritas de Zíbia Gasparetto, e outra minissérie, O Retorno de Super-Homem. Posteriormente chegaria às bancas a série especial Super-Homem Versus Apocalypse: A Revanche. Se os diretores de redação da Globo e outros grandes órgãos de imprensa acompanhassem mais de perto os quadrinhos, perceberiam que ninguém fica morto muito tempo, principalmente o maior de todos os personagens dessa mídia.

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Um ano antes, Batman: A Série Animada conquistava corações e mentes de público e crítica e iniciava o universo animado DC. Vieram outras séries e a Warner, estúdio responsável pela editora, passou a produzir longas-metragens em animação de excelente qualidade. Não tardaria às grandes sagas saírem do papel e ganharem suas versões em DVD. Em 2007, foi lançado o filme Superman: Doomsday, parcialmente baseado em A Morte do Super-Homem.

O fato do Azulão, no longa, enfrentar Apocalypse e padecer foi o suficiente para que no Brasil o título ressoasse a famosa saga dos gibis. A diferença: Lex Luthor cria um clone do kryptoniano, que acaba virando um segundo algoz quando o protagonista retorna do túmulo. Era a primeira bola fora do universo animado DC, bastante abaixo da qualidade de outros filmes produzidos pelo estúdio.

Talvez seja por isso que a Warner lance agora um novo A Morte do Superman. O fã mais ardoroso que espere uma versão fiel às HQs precisará ter paciência: a trama basicamente é a mesma do papel, em linhas gerais. Aqui Lois Lane é apaixonada por Clark Kent mas desconhece, ainda, a dupla identidade dele. Ao contrário do que acontecia na história original. A Liga da Justiça derrotada por Apocalypse não é a mesma da época da saga. Em 1993 a Liga reunia personagens do segundo time: Besouro Azul, Gelo, Fogo, Guy Gardner, etc.

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Nesta versão o grupo é inspirado na fase Os Novos 52 dos quadrinhos, quando a DC reiniciou seu universo.  Na verdade este A Morte do Superman é continuação direta dos filmes feitos nos últimos anos, todos inspirados em tal período dos gibis e que rendeu Liga da Justiça: Guerra (2014), O Trono de Atlântica (2015), Liga da Justiça e os Jovens Titãs – União em Ação (2016) e Liga da Justiça Sombria (2017), além de outras tramas solos do Batman e dos próprios Titãs. Tanto que Superman e Mulher-Maravilha (dublada por Rosario Dawson, a Claire das séries Marvel/Netflix) viveram um romance e só depois o Homem de Aço apaixona-se por Lois.

Repleto de ação e momentos emocionantes, o filme mantém o bom nível das animações DC e já tem continuação garantida para 2019, com a adaptação de O Retorno do Superman.

A Morte do Superman
The Death of Superman.
2018. EUA.
Direção: Jake Castorena, Sam Liu.
Com vozes de Jerry O’Connell, Rebecca Romijn, Rainn Wilson, Rosario Dawson, Nathan Fillion, Christopher Gorham, Jason O”Mara.
81 minutos.


 

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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