Crítica | 50 São os Novos 30 (Marie-Francine, 2017)

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Tem um ditado popular que diz que a vida começa aos 40. No caso de Marie-Francine (Valérie Lemercier), de 50 anos, acontece o contrário. Sua vida desmorona: seu marido Emmanuel (Denis Podalydès) a troca por uma moça mais jovem, ela acaba perdendo o emprego e tendo que ir morar na casa de seus pais.

De uma vida estabilizada e, até certo ponto, feliz, Marie-Francine se torna um fardo na vida de seus excêntricos pais, que a tratam como se ela fosse pré-adolescente.

De uma carreira na área de pesquisa científica, ela se torna vendedora de cigarros eletrônicos na loja da família. Mas o que poderia ser o fundo do poço, pode acabar se transformando num recomeço para sua vida.

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Com essa premissa, o que poderia ser um filme amargo sobre a “2ª idade”, revela-se uma comédia madura, sensível e para lá de especial. Muito disso se deve ao trabalho hercúleo de Valérie Lemercier que divide as funções de diretora, roteirista (junto a Sabine Haudepin) e atriz – aqui, em papel duplo. Ela interpreta, também, Marie-Noëlle, irmã gêmea da protagonista.

Esse acerto no tom não seria possível sem os diálogos certeiros de tão críveis e o elenco à altura. Os destaques acabam sendo Hélène Vincent e Philippe Laudenbach, os pais da heroína, e Nadège Beausson-Diagne vivendo sua nova amiga meio doidinha.

Outro ponto alto do filme é uma inesperada e bem-vinda trilha sonora repleta de músicas portuguesas, com destaque para os fados.

Se você procura uma comédia madura, bem escrita, para se divertir e refletir, 50 São os Novos 30 é uma ótima pedida.

50 São os Novos 30 
Marie-Francine.
França, Bélgica.
Direção: Valérie Lemercier.
Com Valérie Lemercier, Patrick Timsit, Hélène Vincent, Philippe Laudenbach, Denis Podalydès, Nadège Beausson-Diagne, Marie Petiot, Anna Lemarchand e Simon Perlmutter.
95 minutos.

O filme integra a mostra do 3º Santos Film Fest – Festival Internacional de Filmes de Santos


 

 

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.

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