Crítica | Homem-Formiga e a Vespa (Ant-Man and the Wasp, 2018)

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É tendência: cada filme de super-herói pertence a determinado gênero. Batman: O Cavaleiro das Trevas é drama policial. Guardiões da Galáxia é ópera especial à la Star Wars. Capitão América: o Soldado Invernal é thriller político. Thor é fantasia. Logan é road movie. E por aí vai.

Homem-Formiga (2005) mistura filme de assalto e comédia romântica. Esbanja carisma, especialmente do protagonista, o bonachão Paul Rudd (As Patricinhas de Bervely Hills, O Viagem de 40 Anos). Como praticamente todos as produções do Marvel Studios alcançou sucesso de bilheteria.

De lá para cá muito aconteceu na indústria. Entre os destaques, o movimento #MeToo, contra o assédio. As mulheres tornam-se cada vez mais protagonistas. Escolha bem vinda, justa e muito atrasada dos executivos. Representatividade virou lema em Hollywood, no mundo. Ao menos para quem pretende ver um mundo mais justo, que respeite as diferenças.

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A Marvel, que não é boba nem nada, ao percebeu os rumos da indústria, o sucesso de Mulher-Maravilha da concorrente DC/Warner, garantiu, ao menos no título, a igualdade de destaque na continuação.

Homem-Formiga e a Vespa eleva tudo o que o anterior tinha: tem mais humor, ironia, piadinhas, ação, cenas para vender brinquedos, algum pouco de drama, relações familiares. Eis aí a diferença entre esses filmes e os demais da empresa. Ok, vimos brevemente a família de Gavião-Arqueiro em Vingadores: Era de Ultron (2015). Nada muito profundo, detalhado.

Em Homem-Formiga conhecemos a filha do herói (Abby Ryder Fortson), sua ex-esposa (Judy Greer), o atual marido dela (Bobby Cannavale), Hank Pym (Michael Douglas) e sua filha, Hope (Evangeline Lilly). Em situações que já vivenciamos, ou vamos vivenciar, ou acompanhamos pessoas próximas vivenciando. Sejam a divisão de guarda de algum filho, o reencontro com a ex ou o ex, a perda de um ente querido e a saudade. Não à Homem-Formiga e a Vespa chegou aos cinemas perto de Os Incríveis 2, outro blockbuster sobre família.

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Recentemente, em Guerra Infinita, soubemos que Scott Lang está em prisão domiciliar após ajudar Capitão América em Guerra Civil (2016). Fato que gera repercussões em sua relação com Hope, a nova Vespa. Ela e o pai, Hank, tentam achar uma forma de encontrar Janet (Michelle Pfeiffer), a Vespa original, respectivamente mãe e esposa de ambos, presa há décadas no universo quântico.

Enquanto isso, surge uma vilã misteriosa, a Fantasma (Hannah John-Kamen), ligada à tal universo e que busca curar-se de uma maldição. As situações colocarão todos em rota de colisão, inclusive os amigos trapalhões e agora sócios de Scott e os levarão a outro cientista vivido por ninguém menos que Laurence Fishburne (o Morpheus de Matrix e Perry White do universo DC).

Peyton Reed novamente dirige e investe em sequências de escala maior. Homem-Formiga muda de tamanho inúmeras vezes e Hope/Vespa ganha as melhores cenas de luta, de força, de drama. A Vespa do título pode ser tanto a de Evangeline Lilly como a de Michelle Pfeifer. Afinal, esta é a heroína original e que desencadeia toda a busca da trama. Vale lembrar, sempre, a atriz viveu a icônica Mulher-Gato de Batman, o Retorno (1992), de Tim Burton. O longa é mais um acerto da Marvel. PS: Há duas cenas pós-créditos. Uma tem ligação com os Vingadores. A outra pode irritar ou divertir o espectador.

Homem-Formiga e a Vespa
Ant-Man and the Wasp.
EUA. 2018.
Direção: Peyton Reed.
Com Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas, Michelle Pfeiffer, Abby Ryder Fortson, Laurence Fishburne, Hannah John-Kamen, Judy Greer, Bobby Cannavale, Michael Peña, Walton Goggins, David Dastmalchian, T.I..
118 minutos.


 

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André Azenha
André Azenha

Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.