Crítica | Vermelho Russo (2016)

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A paixão pelo teatro e a vontade de evoluir na área da atuação leva duas jovens atrizes brasileiras a um mês em Moscou, Rússia. O objetivo: estudar o método de interpretação do mestre russo, Constantin Stanislavski.

Da diferença entre cultura, costumes e pessoas, no decorrer desse período, o que realmente vai mudar é a relação entre elas durante os ensaios/estudos.

Interpretadas por Martha Nowill (Entre Nós e O Filme da Minha Vida) e Maria Manoella – atriz desde criança, tendo estreado na telona na pele de Odete Lara em uma cinebiografia de 2002 -, o mais interessante e encantador em Vermelho Russo não é apenas o conhecimento que as jovens vão adquirindo sobre as artes cênicas e uma nova cultura. É preciso destacar estilo metalinguístico usado pelo diretor Charly Braun (Além da Estrada), que divide o roteiro com uma de suas estrelas, Martha.

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Usando a peça Tio Vânia, do dramaturgo e escritor russo Anton Tchékcov nos estudos, as protagonistas misturam seus temperamentos e relação de convívio com as de suas personagens na montagem teatral, transformando amizade em conflito.

Realidade e ficção se misturam com uma naturalidade tão interessante e curiosa que torna o filme/documentário/estudo linguístico uma boa surpresa. Uma das curiosidades é o fato dos personagens terem o nome de seus intérpretes, tornando a experiência ainda mais próxima da realidade.

Em determinado momento Michel (Michel Melamed) questiona: “Para que serve a arte?”. Ele responde meio que de prontidão: “Para expandir os limites, derrubar as fronteiras e preencher o vazio interior”.

Vermelho Russo é um trabalho diferente, autoral e feito com muito talento. É uma experiência sobre as artes cênicas e a arte em geral. Programa obrigatório para estudantes, profissionais e apaixonados pelos palcos.

Vermelho Russo
2016. Brasil, Portugal, Rússia.
Direção: Charly Braun.
Roteiro: Charly Braun e Martha Nowill.
Com Martha Nowill, Maria Manoella, Michel Melamed, Fernando Alves Pinto. 
90 minutos. 

Filme presente na programação do 3º Santos Film Fest – Festival Internacional de Filmes de Santos

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Marcelo Reis
Marcelo Reis

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.