Crítica | Jurassic World: Reino Ameaçado (Jurassic World: Fallen Kingdom, 2018)

jurassic
Jurassic World (2015) pode ser considerado um lançamento surpreendente. Seu sucesso era esperado até certo ponto: estrelado por um dos queridinhos do momento, Chris Pratt, o Peter Quill/Senhor das Estrelas de Guardiões da Galáxia, com dois atores mirins no elenco, relações familiares e dinossauros assustadores e outros “bonzinhos”. Capaz de atrair marmanjos e crianças. Ideal para passeios em família.

O êxito veio e superou expectativas: tornou-se uma das grandes bilheterias mundiais de todos os tempos. Quinto colocado da seleta lista, o filme não apenas ressuscitou uma série até então considerada esquecida, como arrecadou US$ 1.671 bilhão e superou Velozes e Furiosos 7, Vingadores: Era de Ultron e Minions, ficando atrás apenas de O Despertar da Força, o aguardado ressurgimento da saga Star Wars, que rompeu a marca dos US$ 2 bilhões.

Há certa explicação: são tempos nos quais filmes-eventos sustentam a indústria. As histórias de super-heróis estão à frente. Mas há também Transformers (exceto o último, fracassado), Velozes & Furiosos, animações que disputam quase em pé de igualdade a preferência do público. Não basta somente ter gente nas salas de cinema. Para custear produções multimilionárias os estúdios precisam vender muito bem seus filmes no exterior, bem como faturar em cima de bonequinhos, materiais escolares, etc.

jurassic2
Nenhuma novidade. Essa necessidade, no entanto, é parte cada vez maior da engrenagem, imprescindível para ter lucro. O espectador interessado em cinema propriamente, independente do gênero, estilo, país de origem, etc, é cada vez mais raro. As pessoas querem entretenimento: chegar, comprar a pipoca, ver o filme, esquecer e seguir em frente.

A quantidade de informação diária, de compromissos, de mensagens a serem respondidas nas redes sociais, não cessa. Jurassic World faz todo o sentido nesse mundo atual: oferece diversão ligeira, dá uma pincelada em temas recorrentes do noticiário como a importância da natureza, dos animais e a maneira do ser humano relacionar-se com eles. Tudo de forma exagerada, grandiloquente, com toques de humor e atores charmosos.

O Reino Ameaçado traz os mesmos ingredientes do longa anterior – menos atores mirins, substituídos por coadjuvantes saídos da puberdade. A trama acontece exatamente três anos depois de vermos a Ilha Nublar ser abandonada pelos humanos. Os dinossauros dominaram o local. Um vulcão entra em atividade e pode explodir a qualquer momento.

jurassic3
Cabe aos mesmos humanos que reviveram os dinossauros anos atrás decidirem se devem salvá-los ou deixá-los morrer. Esses acontecimentos levarão ao reencontro de Claire (Bryce Dallas Howard) e Owen (Chris Pratt) e a volta de ambos à ilha, agora acompanhados por dois especialistas: Franklin (Justice Smith) e Zia Rodriguez (Daniella Pineda), os young adults citados acima. Além da busca pela salvação dos animais, o quarteto enfrentará sujeitos inescrupulosos.

Tudo o que fez a história de 2015 dar certo, retorna. Ao menos, agora, a trama não investe – somente – no dinossauro solto caçando pessoas, algo visto lá atrás no primeiro Jurassic Park (1994) e revisto nas continuações. A tensão sexual entre os protagonistas Claire e Owen continua na medida certa para manter a classificação indicativa 12 anos. Pratt está menos carismático que em Guardiões da Galáxia, porém segue divertido e tem química com Bryce. Justice e Zia são oriundos da telinha. Ele viveu Zeke na série The Get Down, do Netflix, e é desperdiçado em poucos momentos de alívio cômico. Ela atuou em Homeland, The Detoir, Diários de Um Vampiro e tem mais chance em cenas eletrizantes. O elenco reúne ainda grandes nomes em papéis menores: há James Cromwell, Toby Jones, Geraldine Chaplin e veteranos da franquia Jeff Goldblum e BD Wong (o Dr. Huang de Law & Order: Special Victims Unit).

O diretor espanhol J.A. Bayona foi escolha certeira dos produtores: experiente em terror/suspense (O Orfanato) e catástrofe (O Impossível), dois gêneros reunidos neste blockbuster. É seguro na maior parte das cenas. A relação entre Owen e Blue me lembrou a dinâmica de Will (James Franco) e Caesar em Planeta dos Macacos: A Origem (2011). Vemos mais do mesmo na maior parte da projeção. Funcionará para quem se entregar mais uma vez aos atores, à correria, explosões, sequências eletrizantes, curti-las e esquecê-las.

Jurassic World: Reino Ameaçado
Jurassic World: Fallen Kingdom
EUA. 2018.
Direção: J.A. Bayona.
Com Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Daniella Pineda, Justice Smith, James Cromwell, Toby Jones, Geraldine Chaplin, Jeff Goldblum, BD Wong, Rafe Spall.
128 minutos.


 

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *