Entrevista | Germano Pereira fala da produtora GPS Entertainment

Rubens, Renata e Germano. Foto: Cláudio Erlichman.

Rubens, Renata e Germano. Foto: Cláudio Erlichman.

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Mais de vinte anos de amizade e carreiras bem estabelecidas fizeram o crítico de cinema Rubens Ewald Filho (73) e o ator e cineasta Germano Pereira (40) abraçarem novos sonhos. Juntos criaram a GPS Entertainment e têm presenteado o público com curtas e longas-metragens sensíveis, com um olhar especial para o humanismo e o social.

Em 4 de setembro, durante o 3º Santos Film Fest, lançarão o documentário Odinei Ribeiro – O Narrador de Emoções, sobre vida e carreira do narrador esportivo nascido em Itanhaém e que chegou à Copa do Mundo. A obra é dirigida por Germano e Renata Giovannetti (31). Os três retornam ao evento santista um ano após apresentarem ao público o longa Somos Todos Estrangeiros e o curta-metragem Como Grãos. Germano dirigiu o primeiro e atuou no segundo, que tem direção assinada por Renata. Rubens é o produtor de todos os trabalhos.

O papo a seguir é iniciado com Rubens falando do surgimento da produtora. Germano detalha a trajetória da iniciativa, comenta sua relação atrás e à frente das câmeras e os próximos projetos da GPS Entertainment.

Como surgiu a GPS ENTERTAINMENT?

Rubens Ewald Filho | A  GPS foi fruto da vontade de produzir cinema direto e pessoal, adquirindo equipamento estrangeiro e aproveitando os contatos e a experiência nossa, somando a experiência de ambos na televisão, e, minha, Rubens Ewald Filho, nos programas internacionais. Também do fato de que o Germano Pereira foi fazer a faculdade de cinema e se formou como diretor – nós já tínhamos uma amizade anterior de cerca de vinte anos, o tempo passa; e de quando eu fui convidado para dirigir teatro e fazer a coleção Aplauso. Chamei o Germano para ser meu assistente porque ele tinha uma tradição de mais de dez anos do grupo Os Satyros, primeiro em Curitiba e depois em São Paulo (ao mesmo tempo ele se formou em Filosofia, que era seu maior hobby!). Nossa primeira peça foi um sucesso ficando em cartaz quatro anos, um texto do Falabella, que foi o seu primeiro do teatro e a primeira vez que liberou um texto para alguém que não ele (foi a comédia Querido Mundo, com o hoje famoso Jarbas Homem de Mello)

Foi a partir daí que começamos outros projetos de teatro, uma adaptação de Hamlet–Gasshô (o Germano que fazia os textos adaptando-os) só que sobre o ponto de vista do budismo e com a orientação da conhecida e respeitada Monja Coen (que era minha amiga desde os tempos em que era apenas Cláudia). Foi seguido por outro êxito que foi uma adaptação de famosa obra literária de D.H.Lawrence, O Amante de Lady Chatterley – mais ou menos ao mesmo tempo, o Germano tinha escrito um belo livro sobre o Satyros que ganhou o prêmio Jabuti, o maior do Brasil no gênero, como Livro de Arte.

Foi com a repercussão desses trabalhos que Germano foi chamado pela Globo para participar de novelas, principalmente a do Silvio de Abreu, rodada na Itália, Passione. Além de fazer cinema como ator, o que justamente o estimulou para fazer a Academia Internacional de Cinema e tirar o DRT de diretor cinematográfico. Foi lá que fez vários curtas e onde fez uma equipe de colegas, que junto com ele realizaram os dois primeiros longas documentários e cinco curtas, em que dirigiu e produzimos. De todo esse processo, nasceu a GPS Entertainment.

Fale um pouco dos trabalhos e projetos já realizados pela produtora?

Germano Pereira | Vamos falar por cima do começo até dar uma pincelada no que está acontecendo atualmente.

Bem, os primeiros projetos da produtora foram curtas, em um total de cinco. 190, que fala sobre os Black Blocs e a revolução das passeatas políticas em São Paulo. O segundo, foi um curta documentário, Da Fantasia à Realidade, que retrata a vida de um homem amputado e que é o cosplayer do Homem de Ferro, dessa maneira ajuda crianças nos hospitais a superarem seus medos. Depois veio a ficção deste mesmo personagem real, que se chama Coração de Ferro. Abismo, foi o quarto curta sobre o problema do crack na região litorânea, em Itanhaém. E por último, Brasil Talal Al Tinawi, que é um curta sobre a vida do sírio Talal e sua família aqui no Brasil. Este curta foi base para se fazer o longa, Somos Todos Estrangeiros. Primeiro longa da produtora. Depois veio Hurricane Irma Web Doc. Agora, Odinei Ribeiro – O Narrador de Emoções. Estes dois últimos longas divido a direção com Renata Giovannetti.  Coproduzimos com a PopCon e o canal HBO, a série 50 Grandes Filmes Brasileiros, ainda no ar, uma série de 10 capítulos de uma hora de duração sobre a história do cinema brasileiro. Produzimos também quatro capítulos de outra série de ficção, e que não podemos falar o nome porque está em processo de venda. Dois outros projetos seguem andamento de negociação.

E o filme sobre o Odinei Ribeiro? Como surgiu a ideia e como tem sido a produção do longa-metragem?

Germano Pereira | A ideia de fazer surgiu através da Renata Giovannetti, que divide a direção comigo, Germano. Desde o longa documentário sobre os refugiados sírios no Brasil, Somos Todos Estrangeiros, acreditamos que a produtora abriu de uma vez o caminho para produções de documentários.

E isto por acreditar no documento direto dos fatos urgentes que circundam nossa vida. Foi assim com o segundo documentário, Hurricane Irma Web Doc, que retrata a gravidade do furacão Irma nos Estados Unidos, e simbolicamente todos os outros. E está sendo assim com o Narrador de Emoções. Nesse filme sobre o narrador de esportes da Rede Globo, Odinei Ribeiro, contamos a trajetória de uma pessoa engajada com o social, e, que, por acreditar em um sonho, foi atrás de suas conquistas, passou por inúmeras dificuldades, mas conquistou e venceu seus sonhos, que são hoje em dia uma realidade. E mais, são experiências que servem de exemplo para muitos jovens que querem seguir sua trajetória, além de servir como base de inspiração para a vida de todos.

Portanto, vemos que este atual filme que estamos produzindo tem muito o que contar para milhares de pessoas.

Germano, Odinei e Renata (Foto: Página GPS Entertainment).

Germano, Odinei e Renata (Foto: Página GPS Entertainment).

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A produção é muito intensa, em todos os sentidos, porque estamos rodando desde comecinho de janeiro deste ano e ainda vamos filmar muita coisa, e porque o tema exige isto, mas, ao mesmo tempo, temos que montar o filme porque ele estreia dia 4 de setembro no Santos Film Fest.

O que quero dizer é que tem acontecimentos que não podemos perder, como a Copa do Mundo, em que Odinei vai narrar daqui do Brasil, na Globo do Rio de Janeiro. Então, teremos que viajar pra lá. Depois teremos Galvão Bueno e Neymar no filme também, mas tudo vai acontecer somente depois que a copa da Rússia acabar, quando eles voltarem para o Brasil.

Além de ter que filmar a parte ficcional que está faltando, que é a parte de Odinei jovem, junto com ele adulto. Sim, não tinha comentado, este é um filme híbrido, que é documental e com algumas cenas encenadas ficcionalmente para retratar a realidade.

Sem contar que a montagem de um documentário, eu, particularmente, acho muito mais complexa do que de um filme ficcional, do ponto de vista filosófico mesmo. Estou tendo pesadelos com a montagem (risos).

Então, vocês podem imaginar como todos nós da equipe técnica estamos?

Germano, você tem vasta experiência à frente das câmeras e nos palcos. Como essa experiência o ajuda no momento em que você se torna diretor?

Germano Pereira | Ajuda na sensibilidade do olhar do ator, em entender o seu processo, saber como chegar até ele para conseguir extrair aquilo que a cena e o personagem exigem.

Tenho vivido experiências muito gratificantes nesse processo duplo, diria triplo porque escrevo e produzo também.

Agora mesmo, estou fazendo como ator o longa-metragem e a segunda temporada da série Os Carcereiros, da Rede Globo. E mesmo como ator estou aprendendo e tendo a oportunidade de aprimorar ainda mais as técnicas de direção e produção, observando a todo momento a equipe desse projeto. Aprendi muito com o diretor Belmont, que dirige essa série da Globo, e até com os fotógrafos, a ficar atento aos novos equipamentos de luz e câmera.

Como pretendem trabalhar o filme O Narrador de Emoções? Será distribuído nos cinemas? Irá para festivais?

Germano Pereira | Primeiro, a trajetória será de festivais, e este em especial, pois é o primeiro. A criança está nascendo aqui no Santos Film Fest. E é um enorme prazer para todos nós. Já estamos negociando algumas salas para entrar no cinema e depois terá sua maior vida útil na televisão.

Quais os próximos projetos da produtora?

Germano Pereira | Acertamos a pouco tempo o longa sobre a vida do grande ator Ney Latorraca. Vai ser uma obra monumental. Ney é um ídolo de várias gerações. Desde que eu era pequeno já o assistia na televisão. Depois, como ator, acabei fazendo um longa ao seu lado Topografia de Um Desnudo. E agora dirigir e produzir um filme sobre a sua vida, me enche de entusiasmo.

Estamos em fase de captação do próximo longa ficcional, Verões de Fogo, e, inclusive, muitas cenas serão rodadas em Santos.


 

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André Azenha
André Azenha

Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.