Crítica | Brinquedos que Marcam Época (The Toys That Made Us, 2017-2018)

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Não é de hoje que produções do Netflix suscitam discussões sobre qualidade: afinal, acima de tudo, o serviço de streaming quer manter o espectador online, grudado na tela, durante o maior tempo possível.

Daí teríamos a sensação, em várias séries, de que elas se prolongam além do necessário. Muitas vezes ouvimos alguém dizer: tenha paciência, ela melhora a partir do terceiro, do quarto episódio. Algo para refletirmos.

Inegavelmente há, por outro lado, muita coisa bacana e interessante na plataforma. Entre elas, o seriado Brinquedos que Marcam Época.

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Se Stranger Things cooptou marmanjos fãs de filmes dos anos 80 ao entregar uma ficção com inúmeras referências, de Conta Comigo a Os Goonies, de Alien a A Hora do Pesadelo, de E.T. a O Clube dos Cinco, etc, Brinquedos que Marcam Época crava direto nos corações e mentes dos mesmos.

São duas temporadas disponíveis: de quatro episódios cada.  Cada um deles tem, em média, de 45 a 50 minutos de duração. São documentários. Descobrimos detalhes, curiosidades e fatos inusitados na concepção de ícones da nossa infância e cujas franquias perduram até hoje.

Na primeira metade, produtos norte-americanos: Star Wars, Barbie, He-Man e G.I. Joe, os Comandos em Ação como conhecemos aqui. Na segunda, três quartos foram concebidos além das fronteiras norte-americanas: Transformers pode ser considerado nipo-americano, Hello Kitty vem da terra do sol nascente, Lego é made in Dinamarca. Apenas Star Trek é do Tio Sam. Logicamente o êxito no mercado dos EUA contribuiu, e muito, para o êxito e longevidade de todos.

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O programa é desenvolvido por Brian Volk-Weiss, presidente da Comedy Dynamics, empresa de Burbank, Califórnia, produtora de conteúdo audiovisual para diferentes veículos: do streaming aos games. É pensado milimetricamente para cativar e emocionar principalmente quem cresceu entre os anos 70, 80 e 90. Mas também atrai os mais novos, tal qual Stranger Things.

Vale perceber que nem só de vitórias viveram esses personagens. Alguns, como Star Trek, deram bons prejuízos às empresas que tentavam vendê-los. Seria legal ver mais dos fãs, dos consumidores, como podemos conferir no documentário Making Fun: A História da Funko, sobre a fábrica dos bonequinhos cabeçudos, também no Netflix.

Talvez o maior problema ao assistirmos Brinquedos que Marcam Época e Making Fun, principalmente nesse momento de crise no Brasil, é a vontade de sair gastando e adquirindo itens que, à época, nossos pais e avós conseguiam comprar mais tranquilamente. Atualmente muitos desses itens valem pequenas fortunas. Basta dar uma rápida passada na Galeria Itapetininga, em São Paulo.

Chegando lá, vem outro sentimento: o arrependimento de, durante a vida, me desfazer de vários brinquedos. Primeiro pela afetividade. Segundo, por que mantê-los seria uma forma de investimento. Está aí algo que podemos ensinar aos nossos filhos.

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André Azenha
André Azenha

Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.