Entrevista | Ator Luciano Quirino fala sobre carreira e próximos projetos

Luciano foi homenageado na segunda edição do Santos Film Fest. Foto: Thainara Macedo/Divulgação.

Luciano foi homenageado na segunda edição do Santos Film Fest. Foto: Thainara Macedo/Divulgação.

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O ator Luciano Quirino não para. Aos 52 anos, 31 deles dedicados ao teatro, à TV e ao cinema, morando no Rio de Janeiro, é dos artistas mais versáteis, capaz de encantar o público nos palcos, nas telinhas e nas telonas, da comédia ao drama, do suspense à ação.

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Ainda se lembra com emoção, quando estreou no teatro profissionalmente sob a batuta do Diretor José Possi Neto, o Musical Emoções Baratas, em São Paulo. Nascido em Santos, foi aluno de Silvio Varjão no SESC Santos. Participou do Grupo Sinto de teatro amador. Anos depois, cursou a faculdade de Artes Cênicas no Colégio do Carmo.

Estrelou a série de sucesso 9mm, produzida pela Fox e ganhadora do importante prêmio APCA, concedido pela Associação dos Produtores e Críticos de Arte.

Ator contagiou crianças na sessão de DPA para alunos da rede municipal no SFF 2017. Foto: Thainara Macedo/Divulgação.

Ator contagiou crianças na sessão de DPA para alunos da rede municipal no SFF 2017. Foto: Thainara Macedo/Divulgação.

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Virou febre entre as crianças ao viver Ptolomeu, o pai do Bento, na série televisiva Detetives do Prédio Azul, que rendeu um longa-metragem de grande bilheteria nos cinemas.

Recentemente, atuou nos curtas Eu Preciso Destas Palavras Escritas, no qual viveu o Bispo do Rosário, dirigido por Milena Manfredini e Raquel Fernandes, e O Meu Preço, sobre homofobia e racismo, com direção de Hsu Chien.

Estará na segunda temporada do seriado Carcereiros, da Rede Globo, e no filme sobre Wilson Simonal, que deve chegar aos cinemas entre o fim deste ano e o primeiro semestre de 2019.

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Em 2017, foi homenageado em sua terra-natal, no 2º Santos Film Fest, quando esteve na abertura e apresentou o curta Os Bons Parceiros, de Elder Fraga, selecionado para Cannes. Abriu, ainda no evento, uma sessão especial de D.P.A. – Detetives do Prédio Azul para crianças da rede pública de ensino. Seu carisma contagiou os conterrâneos. Pouco mais de um mês depois, voltaria à cidade do litoral paulista para receber o troféu Zumbi dos Palmares, concedido pelo Conselho da Comunidade Negra do município.

Agora, passa a batizar o troféu da homenagem do Santos Film Fest – nesta edição será a vez de Rubens Ewald Filho receber a honraria.

Na conversa a seguir Luciano fala de suas lembras de Santos, o início da carreira, racismo e seus próximos projetos.

Fale da sua infância. Quais maiores lembranças de Santos?
Tive uma infância  tranquila e feliz, rodeado de amigos e familiares. Nessa época já vislumbrava a possibilidade de trabalhar com artes. Lembranças:  os amigos, sessões de cinema no Roxy ou no Iporanga aos finais de semana, Orquidário, Aquário, Museu do Mar, Ilha Porchat, praia do Canal 6, farol do Canal 6, Banho da Dona Doroteia…

Como surgiu seu interesse pelas artes e, especialmente, pela atuação?
Sempre fui um ser inquieto. Adorava ver os atores brasileiros e americanos cantando, dançando e atuando, não perdia aos filmes musicais e policiais que passavam na sessão da tarde A possibilidade de viver outras vidas, dar vida as personagens sempre me encantou. Era fascinante a ideia de emprestar meu corpo, minha alma a outros personagens. Estudei e aqui estou.

Mais de 30 anos de carreira. O que falta ser conquistado?
Sou um cara privilegiado. Vivo da minha profissão, mas sei que falta muita coisa. Falta conquistarmos mais espaço no mercado audiovisual, Falta conquistarmos uma escalação independente da nossa cor e raça. Falta reconhecimento de um trabalho feito com zelo, preparação e determinação. Falta educação. Falta um País mais digno. Falta tanta coisa…

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Você consegue atuar tanto em TV, cinema e teatro. Tem alguma preferência entre os três? Qual o mais desafiador?
São linguagens diferentes. Não tenho preferências. Estou na minha jornada. Todas as personagens que me chegam as mãos são desafios. Eu os trato com muito respeito, independentemente da quantidade de falas e importância na trama – sou da opinião de que também é importante fazer os pequenos papeis nos grandes projetos.

Hoje você vive no Rio de Janeiro. Como foi parar aí e como tem sido viver e trabalhar na Cidade Maravilhosa?
A vida me trouxe para o Rio de Janeiro. Aqui, construí meu universo particular. Moro no Recreio dos Bandeirantes, um bairro cercado por montanhas, muita flora, fauna e com um praia linda. Tenho meus cachorros. Quando preciso, quando sinto falta, pego uma ponte aérea e venho visitar os amigos em Santos e São Paulo, cidades onde nasci e vivi, e que também adoro.

Em 2017 você foi homenageado no Santos Film Fest, em sua terra natal. Como foi a experiência?
Foi uma experiência das mais emocionantes. Ser homenageado na minha Cidade natal… com amigos e familiares a minha volta … Tive mais uma vez a certeza de estar no caminho certo. Foi uma honra! Está guardado para sempre esse carinho que a produção do Festival me proporcionou.

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Nessa edição seu nome passa a batizar o troféu das homenagens. E o homenageado será o crítico conterrâneo Rubens Ewald Filho. Qual a sensação e o que pretende dizer a ele no dia da entrega?
Espero ficar calmo nesse dia. Agora a emoção é dupla. Ter meu nome batizando esse troféu e estar diante de uma pessoa como o Rubens, que eu admiro e acredito… Rubens é uma referência para todos os amantes de cinema. Essa homenagem é mais do que merecida! Ansioso para abraçá-lo.

Você integra a série Detetives do Prédio Azul, de grande alcance infantil. Como é a relação com esse público?
É inacreditável! Nunca pensei em alcançar todo esse sucesso com a criançada. Estou sempre aberto para uma self, gravo vídeos para eles. Me perseguem nos shoppings, supermercados… Estou extremamente feliz com o resultado do Ptolomeu, pai do Bento, carinhosamente chamado de Ptô.

Vivemos em um país onde o racismo segue impregnado na sociedade, mesmo que em boa parte, de forma velada. Recentemente Pantera Negra trouxe à tona novamente a discussão sobre representatividade. Você viu o filme? Considera que ele tenha contribuído em algo? Como tem procurado se posicionar ao longo de sua carreira?
Vi o filme e adorei. Precisamos finalmente entender, e o filme mostrou isso, que sucesso de bilheteria também pode ser alcançado com um elenco de atores negros e talentosos. Muito ainda precisa ser conquistado por aqui, mas estamos construindo nossa história, nossa identidade. Sou um cara de poucas palavras, mas me posiciono com o meu trabalho, no teatro, no cinema e na televisão. Tá tudo lá.

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Recentemente você atuou em alguns curtas-metragens e em um filme sobre Simonal. Fale um pouco sobre esses trabalhos.
Fiz um curta sobre o Bispo do Rosário que está correndo o mundo. Acabei de filmar o curta O Meu Preço, cuja a temática é homofobia e racismo e Simonal (sobre a vida do cantor) que aguardo ansiosamente o lançamento, pra ver o resultado.  Foram três trabalhos com temas totalmente diferentes, é isso que busco, desafios. Exercitar o meu oficio é o que me satisfaz.

Quais são seus próximos projetos?
Fui convidado para um papel de destaque na segunda temporada de Carcereiros, da TV Globo. Quero este ano voltar ao teatro. Estou negociando os direitos de uma peça alemã, mas ainda é um segredo guardado a sete chaves (risos).

Sua vida daria um livro?
Certamente!!! Tenho muitas histórias para contar.

Fique à vontade para deixar um recado aos leitores.
Acreditem! Esforcem-se para construir um País melhor. Tenham consciência na hora de votar. Frequentem mais as salas de cinema. Elas são uma janela infinita para o Mundo. Até daqui a pouco!


 

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André Azenha
André Azenha

Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.