Crítica | Han Solo: Uma História Star Wars (2018)

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Começo a crítica de Han Solo: Uma História Star Wars com uma pitada de nostalgia. Talvez soe rabugento para alguns. Perto dos 40 podemos soar assim às vezes. Sou de 1980. Dois anos antes, chegava aos cinemas Superman. O clássico. Estrelado por Christopher Reeve. O slogan: “você vai acreditar que um homem pode voar”. Pouco sabia-se do filme.

Ao acompanhar o primeiro voo do herói, o impacto foi tremendo no público. Marcou gerações. Foi parecido também nos desdobramentos da história de Ghost – Do Outro Lado da Vida (1990), na cruzada de pernas de Sharon Stone em Instinto Selvagem (1992). E por aí vai. Havia a expectativa. Nem positiva ou negativa. Quando íamos ao cinema ou esperávamos, muitas vezes, pela “primeira vez na TV” (como divulgavam Globo e SBT especialmente), éramos arrebatados, não desgrudávamos os olhos da telona ou da telinha. Praticamente tudo mostrado era novidade.

Tudo isso para dizer que Han Solo: Uma História Star Wars também me surpreendeu. Não que seja o caso dos citados no parágrafo anterior. Hoje a obsessão por cliques é tanta, que sites “especializados” fazem questão de dar “furos” sobre a trama, os bastidores das filmagens. Quantos roteiros vazados não chegam dias, meses antes?

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Os estúdios, não menos culpados, praticamente entregam momentos de todos os atos do filme em trailers, teasers, materiais promocionais. O mais novo lançamento da Lucasfilm, pertencente à Disney, é vítima desse ambiente. Os produtores demitiram os diretores iniciais, Phil Lord e Chris Miller (Uma Aventura Lego, 2014). Chamaram o veterano Ron Howard (O Código da Vinci). Espalhou-se que Alden Ehrenreich (Ave, César, 2016), o ator contratado para viver o mítico protagonista eternizado na pele de Harrison Ford, não sabia atuar, tinha dificuldade em decorar as falas.

Pronto. A produção estava praticamente fadada ao fracasso sem nem chegar aos cinemas. Igual à Liga da Justiça. Ok, a reunião dos heróis da DC Comics não é um grande filme. Por outro lado stá longe de ser a bomba alardeada. Outros muito piores conseguiram bilheterias infinitamente maiores. Inclusive da concorrente Marvel. Tanto falou-se mal da produção que até a Warner pareceu, em algum momento, abrir mão do longa. O mesmo parece ter ocorrido com a Disney e este Han Solo.

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Resumindo: fui conferi-lo com a pior das expectativas. E vejam só: trata-se de uma aventura leve, solta, descompromissada, sem o peso da família Skywalker presente nos demais episódios da saga, nem o subtexto político-social. Há menções a revoluções. Há uma droide feminista maravilhosa, L3-37 (Phoebe Waller-Bridge). No entanto, não há ambição nesse sentido. O objetivo é entreter. O clima é de aventura do começo ao fim, no melhor estilo Sessão da Tarde anos 80 e 90.

Vemos Han Solo no início de carreira e o roteiro parte da jornada dele em resgatar seu grande amor, Qi’ra (Emilia Clarke, de Game of Thrones). Pelo caminho ele conhecerá figuras que se tornariam icônicas no universo Star Wars, Chewbacca (Joonas Suotamo), Lando Calrissian (Donald Glover, do videoclipe This is America), e também o casal de ladrões Beckett (Woody Harrelson) e Val (Thandie Newton), e o inescrupuloso Dryden Vos (Paul Bettany, o Visão da Marvel).

Não faltam citações que os fãs mais veteranos identificarão e situações apenas ditas nos episódios clássicos. Tem, de sobra, humor, química, diversão, vilões caricatos que precisam ser assim. Ehrenreich obviamente não tem o carisma de Harrison Ford, mas sai-se bem, tem certo charme. A comparação é injusta. Emilia Clarke sempre chama a atenção, traz autoridade, Woody Harrelson jamais decepciona. O elenco é coeso. A aventura é redondinha e se propõe a isso. Para ver, curtir e seguir em frente.

Han Solo: Uma História Star Wars
Solo: A Star Wars Story.
EUA. 2018.
Com Alden Ehrenreich, Emilia Clarke, Woody Harrelson, Paul Bettany, Donald Glover, Phoebe Waller-Bridge, Thandie Newton, Jon Favreau. .
135 minutos.


 

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André Azenha
André Azenha

Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.