Crítica | Vingadores: Guerra Infinita (Avengers: Infinity War, 2018)

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Provavelmente a estreia mais aguardada do ano, Vingadores: Guerra Infinita foi tema das mais diversas e variadas especulações. O que aconteceria com tal personagem? Quem morreria? Afinal, são dez anos do universo compartilhado criado pelo Marvel Studios inaugurado em 2008 com Homem de Ferro.

Desde então foram 18 filmes. Quatro deles ultrapassaram a tão cobiçada barreira do US$ 1 bilhão de bilheteria. Nos afeiçoamos aos vários heróis mostrados. Alguns, antes disso, sequer estavam no primeiro time das histórias em quadrinhos: Guardiões da Galáxia, Homem Formiga e até o próprio Homem de Ferro.

Para ler antes de Vingadores: Guerra Infinita | A Saga de Thanos

Exemplo de planejamento, de compreensão desse universo oriundo dos gibis. Não necessariamente de grande cinema. Verdade seja dita: dá para contarmos nos dedos da mão os grandes filmes do estúdio. Capitão América: Soldado Invernal (2014), sua continuação, Guerra Civil (2016), e o recente Pantera Negra. Os demais variam entre bons passatempos, diversões agradáveis e passageiras, e outros insossos ou ruins.

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Talvez o maior mérito do novo longa-metragem seja ir na contramão de praticamente todas as apostas, suposições. Se você achava algo, tenha certeza: isso não acontece durante as quase três horas de projeção. Finalmente conhecemos o vilão Thanos, apresentado rapidamente em Vingadores (2012) e que apareceu novamente nas aventuras dos Guardiões da Galáxia.

Ele quer reunir as seis Joias do Infinito, que lhe darão poderes incalculáveis e possibilitarão seu grande sonho: dizimar metade da população do universo. A justificativa? Planetas são superpovoados, há miséria, pobreza. Tem muita gente e os recursos são poucos, segundo o sujeito. O genocídio aconteceria sem escolher ricos ou pobres. Como se isso justificasse tremendo extermínio.

Duas dessas joias estão na Terra. E é aqui, no Planeta Azul, que a jornada iniciada no espaço será concluída. Para impedi-lo, vemos Vingadores e Guardiões a Galáxia reunindo-se em diferentes frentes, planetas, lugares. Vidas serão perdidas, haverá sacrifício e o futuro tende a ser sombrio.

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Os diretores irmãos Anthony e Joe Russo elevam a competente escala de ação recheada pontuada por humor e algum drama mostrada nos dois últimos filmes do Capitão América, quando também trabalharam a partir de roteiros assinados pela dupla Christopher Markus e Stephen McFeely.

São os nomes certos para um projeto ambicioso, um épico de momentos que chegam a lembrar as batalhas de O Senhor dos Anéis. Saem-se muito bem na maior parte. São muitos e muitos personagens. Marinheiros de primeira viagem terão dificuldade para entender tantas referências. Há personagens que aparecem apenas para trocar sopapos, praticamente entram mudos e saem calados. Outros só fazem piadinhas. É um desperdício o tratamento dado a Bruce Banner/Hulk, por exemplo. É preciso conhecer as tramas anteriores para ter um entendimento geral da história.

Nesse sentido, o protagonista é Thanos, feito por computação gráfica a partir de Josh Brolin, que viverá em breve outra figura da Marvel, Cable, em Deadpool 2. O Titã Louco, como é conhecido, tem carisma, energia, e rouba a cena. Suas motivações lembram as de Ra’s al Ghul (Liam Neeson) em Batman Begins (2005) – não sei e não lembro quem veio com essa ideia primeiro nos quadrinhos, apenas faço a relação. Justificam os problemas da humanidade para genocídios. Exterminar para recomeçar do zero. O problema está na possibilidade de pessoas concordarem com ambos. Isso existe na vida real.

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Geralmente, nós críticos, defendemos que um filme precisa ser apreciado pelo que é, dentro de sua hora e meia, duas, ou mais, de projeção. É a regra geral. Chegou o momento de reavaliarmos esse entendimento? O universo Marvel, guardadas as proporções, remete às antigas matinês cinematográficas.

Nos anos 40, Batman, Superman, Capitão Marvel (Shazam), e até Capitão América, estrelaram séries exibidas nas telonas. Semanalmente o espectador voltava ao cinema ansioso para saber a continuidade dessas histórias. Nos quadrinhos viraria tradição: o que inicia num gibi continua em outro e assim por diante. Se isso é saudável ou não, prejudica ou não o cinema como um todo, são necessárias mais e profundas conversas e reflexões. Inegável é o acerto do projeto, hoje encabeçado pela Disney.

Alguns colegas escreveram que Guerra Infinita lembra um episódio final de temporada. Que seria o ápice desses dez anos. E que o desfecho é surpreendente, corajoso. Não concordo totalmente. Senti falta de ao menos três heróis, interpretados por atores cujas agendas não deveriam estar disponíveis no momento. Ainda assim é espetacular como a Marvel consegue reunir tanta gente boa e organizar tudo.

Acredito que o auge da franquia Marvel será em Vingadores 4, previsto para maior de 2019. Basta pesquisar para saber que alguns atores têm contratos para mais filmes e que, como nos quadrinhos, nem sempre um herói fica morto muito tempo. A cena em questão é chocante e funciona por que a maior parte do público que vai aos cinemas não é feita por leitores de HQs. Ambicioso e gigante como jamais vimos um filme de super-heróis, Vingadores: Guerra Infinita não é o melhor já feito dentro desse nicho, porém é o maior. E possui muitos momentos emocionantes, empolgantes e nos captura do começo ao fim.

Vingadores: Guerra Infinita
Avengers: Infinity War.
2018. EUA.
Direção: Anthony Russo e Joe Russo.
Com Chris Evans, Robert Downey Jr, Josh Brolin, Chris Hemsworth, Chris Pratt, Mark Ruffalo, Scarlett Johansson, Don Cheadle, Benedict Cumberbatch, Tom Holland, Chadwick Boseman, Zoe Saldana, Paul Bettany, Karen Gillan, Elizabeth Olsen, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Danai Gurira, Idris Elba, Pom Klementieff, Dave Bautista, Vin Diesel, Peter Dinklage, Bradley Cooper, Gwyneth Paltrow, Benicio Del Toro, Sean Gunn, William Hurt, Letitia Wright, Samuel L. Jackson, Ariana Greenblatt, Jacob Batalon, Cobie Smulders.
146 minutos.


 

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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