Crítica | A Livraria (The Bookshop, 2017)

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O quanto você lutaria por aquilo que ama? Quantos “nãos” você seria capaz de ouvir? E o quanto “colocaria em jogo”?

Florence Green é uma viúva que, no final dos anos 50, resolve abrir uma livraria em uma cidadezinha da Inglaterra. O que ela não contava era tantas dificuldades, tanto pela burocracia, quanto por outros interesses de Violet Gamart (Patricia Clarkson), figura imponente do município. Ao seu lado, Florence conta com a ajuda de sua pequena assistente, Christine e de um recluso viúvo, Edmund Brundish, que adora ler.

Baseado no romance homônimo da inglesa, Penelope Fitzgerald, A Livraria poderia ser descrito como a batalha de Davi (a ávida leitora e persistente, Florence) contra Golias – a toda poderosa, Violet, que pretende tomar a propriedade da livraria para criar um Centro Cultural a qualquer custo.

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O filme encanta não só pela paixão, persistência e força de vontade da protagonista (vivida de forma delicada por Emily Mortimer), mas também pela forma como os personagens são construídos. A veterana Patricia Clarkson na pele de Violet traz um misto de elegância e discrição à sua vilã que é praticamente dona da cidade. E o que dizer de Bill Nighy (o roqueiro de Simplesmente Amor) como o recluso Edmund? Numa atuação excelente e discreta, em que muito de sua postura e olhar, às vezes, expressam muito mais do que as falas de seu personagem.

A história nos leva à essa batalha entre o amor pela leitura e à realização dos sonhos vs. a falta de interesse e empecilhos que algumas pessoas são capazes de colocar à vida de outras por motivos banais, além de não terem o tato de cuidarem de suas próprias vidas.

Para saber se Davi derrota Golias ao longo dessa história, descubra assistindo A Livraria e reflita sobre esse belo e singelo filme. Programa obrigatório para quem ama livros e uma boa história.

A Livraria
The Bookshop
Espanha / Reino Unido / Alemanha. 2017.
Direção: Isabel Coixet.
Com Emily Mortimer, Bill Nighy, Patricia Clarkson e Honor Kneafsey.
113 minutos.


 

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Marcelo Reis
Marcelo Reis

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.