Balanço do Oscar 2018

Guillermo Del Toro, o grande premiado da noite. Foto: Site oficial do Oscar/Getty Images.

Guillermo Del Toro, o grande premiado da noite. Foto: Site oficial do Oscar/Getty Images.

.
A 90ª festa do Oscar foi longa, mas com boas surpresas e grandes emoções.
De volta como host, Jimmy Kimmel estava totalmente à vontade e naturalmente incluiu a confusão de La La Land x Moonlight em seu discurso de abertura e não poupou Harvey Weinstein, inclusive falando de sua expulsão da Academia.
A entrega dos prêmios começou pelo ator coadjuvante, sendo o favorito Sam Rockwell o vencedor. Seu discurso emocionou Frances McDormand, focalizada com os olhos marejados.
As apresentações musicais  intercalaram segmentos do show com um alto nível das canções, especialmente Memories of Love de Me Chame Pelo Seu Nome e This is Me de O Rei do Show. A vencedora, no entanto, foi Remember Me de Viva! A Vida é uma Festa, que também levou o Oscar de melhor animação. O compositor Robert Lopez se tornou o primeiro vencedor de dois EGOTS (Emmy, Grammy, Oscar e Tony).
O excelente longa de Christopher Nolan, Dunkirk, foi também reconhecido, vencendo nas importantes categorias de som, edição de som e montagem. O fascinante Blade Runner 2049 recebeu dois Oscars de destaque – fotografia e edição.
.
Guillermo Del Toro brincou com Warren Beatty ao receber a estatueta de melhor filme por A Forma da Água (Foto: site oficial do Oscar/Getty Images).

Guillermo Del Toro brincou com Warren Beatty ao receber a estatueta de melhor filme por A Forma da Água (Foto: site oficial do Oscar/Getty Images).

.

A uma certa altura, Jimmy Kimmel interrompeu a cerimônia para algo bem original: reuniu um grupo de astros – Gal Gadot, Margot Robbie e Lin-Manuel Miranda e partiu para um cinema vizinho ao Dolby Theatre para homenagear o público de uma sessão de cinema com elogios e cestas com hot dogs, chocolates e doces. Todos ficaram extasiados ao verna telona  a turma do Oscar 2018 acenando para eles e mandando beijos. Homenagem mais que merecida – o que seria da sétima arte sem o grande público?

Outro belo recurso para celebrar os 90 anos do lendário prêmio foi apresentar videoclipes dos filmes, atores e atrizes vencedores do passado, recente e nem tanto. Uma festa para os olhos!

E logo ficou claro que as portas estavam abertas para a diversidade quando a lendária Rita Moreno, melhor coadjuvante por West Side Story, surgiu numa explosão de aplausos, e no mesmo figurino exótico com que recebeu seu Oscar de coadjuvante em 61/62, para entregar o Oscar de melhor filme estrangeiro para Uma Mulher Fantástica, estrelado pela atriz trans Daniela Vega. O repúdio à política de Donald Trump estava claro.

Frances McDormand, melhor atriz por Três Anúncios Para Um Crime (Foto: site oficial do Oscar/Getty Images).

Frances McDormand, melhor atriz por Três Anúncios Para Um Crime (Foto: site oficial do Oscar/Getty Images).

.
Com pleno merecimento, o Oscar de melhor figurino foi concedido ao belo e perturbador filme de Paul Thomas Anderson, na minha opinião, o melhor de sua carreira, Trama Fantasma, com novo trabalho de mestre de Daniel Day-Lewis, que creio, não irá se aposentar tão cedo. O que mais arrebatou nessa premiação foi a presença da apresentadora Eva Marie Saint, lenda viva aos 95 anos e plena, elegante, carismática. Ela é a atriz vencedora do Oscar 54/55 por Sindicato de Ladrões, que fez ao lado do grande Marlon Brando. Eva provou ser uma inspiração!

Os independentes, super-elogiados e sucessos de bilheteria, Corra! e Me Chame Pelo Seu Nome receberam  justíssimos Oscars de roteiro original e adaptado. Jordan Peele é o primeiro roteirista negro a receber o prêmio. Vale a pena ressaltar a presença vitoriosa do icônico James Ivory, que aos 89 anos, exibia camisa fashionable estampada com o rosto do astro de “Me Chama …”, Timothée Chalamet. Tudo com o sorriso de aprovação do bonitão Armie Hammer, o outro ator do longa e apresentador da noite. Jordan tornou-se o mais velho roteirista vencedor.

Falando no jovem astro Timothée, Kimmel brincou bastante com ele, dizendo que ele estava perdendo seu desenho favorito na TV para estar no Oscar, e da mesma forma ”zoou” com o bem humorado Christopher Plummer, o querido capitão de A Noviça Rebelde, por ser o ator com mais idade a ser indicado ao prêmio, substituindo Kevin Spacey em Todo o Dinheiro do Mundo, filmando tudo em apenas oito dias.

Jordan Pelle, melhor roteiro original por Corra! (Foto: site oficial do Oscar/Getty Images).

Jordan Pelle, melhor roteiro original por Corra! (Foto: site oficial do Oscar/Getty Images).

.
Entraram no palco as lindas e soberanas Jane Fonda, aos incríveis oitenta anos, e Helen Mirren, aos setenta e dois, numa aula de classe, beleza e elegância para entregarem o Oscar de  melhor ato. Confirmando seu favoritismo, elas chamaram Gary Oldman, extraordinário como Winston Churchill, em O Destino de uma Nação, que trata dos bastidores políticos de Dunkirk. De quebra, O Destino… ainda levou o Oscar de make up e cabelos, realizando uma fantástica transformação de Gary em Churchill.

Tradições foram quebradas na consistente premiação deste ano. O ator Casey Affleck, acusado de assédio no ano passado, sabiamente desistiu de entregar o prêmio à melhor atriz. Resolveu-se o impasse com duplas de atrizes nas premiações de atores. A vencedora do ano passado por La La Land surgiu linda e anunciou o talentoso diretor mexicano Guillermo Del Toro, do maravilhoso A Forma da Água, como o diretor do ano. Vitória muito merecida, e ele se une aos outros dois premiados compatriotas, Iñarittu e Cuarón, formando os ”três amigos”.

Sam Rockwell, ator coadjuvante por Três Anúncios Para um Crime (Foto: site oficial do Oscar/Getty Images).

Sam Rockwell, ator coadjuvante por Três Anúncios Para um Crime (Foto: site oficial do Oscar/Getty Images).

.
Todos se surpreenderam ao ver a icônica Jodie Foster entrar de muletas, acompanhada pela linda Jennifer Lawrence, que fez questão de agradecer a Jodie a oportunidade de ter começado a carreira de cinema sob a direção dela. Embora Sally Hawkins está sublime em A Forma da Água, a Academia não resistiu em conceder um segundo Oscar para Frances McDormand, que já tem um por Fargo. Frances ganhou todos os prêmios da temporada no raivoso Três Anúncios para um Crime e, no seu look anti-estrela, incendiou os convidados da cerimônia com um fabuloso discurso feminista. Os prêmios de Anúncios pararam por aí, mas Frances voltou a ser notícia quando, na festa pós Oscar, seu Oscar foi roubado por um desconhecido, mas recuperado por seguranças. Frances
 não quis ir adiante com o caso.

Após receber o Oscar de trilha sonora, composta lindamente por Alexandre Desplat, o segundo de sua carreira – o primeiro recebeu das mãos do mito Julie Andrews em 2015 por O Grande Hotel Budapeste, A Forma da Água parecia à frente de seu grande rival “Anúncios”, especialmente por este não ter indicação do diretor Martin McDonagh.

Numa inteligente sacada da Academia, os protagonistas da gafe do ano passado – Moonlight x La La Land – entraram no palco bem humorados, brincaram com o episódio e anunciaram o grande vencedor da noite: A Forma da Água.  Desta vez, não houve erros, os envelopes tinham letras gigantescas! A deliciosa fantasia poeticamente filmada por Del Toro consagrou-se o grande vencedor do ano, marcado por fortes discursos e vitórias merecidas.


 

As opiniões embutidas nos textos são dos seus respectivos autores, e não refletem necessariamente a opinião do site ou de seu editor.
Waldemar Lopes
Waldemar Lopes

Waldemar Lopes é artista plástico, engenheiro mecânico, professor, cinéfilo. Anualmente realiza em Santos uma palestra beneficente sobre o Oscar, que se tornou tradicional na cidade. Também já realizou encontros sobre cinema para a Universidade Católica de Santos, Universidade Monte Serrat, Secretaria de Cultura de Santos e Rotary. Escreve para o CineZen e o 50 Anos de Cinema.