Os 10 melhores filmes de 2017

lalaland

O cineasta francês Eric Rohmer, da Nouvelle Vague, disse: o cinema é reflexo de seu tempo. Hoje, todos estamos conectados a centenas, milhares de “amigos”. Ao mesmo tempo ficamos isolados em nós mesmos. Os índices de pessoas com depressão, síndromes do pânico ou ansiedade (ou ambas somatizadas) são imensos.

Por isso, é sintomático perceber que, na maior parte do bom cinema produzido em 2017, sejamos apresentados a figuras solitárias, reclusas ou deslocadas. Pessoas, da vida real ou não, em seus próprios mundos, incompreendidas, todas procurando uma completude que parece jamais chegar, mesmo com uma ou outra perspectiva otimista.

De Sebastian (La La Land) ao replicante K (Blade Runner 2049), os dois interpretados por Ryan Gosling. Passando por Rey e Luke (Star Wars: Os Últimos Jedi), Hideko e Sook (A Criada), Bruce (Lego Batman), Wolverine (Logan), Diana (Mulher-Maravilha), Emily (Além das Palavras), Poirot (Assassinato no Expresso do Oriente), Paterson (longa homônimo), Mija (Okja), Desmond (Até o Último Homem), Icare (Minha Vida de Abobrinha), Tony (O Filme da Minha Vida), Daniel (O Cidadão Ilustre) e seu xará (Eu, Daniel Blake), Caesar (Planeta dos Macacos: A Guerra), Augusto (Bingo), Chiron (Moonlight), Rosa (Como Nossos Pais), Chris (Corra!), Mother (Mãe!),, Zahira (A Garota Ocidental), Pedro (Malasartes e o Duelo com a Morte), Peter (Homem-Aranha: De Volta ao Lar), Lee (Manchester à Beira Mar), Auggie (Extraordinário), Baby (Em Ritmo de Fuga), Jim e Andy, que batizam o documentário do Netflix.

São todos grandes personagens de uma temporada que refletiu as demandas do mundo contemporâneo: da Resistência jovem, multicultural, multiétnica e trabalhadora de Os Últimos Jedi ao empoderamento de Mulher-Maravilha. Atrás das câmeras, o ano espelha a distribuição diversificada entre as salas de projeção e o streaming. Confirma a Coreia do Sul no pódio das principais produções audiovisuais do planeta e a safra positiva  e variada do cinema brasileiro. Das ficções O Filme da Minha Vida, Como Nossos Pais, Bingo, Malasartes e o Duelo com a Morte aos documentários Divinas Divas, Nunca Me Sonharam e No Intenso Agora.

O top 10 considera lançamentos no circuito brasileiro durante os últimos doze meses. Não foi fácil chegar ao resultado final. Vários dos longas citados no texto poderiam figurar na lista – não vi o novo de Woody Allen, Roda Gigante, cuja estreia acontece dia 28. Levei em conta obviamente questões narrativas, técnicas e também aqueles que mais me emocionaram, encantaram, divertiram, tiraram da zona de conforto. Há drama, fantasia, biografia, ficção científica, guerra, terror, baixo orçamento, blockbuster.

"Corra!"
“Corra!”

10º) Corra! (EUA/Japão) – Coloca o dedo na ferida da sociedade racista e hipócrita. O tom inicial traz clima à la O Bebê de Rosemary, mas é o ato final que o diferencia ao descambar para o terror digno de Django Livre e Tarantino.

"A Garota Ocidental"
“A Garota Ocidental”

9º) A Garota Ocidental (Bélgica/Paquistão/Luxemburgo/França) – O antigo e o novo. A religião e a liberdade. São os conflitos da jovem paquistanesa residente na França. Grávida, precisa decidir entre ter o bebê e o aborto.

"O Filme da Minha Vida"
“O Filme da Minha Vida”

8º) O Filme da Minha Vida (Brasil) – Selton Mello chega ao auge de sua carreira na sensível história de garoto em busca do pai. Lindamente fotografado pelo mestre Walter Carvalho, remete à Nouvelle Vague e possui ótimo elenco: Johnny Massaro, Ondina Clais, o próprio Selton, Bruna Linzmeyer e o francês Vincent Cassel.

"Logan"
“Logan”

7º) Logan (EUA/Canadá/Austrália) – A despedida (ou não) de Hugh Jackman 17 anos após viver Wolverine pela primeira vez. Desfecho grandioso, aborda: família desajustada, intolerância, a chegada da velhice e a esperança. Transcendeu os filmes de super-heróis.

"Planeta dos Macacos: A Guerra"
“Planeta dos Macacos: A Guerra”

6º) Planeta dos Macacos: A Guerra (Canadá/EUA/Nova Zelândia) – Coroação da primorosa trilogia iniciada por Rupert Wyatt e concluída genialmente por Matt Reeves nos dois últimos. filmes. Sobre o medo do diferente, tem um dos personagens mais complexos recentes: Caesar, feito por CGI a partir de Andy Serkis, que merece a estatueta dourada.

"Dunkirk"
“Dunkirk”

5º) Dunkirk (Reino Unido/Holanda/França/EUA) – Christopher Nolan entrega todo seu repertório e dá aula de narrativa ao encenar a luta pela sobrevivência dos ingleses na praia francesa durante a Segunda Guerra.

"O Cidadão Ilustre"
“O Cidadão Ilustre”

4º) O Cidadão Ilustre (Argentina/Espanha) – Reflete o papel do artista, o significado da arte e a hipocrisia da sociedade ao mostrar o retorno do escritor premiado com o Nobel à sua cidadezinha natal no interior argentino. O ator Oscar Martinez foi premiado merecidamente no Festival de Veneza.

"A Criada"
“A Criada”

3º) A Criada (Coréia do Sul) – Chan-wook Park (Oldboy) não se cansa de nos entregar filmes provocativos e surpreendentes. A trama acompanha duas mulheres de classes sociais distintas em meio a homens obsessivos, controladores e ambiciosos. É filme de época brilhantemente encenado, fotografado, dirigido e interpretado e tem tudo a ver com as discussões contemporâneas: empoderamento, diversidade, igualdades de direitos.

"Blade Runner 2049"
“Blade Runner 2049”

2º) Blade Runner 2049 (EUA/Reino Unido/Hungria/Canadá) – Um dos melhores cineastas da atualidade, o canadense Denis Villeneuve expandiu os conceitos do cult de 1982 dirigido por Ridley Scott. Raro caso de continuação tardia que honra o material original.

"La La Land"
“La La Land”

1º) La La Land: Cantando Estações (EUA/Hong Kong) – Foi amor à primeira vista pelo filme tal qual ocorre com os protagonistas desta jóia cinematográfica. Reacendeu o interesse geral pelo gênero musical. Damien Chazelle tornou-se o mais jovem diretor a receber o Oscar da categoria ao celebrar o cinema e o jazz. Homenageia Los Angeles, a terra dos sonhos, traz canções memoráveis, lindos cenários e dois atores no auge: Emma Stone (Oscar de atriz) e Ryan Gosling. Alegoria para as nossas vidas, as decisões tomadas, os sacrifícios de quem ama, os objetivos que buscamos e os que deixamos pelo caminho, quando imaginamos como teria sido caso algumas escolhas fossem diferentes.

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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