Crítica | Star Wars: Os Últimos Jedi (2017)

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“Star Wars” é uma franquia capaz de conquistar desde as crianças aos marmanjos que viram primeiro o filme nos cinemas, em 1977. Em seu cerne, em sua essência, é um tratado sobre a família, as relações familiares, suas alegrias e desilusões. No caso, os Skywalkers. É, também, sobre política. Desde sempre a humanidade lida com pessoas e instituições que consideram-se superiores, buscam o poder. Outras tantas são oprimidas. Não importa a época da história.

A Disney entendeu o legado assumido e, em três filmes, entregou ao público três histórias intensas. “O Despertar da Força” (2015), ou episódio VII, dirigido por J.J. Abrams (o mesmo que ressuscitou “Star Trek” nas telonas) serviu para conquistar novas legiões de fãs e agradar aos nostálgicos. A trama espelhava o episódio IV, ou Guerra nas Estrelas, como foi chamado no Brasil. Fez quase US$ 2 bilhões mundialmente. O spin-off “Rogue One” (2016) surpreendeu. Mais “sujo”, mas igualmente arrebatador, ultrapassou US$ 1 bilhão. Ambos foram recebidos positivamente pela crítica.

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“Os Últimos Jedi” segue esse caminho. Vai além do longa anterior e faz o espectador se arrepiar diversas vezes. Fazer chocar, digamos, é fácil. Basta o diretor utilizar as ferramentas certas: trilha sonora, enquadramentos, closes, belas atuações. Mas levar o público ao arrepio diversas vezes é de complexidade maior: envolve reconhecimento, envolvimento profundo da plateia. O episódio VIII carrega tudo isso e muito mais. Tem fan services. Citações para os mais fanáticos sorrirem. É daqueles filmes que, apesar da longa duração (2h30), passa rapidamente e deixa saudade. Traz drama e boas doses de humor. Possui cenas espetaculares.

O diretor Rian Johnson (“Looper – Assassinos do Futuro”, 2012) vinha em ascensão. A Disney gostou tanto do resultado e já o quer para uma nova trilogia da saga. Ancorado por excelente equipe, inclusive o mestre John Williams e sua trilha sonora magistral, faz um trabalho deslumbrante, empolgante, cinematograficamente admirável.  emocionalmente intenso.

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A Primeira Ordem descobriu onde está a Resistência e a ataca. Do outro lado da galáxia, Rey (Daisy Ridley) se vê frente a frente com um Luke Skywalker (Mark Hamill) cansado, desacreditado. As peças do xadrez são colocadas e seus avanços não são necessariamente aqueles aguardados pelos fãs. O roteiro apresenta boas surpresas e trata sobre o significado de cada um, a linha tênue entre o bem e o mal e o que se encontra entre ambos, esperança, sabedoria, a importância do fracasso.

Se “O Despertar da Força” destacava Han Solo (Harrison Ford), “Os Últimos Jedi” foca em Luke Skywalker e Mark Hamill corresponde. Seu grande momento após a bela carreira de dublador, quando destacou-se dando voz ao Coringa nas animações do Batman. O próximo filme miraria a General Leia. Carrie Fisher faleceu um ano atrás e cada aparição sua, aqui, é de dar nó na garganta. O diretor a filma com respeito, carinho, devoção. Como se pressentisse o que aconteceria na vida real.

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A  nova trilogia, no entanto, não é somente sobre os protagonistas originais. Os mais jovens não ficam atrás. O Finn de John Boyega aparece menos. Porém é divertido, tem “time”. O Poe de Oscar Isaac é o impulsivo, vai contra as convenções. E Daisy Ridley prova ser a escolha perfeita para a fase atual da franquia: carismática, intensa, mostra-se atriz talentosa – ela atua em outro dos melhores filmes do ano, “Assassinato do Expresso do Oriente”, ainda em cartaz, em personagem completamente diferente. Vai longe.

Repleto de momentos de catarse, “Os Últimos Jedi” obviamente deixa questões soltas para o próximo capítulo da saga. Uma resposta, nós temos: Star Wars vive uma de suas melhores fases. Dizer se esse é ou não o melhor filme de todos fica para outra conversa.

Star Wars: Os Últimos Jedi
Star Wars: Episode VIII – The Last Jedi
EUA. 2017.
Direção: Rian Johnson.
Com Daisy Ridley, Mark Hamill, Adam Driver, John Boyega, Carrie Fisher, Oscar Isaac, Andy Serkis, Laura Dern, Benicio Del Toro, Kelly Marie Tran.
2h32min.


 

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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