Crítica | Eagles of Death Metal: Nos Amis (Our Friends) (2017)

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A oferta de filmes e séries é imensa, gigante. Sabe aquele dia qualquer, dentro de casa, quando demoramos para escolher o que assistir? O documentário Eagles of Death Metal: Nos Amis (Our Friends) veio numa dessas ocasiões. Está disponível no Netflix. Vale a descoberta.

Em 13 de novembro de 2015 Paris foi abalada por atentados terroristas realizados pelo Estado Islâmico. Mais de 100 pessoas morreram em três locais da Cidade Luz. 89 estavam na lendária casa de shows Bataclan, onde se apresentava a banda norte-americana Eagles of Death Metal.

Dirigido por Colin Hanks (filho de Tom Hanks), o filme retoma o pesadelo. Principalmente em sua segunda parte. Na primeira conhecemos a amizade entre o candidato a loser Jesse Hughes (vocalista do grupo) e seu salvador na escola, o grandalhão líder, guitarrista e vocalista do Queens of The Stone Age, Josh Homme. Foi Josh, por exemplo, quem ajudou Jesse a superar o divórcio e a se enveredar pelo universo musical.

O Eagles of Death Metal surgiria da união entre esses dois seres inicialmente tão diferentes, mas que se completariam. Josh nem sempre conseguiria estar com a banda (tocando bateria) em turnê, devido aos seus compromissos com o QOTSA. A ligação, entretanto, jamais foi desfeita.

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A partir de sua metade, o longa aborda o massacre: os depoimentos dos músicos e dos fãs – que assistiam à apresentação – emocionam, indignam. Não perderam suas vidas, porém carregam as marcas e os traumas daquela noite. Foi o atentado que também reuniu os amigos. A fase Zipper Down, quarto álbum do Eagles of Death Metal, deveria ser a separação dos dois. A tragédia na França reaproximou a dupla. O reencontro é tocante.

Acompanhamos ainda o apoio dado pelo U2 (que cedeu seu palco para os colegas três semanas após os atentados) e o show de retorno a Paris. Concerto em outro local, o Olympia, mas cujo significado pode ser traduzido como um intenso “não” ao terrorismo, demonstração de que a liberdade não será vencida pelo medo.

Depois Jesse se envolveria em entrevistas polêmicas. Foi acusado de generalizar os islâmicos. No entanto, Eagles of Death Metal: Nos Amis (Our Friends) é capaz de instigar diversos sentimentos no espectador: sobre amizade, liberdade, traumas, superação, a relação entre artistas e fãs e vice-versa, amor ao próximo, à música, à arte. Não importa sua preferência musical.

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Eagles of Death Metal: Nos Amis (Our Friends)
EUA. 2017.
Direção: Colin Hanks.
Jesse Hughes, Josh Homme, Dave Catching.
1h24min.


 

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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