Crítica | O Filme da Minha Vida

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Baseado no romance “Um Pai de Cinema”, do chileno Antonio Skármeta (que já teve alguns de seus romances como: “O Carteiro e o Poeta”, “No” e “A Dançarina e o Ladrão” adaptados para as telas), Selton Mello dirige seu terceiro longa, “O Filme da Minha Vida”, uma verdadeira homenagem à Sétima Arte (com direito à citação ao western “Rio Vermelho”, com John Wayne), mas também à família.

Selton mostra-se novamente um cineasta sensível com uma história familiar e delicada: sobre memórias, encontros e desencontros, chegadas e partidas, pais e filhos.

Tony (vivido por Johnny Massaro, uma revelação) está voltando à sua terra natal (Remanso, Serra Gaúcha) depois de estudar na cidade precisa lidar com a partida de seu pai para França (o francês Vincent Cassel que já havia feito no Brasil ‘À Deriva” e um dos episódios de “Rio, Eu te Amo” e está no novo longa de Cacá Diegues, “O Grande Circo Místico”), além do interesse que tem por duas irmãs: Petra (Bia Arantes) que depois de dois anos fora também voltou à cidadezinha e Luna (a bela, Bruna Linzmeyer) que permaneceu em Remanso.

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Tony vive com a mãe e encontra em um amigo de seu pai, Paco (Selton Mello, num papel que serve de alívio cômico à história), uma figura masculina em sua vida.

O filme, como disse acima, trata (entre outros temas) de memórias. Isso se dá desde o início da projeção (em tom sépia), mas também pelas lembranças que Tony tem do pai. Se a ausência da figura paterna traz recordações, o jovem protagonista segue sua vida dando aulas de francês e tendo seu despertar sexual.

Como já havia feito em “O Palhaço”, em que reuniu um elenco diversificado e talentoso (onde Moacyr Franco brilhou e recebeu prêmios por uma breve, mas brilhante participação), aqui ele escalou o ator, cantor e apresentador de TV veterano, Rolando Boldrin (o maquinista do trem) e o escritor chileno Antonio Skármeta (um cliente do bordel que conta um “causo” para o personagem de Selton Mello) para participações breves, mas para lá de especiais.

“O Filme da Minha Vida” é um longa bonito e bem realizado que ainda guarda algumas surpresas até o final da projeção. Uma história sensível e para lá de emocionante. Experimente!


O Filme da Minha Vida
2017. Brasil.
Direção: Selton Mello.
Com Johnny Massaro, Bruna Linzmeyer, Bia Arantes, Selton Mello, Vincent Cassel, Ondina Clais, Rolando Boldrin e Antonio Skármeta.
1h53min.


 

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Marcelo Reis
Marcelo Reis

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.