Crítica | Mulher-Maravilha (Wonder Woman)

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“Mulher-Maravilha” é um filme importante, urgente, que precisava ser feito e chega em momento mais que oportuno. Na verdade demorou para existir.

Vemos, enfim, a primeira versão para o cinema da maior e mais conhecida super-heroína das histórias em quadrinhos. Foi criada há 76 anos por William Moulton Marston (1893-1947). Superman e Batman, seus parceiros de editora DC Comics e lançados respectivamente três e dois anos antes, ganharam as telonas ainda nos anos 40.

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Tem a atenção de todos os executivos de Hollywod. Seu sucesso ou não determinará o futuro de protagonistas femininas nos blockbusters baseados em gibis. Dê lucro, surgirão mais histórias dela e de Batgirl, Supergirl, etc, nas salas de projeção. Naufrague, até produções agendadas como “Capitão Marvel” (com Brie Larson) podem não se concretizarem.

É, também, o longa que traz luz ao universo cinematográfico desenvolvido pela Warner: “O Homem de Aço” (2013) e “Batman V. Superman” (2016) são soturnos, grandiloquentes. Apresentam personagens pesarosos, traumatizados. “Esquadrão Suicida”, também do ano passado, é sem pé nem cabeça.

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São tramas irregulares. Carecem do que mais esperamos desses seres icônicos dispostos a defenderem a humanidade: altruísmo, entrega, bondade, que nos inspirem. Tudo o que havia no Superman de 1978 e Brian Synger tentou retomar em “O Retorno” (2006), mas com decisões equivocadas, principalmente no elenco. São os atores e, especialmente a diretora Patty Jenkins, que fazem “Mulher-Maravilha” algo especial.

A cineasta de “Monster” (2003), que rendeu a Charlize Theron o Oscar de melhor atriz, imprime energia, sensibilidade e extrai o melhor de Gal Gadot. A atriz e modelo israelense bastante questionada ao ser anunciada para o papel anos atrás, supera as expectativas. Não é grande intérprete. Precisa e vai evoluir. Mas é bem dirigida por Jenkins.  Dá conta do recado, esbanja carisma e seu porte físico é perfeito para as cenas de ação – ela serviu dois anos ao exército de Israel, mas foi a dança que mais a ajudou nas coreografias de combate. Não dominar perfeitamente a pronuncia do inglês ajuda na concepção da heroína. Diana/Mulher-Maravilha cresceu em Themyscira, a Ilha Paraíso, lar das Amazonas, isolada da humanidade. Descende de Zeus. A mitologia grega se faz presente em sua essência.

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O chamado para sair da terra-natal acontece quando o espião Steve Trevor (Chris Pine), fugindo dos alemães durante a Primeira Guerra Mundial, cai no mar próximo à ilha e é salvo por Diana. Os soldados germânicos invadem a praia e a primeira grande batalha é um impressionante balé de ação. Destaques para as presenças de Robin Wright – na mesma semana em que sua Claire Underwood retorna na quinta temporada de “House Of Cards”, do Netflix – como a General Antíope. E Connie Nielsen no papel de Rainha Hipólita. São respectivamente tia e mãe de Diana. Poderosas e empoderadas.

Disposta a salvar o mundo da Guerra e matar Ares, o causador de todos os males, a jovem parte ao lado de Trevor e aprenderá sobre o mundo, suas qualidades e defeitos. A química entre o casal principal é perfeita e a cena em que ela decide irromper a “terra de ninguém” é aquilo que esperamos num filme de super-heróis.

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Dosando acertadamente humor, romance e ação, a trama escorrega nos vilões caricatos e no conflito final exagerado, quando percebe-se a influência do produtor Zack Snyder. Nada que tire o brilho da história. “Mulher-Maravilha” é o filme que faltava à Warner.  É o que “O Homem de Aço” não conseguiu: uma boa história de origem.

É luz onde até então encontrávamos trevas. Não é perfeito e nem precisava. Dizer que é o melhor do “DCverse” não é necessariamente elogio, vide a fraqueza dos antecessores. É charmoso, divertido e emocionante. Seu lançamento, bem como o vindouro “Pantera Negra” da Marvel, faz milhões de pessoas mundo afora sentirem-se representadas nas telonas. Algo que o streaming e a TV têm feito. Fica a torcida por seu sucesso e que os chefões hollywoodianos apostem mais na diversidade: de gêneros, cores, contextos, tons.

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André Azenha
André Azenha

Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora quinzenalmente com a Rádio CBN Santos e assina o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. É membro da Abraccine - Associação Brasileira dos Críticos de Cinema. Ministra cursos e palestras sobre crítica de cinema e jornalismo cultural. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos.