Crítica | Mulher-Maravilha (animação)

mulher maravilha 2009

1º de junho será uma data importante. Não apenas por que chega aos cinemas “Mulher-Maravilha”. Mais que ser o primeiro longa solo da super-heroína, a produção é vista pelos estúdios como possível divisor de águas na indústria hollywoodiana. Será ele a mostrar que uma superprodução baseada em quadrinhos pode e deve ser estrelado por uma personagem feminina e render bastante dinheiro? Torço para que sim. Caso alcance sucesso, a probabilidade de vermos, nos próximos anos, Capitã Marvel, Batgirl, Supergirl e outras superpoderosas nas telonas aumentará. Um brinde à diversidade!

Talvez muitos não saibam. Mas a Amazona já possui um longa-metragem em animação lançado direto em home vídeo. E que teve essa semana relançamento em Blu-ray combo e DVD aproveitando a chegada de seu irmão mais novo cinematográfico.

“Mulher-Maravilha” (2009) é uma das melhores animações, senão a melhor, realizadas pela Warner/DC. Para dar vida à trama, foi escalada uma diretora experiente em animações da DC, Lauren Montgomery, que já fez episódios dos desenhos animados da Legião de Super-Heróis e do Superman, e um bom elenco para dublar os personagens, destacando Keri Russell (ganhadora do Globo de Ouro pela sua atuação na série de tevê “Felicity”), como a protagonista, e Alfred Molina, que comprova ser ideal para viver vilões ao dar voz ao inimigo Ares – ele já havia interpretado Dr. Octopus no segundo “Homem-Aranha” de Sam Raimi.

A trama tem início na mística ilha de Themyscira, onde as Amazonas, guerreiras fortes e orgulhosas, vivem sem a presença dos homens, a quem julgam corruptos. Mas uma traição dentro da ilha liberta Ares, o Deus da Guerra, e a Princesa Diana precisa capturá-lo antes que ele destrua o mundo. Com a ajuda do piloto Steve Trevor, que sofreu um acidente aéreo e foi parar na ilha, Diana segue Ares até os EUA, e lá se torna a Mulher-Maravilha.

Criada em 1941, Mulher-Maravilha pode ser considerada uma analogia ao maior espaço alcançado pelas mulheres no mercado de trabalho naquela época, e foi a primeira heroína da DC Comics – vale lembrar que, apesar de Lois Lane ser corajosa, não é considerada uma heroína no sentido de ter poderes ou agir como protetora da sociedade). A editora é conhecida por dar vida a personagens femininas complexas, a exemplos de Mulher-Gato, as titãs Estelar, Ravena e Moça-Maravilha, entre outras.

E a animação mantém a essência do universo da protagonista, inclusive o conflito entre os sexos e depois a superação dessas diferenças. O roteiro mescla de forma inteligente diversas fases dos quadrinhos, desde a Era de Prata, até o celebrado período de reformulação composta por George Pérez, nos anos 80.

Está tudo na dose certa: há ação (e alguns momentos violentos, porém sem exageros), comédia romântica e drama. A obra é fiel aos gibis e pode agradar tanto os mais fanáticos como o público geral.

Curiosamente, Mulher-Maravilha já tivera sua origem contada na estreia da elogiada série de tevê animada da Liga da Justiça, pois era a única dos três heróis mais famosos da DC (os outros são Superman e Batman), que, até então, ainda não fora retratada em seus primeiros passos numa animação. Mas os equívocos daquela origem são corrigidos aqui.

Conferir esse filme é um excelente aperitivo para a versão live-action.

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André Azenha
André Azenha

Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora quinzenalmente com a Rádio CBN Santos e assina o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. É membro da Abraccine - Associação Brasileira dos Críticos de Cinema. Ministra cursos e palestras sobre crítica de cinema e jornalismo cultural. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos.