Crítica | Os 13 Porquês

Série da Netflix tem rendido debates mundo afora.

Série da Netflix tem rendido debates mundo afora.

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Quantas humilhações, calúnias, falta de respeito, sofrimento físico e emocional alguém pode suportar e por quanto tempo? Quando falar “basta”? Que horas pedir ajuda? E se pedir: a quem?

A Netflix adaptou para as telas o best-seller voltado ao público teen “Os 13 Porquês”, de Jay Asher. A trama narra a vida de Hannah Baker (), uma estudante do ensino médio, que depois de sofrer bullying de diversas pessoas e em diversas situações (desde o seu 1º beijo até em festas) acaba tirando a própria vida, não sem antes deixar gravado em fitas K7 os 13 motivos (os porquês do título) que a levaram a praticar esse ato.

Eu não acompanho tantas séries como eu gostaria, mas posso afirmar que se “13 Reasons Why” não é a melhor, ao menos é a mais relevante para os jovens atualmente, pois trata de assuntos sérios (bullying, depressão, suicídio, estupro, invasão de privacidade, etc) de forma honesta e, de certa forma, até chocante.

Afinal, não é de hoje que existe a falta de respeito e limites dentro das escolas e universidades. Eu mesmo, quando mudei do ginásio (onde eu havia estudando desde o primário e conhecia a todos há 10 anos e éramos praticamente uma família) para o 1º colegial (hoje ensino médio) em outra escola (por recomendação da minha tia-avó. A pior recomendação da minha vida, diga-se de passagem), sofri agressões físicas e verbais, por ser obeso, por ser deficiente físico e por ser “certinho” (ou como preferiam me chamar, “coxinha). Eu já fui Hannah Baker um dia (por um ano, na verdade, nos anos 90, mais especificamente, 1995), mas ao contrário dela, achei a saída mudando de escola (já que os professores e a diretora, na época, fingiam não ver o que acontecia comigo e com alguns outros alunos) a partir do 2º colegial e voltando ao meu antigo eu.

Uma das coisas mais interessantes em “13 Reasons Why” é que se trata de uma série que mesmo estando camuflada de programa adolescente, tem muito mais a oferecer em conteúdo, temática e narrativa (repare no excelente trabalho de montagem que mescla passado com presente), pois mostra que pode haver monstros à nossa volta, capazes de atos tão traiçoeiros e ordinários que, certas vezes, não tem mais volta, não permitem uma segunda chance à vítima (como no caso da protagonista da série).

Na série, os personagens que recebem as fitas K7 para ouvir o relato da protagonista tem a sua parte da culpa na morte de Hannah e é revoltante perceber que, alguns deles, mesmo ouvindo os motivos que fazem a protagonista cometer o suicídio alegam que o que ela relata não é “a sua verdade”. Como se a vítima inventasse as situações. Como se houvesse mais de uma verdade, além dos fatos e do relato da vítima.

Enfim… “13 Reasons Why” pode não mudar a sua vida, mas serve de alerta aos pais para que percebam os sinais quando seus filhos precisarem de ajuda e estão sofrendo em silêncio; aos agressores para que tomem consciência do mal que fazem e às vítimas de bullying e pessoas que estão sofrendo com depressão não se calem, busquem ajuda com alguém de sua confiança (parentes, amigos, educadores, etc)

Não seja um dos 13 porquês na vida de alguém. Seja, de preferência, a razão de alguém continuar a viver. Paz e respeito sempre.


 

As opiniões embutidas nos textos são dos seus respectivos autores, e não refletem necessariamente a opinião do site ou de seu editor.
Marcelo Reis
Marcelo Reis

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.