Crítica | Girls

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As aventuras, desventuras, os romances e os altos e baixos de quatro amigas em Nova York. Você pode até lembrar, num primeiro momento, da série “Sex and the City”, mas na verdade, trata-se de “Girls”, série da HBO que terminou domingo (16/04), depois de seis temporadas.

Se na série estrelada por Sarah Jessica Parker, a protagonista Carrie Bradshaw escrevia uma coluna que dava título à série e, tanto ela quanto suas amigas eram bem sucedidas em suas respectivas áreas de trabalho, em “Girls”, o quarteto de amigas, na faixa dos 20 e poucos anos estão, ora em busca de sua realização profissional, ora em busca de novos amores ou, simplesmente, curtindo a vida.

A protagonista de “Girls”, Hannah Horvath (Lena Dunham, criadora da série) é uma moça um pouco acima do peso, que sonha em ser reconhecida como escritora, mas de tão atrapalhada, só se mete em confusões e em situações constrangedoras. Ela mora com seu melhor amigo, o divertido Elijah (um ex-namorado que se revelou gay). Completam o grupo de amigas, Marnie (Alison Williams), melhor amiga de Hannah (que depois revelará talento para a música), Soshanna (Zosia Mamet, na vida real, filha do dramaturgo, David Mamet), a mais romântica e sonhadora da turma e sua prima, Jessa (Jemima Kirke), a mais anárquica, viciada em álcool, mas a que resolve (quase sempre), os problemas do grupo.

Do excêntrico grupo de personagens, temos Adam (Adam Driver, antes de entrar na franquia “Star Wars”), namorado de Hannah, um cara meio doido, mas completamente apaixonado por ela, que sonha em ter seu talento como ator reconhecido, além de Ray (Alex Karpovsky), amigo das garotas, que se interessa por Marnie, mas é daquele tipo de pessoa que fala todas as verdades na cara (ele é como se fosse o espectador apontando o dedo na cara das protagonistas quando elas fazem alguma besteira).

É incrível como a série tem um lado mais realista, que mostra “gente como a gente”. Os personagens não são lindos de morrer, mas sim pessoas comuns, fazem sexo sem qualquer glamour (simplesmente fazem, como qualquer pessoa normal faria) e os diálogos e assuntos abordados são um show à parte. Um dos mais interessantes que a série abordou, com imensa sensibilidade foi um dos personagens “saindo do armário” em plena 3ª idade. Só alguém que compreende o mundo em que vivemos como Dunham para ser capaz de algo assim.

Se estávamos sem uma voz nova-iorquina desde surgimento de Woody Allen nos anos 60 ou de uma voz feminina na telinha desde Tina Fey e seu “30 Rock” (embora hoje ela escreva “Unbreakable Kimmy Schmidt”, que não é tão popular), temos agora Lena Dunham, a criadora, roteirista (em muitos dos episódios), diretora (em alguns episódios, também) e estrela da série.

Se atualmente as pessoas estão tão apegadas à estética, com 1.001 fórmulas milagrosas para emagrecer em questão de dias, Lena Dunham demonstra segurança, desenvoltura e coloca sua personagem como alguém atrapalhada, divertida, mas muito consciente de si e de seu corpo (em inúmeras ocasiões, durante as 6 temporadas do programa, ela aparece nua ou seminua).

“Girls” é uma série para se ver e se divertir com personagens carismáticos e muito bem escritos, mas para isso é preciso se desarmar de preconceitos e ver a essência do programa que, como eu disse acima, é sobre “gente como a gente”. Ou, se preferir, sobre tudo aquilo que nos permitimos ser: meio loucos, apaixonados, atrapalhados, mas sempre verdadeiros, autênticos e sonhadores.


 

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Marcelo Reis
Marcelo Reis

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.