Breves considerações sobre A Vigilante do Amanhã (Ghost in the Shell)

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Ainda não assisti à animação japonesa, “Ghost in the Shell”, 1995 (que, dizem, ter tido muito influência na trilogia “Matrix”, das hoje irmãs Wachowski), por isso vou fazer considerações somente sobre a versão americana que ganhou o título em português “A Vigilante do Amanhã”.

1º Apesar de toda a polêmica pelo fato de não terem selecionado uma atriz oriental e sim uma americana para viver a mocinha a major Mira, o filme não perdeu muito com isso, mas se eu fosse escolher uma atriz para viver a protagonista, sem dúvida, seria a Rinko Kikuchi (indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante por “Babel” e que já havia se saído muito bem num filme de ação, no caso, “Círculo de Fogo”). O papel lhe cairia como uma luva.

2º A fascinante história (ao menos do início até a metade, pois depois fica mais rotineiro) passada num futuro próximo (2029), sobre uma moça que depois de sofrer um acidente, passa por uma experiência em que transportam seu cérebro para um corpo robótico, tornando-a uma máquina de guerra, mesmo ela preservando, em parte, sua consciência humana e sua alma.

3º Com esse filme, Scarlett Johansson prova, mais uma vez, que é a heroína dos filmes de ação da atualidade (posto que antes pertencia a Angelina Jolie em longas como “Lara Croft: Tomb Raider” e “Salt”), depois de encarnar Viúva Negra nos filmes da Marvel e o alucinante “Lucy”, ela é perfeita nas cenas de ação.

4º Falando em miss Johansson não é porque a sua personagem tem o corpo de um robô que ela precisa entregar uma interpretação tão, digamos assim, robótica (me lembrou, por vezes, Winona Ryder em “Alien – A Ressurreição”, 1997).

5º O ponto alto do filme talvez seja o seu designer de produção: claramente inspirado em “Blade Runner” (1982), de Ridley Scott, o visual é de encher os olhos.

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6º Um blockbuster para ser, quem sabe, levado a sério é preciso contar com grandes intérpretes. Se miss Johansson não colabora nesse quesito, pelo menos temos o grande cineasta e ator japonês Takeshi Kitano (“Hana-Bi – Fogos de Artifício”, 1997; “Brother – A Máfia Japonesa”, 2000) e a excelente atriz francesa Juliette Binoche (vencedora do Oscar de Atriz Coadjuvante por “O Paciente Inglês” e protagonista do meu amado “A Liberdade é Azul”, de Krzysztof Kieslowski) em papeis importantes.

7º O filme acaba revelando um ator dinamarquês que eu achei bem interessante: ele se chama Pilou Asbæk e interpreta Batou, o parceiro da protagonista, major Mira, nas missões.

8º O quase sempre subestimado Michael Pitt (“Os Sonhadores” e da série “Boardwalk Empire”) interpreta o vilão e está quase irreconhecível com a maquiagem robótica. Pena que na segunda metade, quando seu personagem entra em cena, o filme desande um pouco. Ou melhor, o que era uma história fascinante vai caindo no lugar-comum.

9º O final deixa “gancho” para outras aventuras dessa (possível) franquia.

10º O filme mesmo não sendo perfeito, levanta alguns questionamentos interessantes: Será que o futuro será assim mesmo? Deixaremos de ser completamente humanos para sermos, visualmente, perfeitos? Será que a ganância do ser humano terá limites para respeitar os outros ou tratará a todos como cobaias? E é uma ótima pedida se você for tão fascinado por ficção científica quanto eu.


 

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Marcelo Reis
Marcelo Reis

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.