Crítica | Power Rangers (Power Rangers)

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Com mais de vinte anos na televisão e dois longas para o cinema, “Power Rangers” conquistou fãs mundo afora reproduzindo, no Ocidente, as características da franquia super sentai japonesa: nela, geralmente grupos de cinco heróis, três homens e duas mulheres, enfrentam alguma ameaça ao planeta ou  ao universo, e finalizam as histórias em brigas contra monstros gigantes. Exemplos são Changeman, Flashman, Maskman e outras exibidas no Brasil pela finada emissora carioca Rede Manchete. Nem a tradicional pedreira (que existia de verdade em solo japonês), palco dos embates decisivos nas séries nipônicas, foi esquecida.

“Power Rangers”, a nova versão produzida para as telonas, mantém a essência da primeira temporada do seriado e tudo o que levava alegria aos fãs. Cinco adolescentes são reunidos e, sob o comando de Zordon (Bryan Cranston, de “Breaking Bad”), um extraterrestre e Ranger de milhões de anos atrás derrotado pela traidora Rita Repulsa (Elizabeth Banks) e cuja consciência é mantida viva junto à nave alienígena, precisam aprender a usar seus novos poderes e defender a Terra.

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A diferença está no tratamento. Se na telinha faltavam recursos e os efeitos eram toscos, a adaptação cinematográfica chegou ancorada por uma orçamento de US$ 105 milhões. Assim, os efeitos e as cenas de ação são um pouco mais caprichados. Não impressionam se comparados aos filmes de super-heróis da Marvel ou da Warner/DC ou aos últimos Star Wars, mas cumprem o objetivo de entreter o espectador e envolver o fã mais ardoroso. Aliás, a canção clássica ganha nova roupagem e é executada em poucos segundos, podendo frustrar quem espera um momento de catarse.

Talvez o que o filme traga de mais positivo seja a tentativa – ainda que sem maiores ambições – de aprofundar cada herói e dar maior diversidade à equipe. Todos são deslocados: foram mandados para a detenção na escola igual aos personagens do clássico teen “O Clube dos Cinco” (1985), de John Hughes. Uma Ranger é gay – inclusive, a maneira como o tema é abordado tem mais a ver com a realidade do que “A Bela e a Fera”. No filme da Disney repete-se o clichê do homossexual alívio cômico, caricato, retrato que nada contribui ao debate.

Com boas sacadas humorísticas, o longa pode ser o início de uma nova fase dos personagens no cinema. Não sei se conquistará a nova geração. Eu, que curtia as séries japonesas e acompanhei a primeira temporada de Power Rangers na TV, gostei da sensação nostálgica que o filme proporcionou, inclusive com atores da série original em pequenas participações.

Power Rangers
Power Rangers
2017. EUA / Canadá.
Direção: Dean Israelite.
Com Dacre Montgomery, Naomi Scott, RJ Cyler, Ludi Lin, Becky G., Elizabeth Banks, Bryan Cranston, Bill Hader (voz).
124 minutos.


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André Azenha
André Azenha

Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora quinzenalmente com a Rádio CBN Santos e assina o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. É membro da Abraccine - Associação Brasileira dos Críticos de Cinema. Ministra cursos e palestras sobre crítica de cinema e jornalismo cultural. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos.