Crítica | A Bela e a Fera (Beauty and The Beast)

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Há alguns anos a Disney vem desenvolvendo um projeto interessante e curioso: filmar em live-action (filme com atores reais) as suas animações mais marcantes.

Depois de “Alice” (2010), “Cinderela” (2015), com Cate Blanchett (no papel da madrasta), “Mogli: O Menino Lobo” foi a vez da primeira animação que concorreu ao Oscar de melhor Filme em 1992 (não havia categoria Animação). Estou falando de “A Bela e a Fera” (1991), que encantou o mundo há mais de 15 anos e que ganha agora uma versão estrelada por Emma Watson (a Hermione da cinessérie “Harry Potter” e que foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade da agência ONU Mulheres em 2014. No youtube você pode encontrar um belo discurso que ela fez em defesa das mulheres) e Dan Stevens (que foi revelado na série britânica “Downton Abbey”).

O filme, dirigido por Bill Condon (que tem uma carreira irregular que vai desde o ótimo “Deuses e Monstros” até filmes da franquia “Crepúsculo”) não inova em muita coisa. É quase que a animação dos anos 90 passo a passo, com direito até às clássicas canções da premiada trilha sonora de Alan Menken e tudo. Confesso que me emocionei com uma rápida, mas singela citação ao clássico musical “A Noviça Rebelde” (1965), estrelado por Julie Andrews e vencedor de cinco prêmios Oscar em 1966 (entre eles, melhor Filme e Direção).

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A trama já é conhecida: sobre um príncipe arrogante que recebe um feitiço e é transformado numa fera. Para quebrar o feitiço é preciso encontrar o amor verdadeiro. Essa história já rendeu um clássico filme dos anos 40, dirigido por Jean Cocteau, uma série de TV muito bacana nos anos 80 (que teve três temporadas, exibidas entre 1987 e 1990), estrelada por Ron Perlman (astro de “Hellboy” e que participou da série “Sons of Anarchy”) e Linda Hamilton (a mocinha de “O Exterminador do Futuro” e ex-mulher de James Cameron), entre tantas outras versões – a mais recente é uma francesa de 2014, estrelada por Léa Seydoux, de “Azul é a Cor Mais Quente” e Vincent Cassel, de “Cisne Negro” e “Irreversível”.

Aqui, Emma Watson demonstra, mais uma vez, seu carisma e talento na pele da mocinha. Dan Stevens tenta passar a humanidade que o personagem exige, mesmo com a pesada maquiagem. Kevin Kline (“Um Peixe Chamado Wanda”) retorna às telonas vivendo o pai de Bela e está um tanto envelhecido. Quem acaba roubando a cena é Luke Evans como Gaston, num estilo exagerado, engraçado e vilanesco. Já seu fiel escudeiro, LeFou (Josh Gad) é o alívio cômico da história. Pelo personagem ter um tom mais humano e ser retratado como homossexual, o filme acabou tendo boicotes por parte de algumas salas de cinema nos EUA. Pura bobagem: num mundo tão cheio de corrupção, violência e problemas sociais, é quase que inacreditável que um personagem de um filme juvenil possa ser alvo de preconceito por parte de distribuidores e do público por um motivo tão discriminatório e lamentável quanto a homofobia.

Quem dubla (na versão original) os objetos mágicos do castelo são astros do calibre de sir Ian McKellen, Ewan McGregor, Emma Thompson, Stanley Tucci e a estrela da Broadway, Audra McDonald.

Ainda que essa versão de “A Bela e a Fera” não pareça definitiva nem superior à animação de 1991, ela acaba servindo para apresentar às crianças de hoje uma história encantadora, romântica e que mostra que o amor é capaz de vencer qualquer tipo de preconceito e prova, afinal, que a beleza está nos olhos de quem vê.

A Bela e a Fera
Beauty and the Beast
EUA. 2017.
Direção: Bill Condon.
Com: Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, Josh Gad, Kevin Kline, Ian McKellen, Emma Thompson, Stanley Tucci, Audra McDonald.
129 minutos.


 

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Marcelo Reis
Marcelo Reis

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.