Dia da Mulher | 15 filmes sobre empoderamento feminino

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8 de maio é o Dia Internacional da Mulher – a origem da data gera discussões, uma rápida pesquisa pela internet explica os motivos.

Tal comemoração, como Dia da Consciência Negra, Dia do Orgulho Gay, é  importante ponto de partida para refletirmos a vida, a sociedade, a política, as relações e a busca por um mundo mais justo. Reflexões essas, aliás, que deveriam se estender durante o ano, o dia a dia.

Esses filmes apresentam figuras inspiradoras – sejam elas reais (a maioria) ou fictícias. O objetivo foi relacionar histórias e trajetórias de mulheres empoderadas que superaram preconceitos, adversidades, transformaram a sociedade ou contribuíram para o debate.

O top 15 é diversificado. São filmes de diferentes décadas, contextos, situações. Relativamente fáceis de achar. Em DVD, streaming e outros meios.

Muitos são dramas, mas há também aventura e animação. Três são brasileiros. Todos filmes trazem interpretações intensas, complexas e grandes atrizes. O intuito foi tentar evitar filmes que geralmente figuram em listas parecidas. A ordem é alfabética baseada nos títulos recebidos no Brasil.

Aquarius (2016)
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O filme brasileiro mais premiado dos últimos anos. Possui o mérito de resgatar a maior estrela do cinema nacional: Sonia Braga, na melhor atuação de sua carreira: ela vive Clara, moradora de um apartamento do prédio onde os demais foram vendidos para uma empreiteira. É sobre resistência, mas também sobre a mulher em muitos aspectos. Integrou a seleção oficial do Festival de Cannes, onde foi ovacionado, e foi esnobado pela comissão do Ministério da Cultura responsável por definir o representante do país para o Oscar.

Carol (2015)
carolAcompanha a relação da jovem vendedora Therese Belivet (Rooney Mara, de “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”) e a elegante Carol Aird (Cate Blanchett), que está se divorciando de Harge (Kyle Chandler). À medida que se apaixonam, precisam enfrentar o preconceito, a incompreensão e a hipocrisia de familiares e das altas rodas. Alia sensibilidade e beleza desde os pequenos gestos, olhares, abraços, aos esplêndidos figurinos e direção de arte. Mas são as duas atrizes que fazem tudo valer a pena: Cate é um monstro em cena, uma presença poderosíssima. Rooney Mara consegue criar o contraste necessário com seu jeito inseguro e igualmente hipnotizante. Assim como Audrey Hepburn e Shirley MacLaine em “Infâmia” (1961) e Ingrid Bergman e Liv Ullmann em “Sonata de Outono” (1978), temos duas grandes intérpretes dividindo a tela. Uma experiente, premiadíssima. Outra em ascensão.

Elis (2016)
Elis-o-filmeA cinebiografia de Elis Regina levanta temas atuais: as relações familiares, entre gêneros, o conceito de família e os papeis da mulher e do homem na sociedade. Andreia Horta personifica a “Pimentinha” nos trejeitos, no olhar penetrante, no jeito meio moleque. É dublada nas canções. Hipnotiza e nos faz crer na presença da cantora.

Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento (2000)
erinJulia Roberts recebeu o Oscar, o SAG, o Globo de Ouro e o BAFTA de melhor atriz, entre outros prêmios, ao interpretar a personagem-título. Na vida real, a técnica jurídica e ativista ambiental, mãe solteira de três filhos, confrontou a Pacific Gas and Electric Company (PG&E), que vinha poluindo uma comunidade local e deixando muitas pessoas doentes. Direção de Steven Soderbergh.

Escritores da Liberdade (2007)
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O livro “The Freedom Writers Diaries” traz relatos reais da professora Erin Gruwell. O filme é inspirado na obra literária e mostra como a educadora superou os desafios da educação no contexto socioeconômico vulnerável na escola retratada, onde nem os colegas de profissão acreditavam nos alunos. Hilary Swank, duas vezes premiados no Oscar (“Meninos Não Choram” e “Menina de Ouro”) faz a protagonista; O elenco tem o galã Patrick Dempsey e o veterano Denny DeVito é um dos produtores.

Estrelas Além do Tempo (2016)
estrelasAcompanha a bonita e real trajetória de três mulheres negras fundamentais no desenvolvimento da NASA e na ida de John Glenn (Glen Powell) ao espaço: primeiro astronauta do país a realizar a façanha. São elas as matemáticas Katherine G. Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson: respectivamente interpretadas por Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe. O trio vive um momento de profundas transformações: os anos 60, década do movimento hippie, da liberdade sexual, da Corrida Espacial. E da busca por direitos civis para todos. Tão bem representada em “Selma – A Luta Pela Igualdade” (2014), sobre as marchas lideradas por Martin Luther King em 1965. Além do racismo, as três precisavam lidar com o machismo impregnado há gerações. Sofriam duas vezes mais. Esforçaram-se o dobro, o triplo, para chegar aonde chegaram.

Infâmia (1961)
THE CHILDREN'S HOUR, from left, Audrey Hepburn, Shirley MacLaine, 1961Dirigido por William Wyler, acompanha a história das amigas Karen Wright (Hepburn) e Martha Dobie (Shirley MacLaine). Juntas, elas administram um colégio interno só para meninas. Depois de ser punida pelas professoras por contar mentiras, uma das alunas reclama com sua avó e inventa que Martha tem ciúme de Karen, que é noiva do médico Joe Cardin (James Garner). A senhora fica horrorizada, tira a neta da escola e espalha o boato. A partir daí as duas mulheres começam uma batalha contra as acusações e suas consequências. Baseado na peça teatral homônima de Lillian Hellman, que roteirizou sua obra para o cinema, é um filme a frente de sua época e reúne duas grandes atrizes – atenção para a expressão e o olhar de Audrey ao final da projeção. Um debate sobre intolerância que, por incrível que pareça, segue atual. Teve cinco indicações ao Oscar: Atriz coadjuvante (Fay Bainter), Fotografia Preto e Branca, Figurino, Direção de Arte e Som.

Jogos Vorazes (2012)
jennifer-lawrence-as-katniss-everdeen-inNão tão popular quanto “Crepúsculo”, que retratava sua protagonista de forma machista e antiquada. Infinitamente melhor na literatura e no cinema, “Jogos Vorazes” igualmente apresenta uma mulher no centro da trama de ação e envolvida num triângulo amoroso. Porém a abordagem é outra. Katniss (Jennifer Lawrence), ao contrário de Bella (Kristen Stewart), tem atitude.

Moana (2016)
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Simplesmente a primeira animação da Disney em que a protagonista rejeita o título de princesa e não precisa do príncipe encantado para ser feliz. Moana é, além de tudo, uma líder nata, contrária ao que está pré-estabelecido. Também se posicionam contra o status quo de suas sociedades as personagens de “Frozen” (2013), “Procurando Dory” (2016) e “Valente” (2012).

Norma Rae (1979)
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Norma Era (Sally Field), tal qual sua família, trabalha na fábrica têxtil local por um salário que não condiz com as longas horas e as péssimas condições de trabalho. Motivada pelo discurso de um defensor trabalhista, a jovem encoraja seus colegas de trabalho a lutar pela criação de um sindicato. Sally Field ganhou seu primeiro Oscar pelo papel – o segundo seria por “Um Lugar no Coração” (1984).

Orgulho e Preconceito (2005)
orgulhoOs livros de Jane Austen são povoados por mulheres fortes e marcantes. “Orgulho e Preconceito” é um dos melhores filmes baseados na obra da escritora – o outro é “Razão e Sensibilidade” (1995), de Ang Lee. Keira Knightley, em sua primeira parceria com o excelente diretor Joe Wright, estrela o drama de época e recebeu indicação ao Oscar pelo trabalho. Num período histórico em que as mulheres eram obrigadas a casar com quem os pais desejam, Elizabeth (Keira) e a irmã Jane (Rosamund Pike) optam por quem amam. Charmoso, com humor leve e excelente elenco, teve ainda mais três indicações.

Preciosa – Uma História de Esperança (2009)
preciosaPreciosa (Gabourey Sidibe) é negra, obesa, não sabe ler nem escrever, espera o segundo filho de seu próprio pai. Não bastasse sofrer abusos sexuais por aquele que devia amá-la incondicionalmente, também é vítima de ofensas e agressões da mãe (Mo’Nique, Oscar de atriz coadjuvante pelo papel), que a culpa pela ausência do marido. É portadora do vírus HIV. Estimulada pela dedicada professora (Paula Patton) de uma escola alternativa, a jovem aos poucos se encontra, descobre coisas que a fazem sorrir e passa a tomar atitudes independentes. Produzida por duas celebridades da televisão dos EUA, Oprah Winfrey e Tyler, trata-se de uma obra visceral e sensível, sobre transformação e, como entrega o título nacional, esperança. Mariah Carey e Lenny Kravitz fazem inusitadas e competentes participações. Levou ainda o Oscar de roteiro adaptado.

Que Horas Ela Volta? (2015)
quehorasRegina Casé interpreta Val: pernambucana que deixou a terra-natal em destino a São Paulo para tentar proporcionar uma vida mais digna a sua filha Jéssica. Desde então, trabalha na mesma casa há anos, tendo criado o filho de um casal de classe média. , Val precisa ser discreta ao olhar dos donos, mas prestativa em tudo que faz. O status quo da mansão é colocado de cabeça para baixo quando Jéssica decide ir á capital paulista prestar o vestibular na FAU, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e, na falta de onde ficar, se hospeda na casa dos patrões de sua mãe. Acontece que a adolescente é parte de outra geração. Ao contrário de mãe, que cresceu num mundo onde a subserviência era encarada de maneira “normal”, a jovem deseja ir além, a enxerga o mundo de forma diferente. O filme, porém, não é apenas sobre diferenças sociais ou de gerações. É sobre alienação. E é especialmente sobre mães e filhos. Duas mulheres, mãe e filha, que se completam e, a partir do aprendizado mútuo, se reinventam.

O Sal da Terra (1954)
saldaterraAntes do documentário sobre a obra do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, esse filme recebeu o título “O Sal da Terra” no Brasil. Mineiros de origem mexicana entram em greve no Novo México, estado dos EUA, reivindicando os mesmos direitos e tratamento que os trabalhadores norte-americanos. Lideradas por Esperanza Quintero (Rosaura Revueltas), as esposas dos grevistas também se envolvem nos protestos. A iniciativa das manifestantes modifica, inclusive, os relacionamentos dos casais.

As Sufragistas (2015)
sufragistasDirigido pela britânica Sarah Gavron, se passa no início do século XX. Após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Um grupo militante decide coordenar atos de insubordinação, quebrando vidraças e explodindo caixas de correio, para chamar a atenção dos políticos locais à causa. Maud Watts (Carey Mulligan), sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas. Ela enfrenta grande pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina, mas decide que o combate pela igualdade de direitos merece alguns sacrifícios. O elenco conta com Meryl Streep e Helena Bonham-Carter.

 

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André Azenha
André Azenha

Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora quinzenalmente com a Rádio CBN Santos e assina o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. É membro da Abraccine - Associação Brasileira dos Críticos de Cinema. Ministra cursos e palestras sobre crítica de cinema e jornalismo cultural. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos.