Entre La La Land e Moonlight, o que vale é refletir sobre a arte, o mundo em que vivemos e o respeito ao próximo

moonlight
Por maior que tenha sido a gafe nessa edição do Oscar, nada deveria invalidar a vitória de um filme tão bem realizado quanto “Moonlight”. Eu também gosto de “La La Land”, pois sou doido por musicais e o filme faz homenagem à Los Angeles, mas também aos musicais de outrora, mas foi um filme que achei bonito e nunca me conquistou inteiramente..

Como disse Ben Affleck, citando Alfred Hitchcock, “o mais importante ao se fazer um filme? Roteiro, roteiro e roteiro”.

“LA La Land” é sim belíssimo em sua execução, em seu acabamento (fotografia, direção de arte, figurinos, etc.) e a química entre a dupla de protagonistas funciona à perfeição, mas num momento tão delicado quanto ao que os EUA está vivendo nessa Era Trump, será que o filme merecia, ou deveria, ser o maior prêmio da noite?

“Moonlight” trata de temas importantes, pertinentes e universais: homofobia, racismo, bullying, dependência química e a falta de liberdade de um menino negro para se descobrir sexualmente, onde ele já é apontado, rotulado pelos colegas e ainda tem o desprezo e falta de interesse de sua mãe para os seus cuidados básicos.

Pensando em tudo isso: devemos celebrar a homenagem aos musicais ou devemos honrar temas que ainda são tão difíceis de serem tratados e falados e que o diretor Barry Jenkins (adaptando uma peça teatral) faz com tamanha delicadeza e sinceridade.

Não, eu não odeio ou desprezo “La La Land” (que isso fique bem claro), pois sou apaixonado por musicais e acho que o filme tem inúmeros méritos, mas para a “América” atual e para o mundo tão dividido em que vivemos, acho muito mais válido e importante uma vitória para “Moonlight”.

Afinal, se o Sr. Trump deseja criar muros para separar as pessoas, devemos criar pontes para nos unir e, acredito que, assistindo e refletindo sobre filmes como “Moonlight” tenhamos uma bela maneira de lembrarmos que somos todos irmãos. Do lado de lá ou de cá da tela, o que se deve prevalecer é o respeito ao próximo. Sempre!

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Marcelo Reis
Marcelo Reis

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.