Foi dada a largada para o Oscar 2017

"La La Land" igualou recorde de "A Malvada" e "Titanic", com 14 indicações.

Foram grandes as confusões causadas pelo anúncio dos indicados ao Oscar 2017. Ao contrário do que foi publicado em um site aprovado pela Academia, Tom Hanks, por sua interpretação em “Sully – o Herói do Rio Hudson” e Amy Adams, por seu trabalho em “A Chegada”, não foram indicados ao Oscar de ator e atriz, gerando um mal estar e pedido de desculpas oficiais aos atores, produtores, fãs, etc. Hanks e Adams foram novas vítimas de uma tradição no Oscar, quando atores que estiveram em dois filmes ou mais, tem seus votos divididos e acabam não entrando na disputa. Isso já aconteceu com Julie Andrews – em ”Assim é a Vida” e ”Sede de Amar” – em 1986 e o próprio Tom Hanks em ”Capitão Philips” e ”Nos Bastidores de Mary Poppins”. Neste ano, Hanks também esteve em ”Inferno”e Amy, em ”Animais Noturnos”.

Virando a página, a leitura das indicações na terça-feira, 24 de janeiro de 2017, às 11:18 (por quê não 11:20? risos) feita por Brie Larson (vencedora do Oscar de atriz do ano anterior, por “O Quarto de Jack”), Jennifer Hudson (vencedora de coadjuvante em “Dreamgirls”), o fotógrafo premiado com dois Oscars (“O Regresso”, “Birdman”) Emmanuel Lubezki, Jason Brightman e Ken Watanabe, juntamente com a presidente da Academia, Cheryl Isaacs, coroou com 14 indicações o aclamado musical ”La La Land – Cantando Estações”, empatando com os clássicos ”A Malvada”(1950) e ”Titanic”(1997) em número de indicações.

Se contar com o fato de que os dois foram agraciados com o Oscar de melhor filme, a vitória de “La La Land” na mesma categoria parece iminente. As indicações incluem, além de filme: diretor (Damien Chizelle, de “Whiplash”), ator para Ryan Gosling, atriz para Emma Stone, roteiro original, fotografia, montagem, design de produção, figurino, duas canções originais – a belíssima e suave ”City of Stars”, pela qual eu torço, e “Audition” -, trilha sonora, edição de som e mixagem de som.

Ajudam o filme as premiações no Festival de Veneza e o recorde de sete Globos de Ouro.

"Moonlight".

O grande concorrente que pode estragar a festa de “La La Land” é o poderoso ”Moonlight”, um indie de 5 milhões de dólares sobre  a vida de um jovem negro gay. A raridade de um musical na corrida do Oscar traz a lembrança de 10 vitoriosos – ”Melodia da Broadway” (29), ”O Grande Ziegfeld” (36), ”O Bom Pastor” (44), Um Americano em Paris” (51), ”Gigi” (56), ”West Side Story” (61), ”My Fair Lady’ (64), ”A Noviça Rebelde” (65), ”Oliver!” (68), “Chicago” (2012).

Também raramente uma ficção científica recebe reconhecimento, mas neste ano “A Chegada” teve oito indicações, inclusive melhor filme. Receberam também indicações: “Rogue One – Uma História Star Wars” (efeitos visuais),”Passageiros” (trilha Sonora, direção de arte), e ”Star Trek – Sem Fronteiras” (maquiagem).

Outra marca notável é a vigésima indicação para melhor atriz de Meryl Streep, ótima em ”Florence – Quem é essa Mulher?”. O Oscar realmente adora Meryl –  ela parece que vai ser sempre indicada, enquanto outros monstros sagrados nem chegam perto de uma indicação. Um fato é que ela, além do talento, tem o poder de fazer todos os melhores papéis disponíveis no mercado para a idade dela. Já seu companheiro em cena, Hugh Grant, foi esquecido, apesar de estar ótimo em cena.

Aliás, as esnobadas do Oscar não foram poucas. Ficaram de fora Amy Adams, Aaron Taylor-Johnson por  ”Animais Noturnos” – outro coadjuvante deste longa, Michael Shannon, teve melhor sorte. Também Annette Benning em ”20th Century Women”, Rebecca Hall em “Christine” e principalmente nossa Sonia Braga, no aclamado “Aquarius”, não foram consideradas: jornais dos EUA divulgaram que a distribuidora Vitagraph sequer inscreveu a atriz brasileira para a corrida pela estatueta.

Casey Affleck em "Manchester a Beira Mar".

“Elle” não conseguiu a indicação para filme em língua estrangeira, mas emplacou a francesa da vez, Isabelle Huppert, também excelente, por sinal. Mas não há lugar para duas estrangeiras, e as atrizes e atores franceses são mais lembrados- que o digam – Catherine Deneuve, Emanuelle Béart, Jean Dujardin. Uma pena, porque o Variety e o New York Times lembraram a Academia da majestosa interpretação de Sonia Braga como a viúva Clara que quer seus direitos reconhecidos e do roteiro e direção brilhantes de Kleber Mendonça Filho.  A recusa do ministério da cultura de ter “Aquarius” como representante do Brasil na categoria filme estrangeiro levou ao júri do Oscar ”O Pequeno Segredo”, que, como esperado, ficou de fora. Nos filmes estrangeiros, a Alemanha desponta com “Toni Erdman”, um dos aplaudidos no Festival de Cannes (assim como ”Aquarius”).

Uma esnobada em alto grau foi para ”Deadpool”. A Academia realmente parece não ser muito fã de super-heróis. Uma pena, porque “Deadpool” agradou muito, e não foi só nas bilheterias. Os super-heróis aparecem indicados nas categorias técnicas: ”Doutor Estranho” (efeitos visuais) e ”Esquadrão Suicida” (maquiagem).

Ainda foram esquecidos “Julieta”, de Pedro Almodóvar, na categoria internacional, e “Café Society”, de Woody Allen, para roteiro original.

Em geral, as indicações foram as esperadas. Houve uma reação ao ”#OscarsSoWhite” do ano passado e esse ano a diversidade está bem representada. Há a favorita coadjuvante Viola Davis por ”Um Limite Entre Nós” e seu companheiro Denzel Washington, Mahershala Ali e Naomie Harris em ”Moonlight”, a vitoriosa Octavia Spencer na mesma categoria por ”Estrelas Além do Tempo”, Ruth Negga por “Loving”, Dev Patel (de origem indiana) por ”Uma Jornada para Casa” e mais quatro diretores nos documentários, com o destaque de Ava DuVernay (de “Selma”). por “A 13ª Emenda”. Também o cineasta Barry Jenkins, de ”Moonlight”, tornou-se o quarto diretor negro indicado na história da premiação – os outros foram John Singleton, Lee Daniels, Steve McQueen.

Isabelle Huppert em "Elle".

Ah, se virem Natalie Portman grávida, é sinal que será indicada ao Oscar.  Isso aconteceu em “Cisne Negro”, quando venceu, e agora a história se repete em ”Jackie”. Porém, tudo indica que será Emma Stone a vitoriosa, e quem lhe faz frente não é Natalie, e sim, Isabelle Huppert, de “Elle”, filme que surpreendentemente não conseguiu indicação a melhor filme estrangeiro.

Martin Scorsese teve de se contentar com só uma indicação – de fotografia – para seu ”Silêncio” e ele está bem acompanhado por Clint Eastwood, com seu “Sully”, só indicado a edição de som. Entre os diretores, a presença de Mel Gibson, por seu trabalho no filme de guerra ”Até o Último Homem”, com Andrew Garfield indicado a melhor ator, representa o perdão oficial da Academia ao “mau” comportamento ao ator premiado pela direção de ”Coração Valente” (95). Falando em Garfield, a disputa entre os atores será mais forte entre Ryan Gosling de “La La Land” e Casey Affleck de ”Manchester à Beira Mar”.

O animação que desponta nesse ano é “Zootopia”, que todos adoram.

Vejam a lista dos indicados abaixo e façam suas apostas. Minha palestra beneficente “Oscar 2017” será no dia 21 de fevereiro no Roxy Pátio Iporanga, em parceria com a Open House Idiomas. Espero você para uma noite cheia de emoções e prêmios – não é o Oscar, mas vamos sortear muitos brindes.

“City of Stars” é favorita para melhor canção.

Os indicados:

Melhor filme

  • La La Land – Cantando Estações
  • Manchester à Beira Mar
  • Até o Último Homem
  • Moonlight
  • A Chegada
  • Lion: Uma Jornada Para Casa
  • Um Limite entre Nós
  • Estrelas Além do Tempo
  • A Qualquer Custo

Melhor diretor

  • Damien Chazelle (La La Land)
  • Kenneth Lonergan (Manchester)
  • Barry Jenkins (Moonlight)
  • Dennis Villeneuve (A Chegada)
  • Mel Gibson (Até o Último Homem)

Melhor atriz

  • Emma Stone (La La Land)
  • Natalie Portman (Jackie)
  • Isabelle Huppert (Elle)
  • Meryl Streep (Florence)
  • Ruth Negga (Loving)

Melhor ator

  • Casey Affleck (Manchester)
  • Ryan Gosling (La La Land)
  • Andrew Garfield (Até o Último Homem)
  • Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
  • Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)

Melhor atriz coadjuvante

  • Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
  • Michelle Williams (Manchester)
  • Naomie Harris (Moonlight)
  • Nicole Kidman (Lion)
  • Viola Davis (Um Limite entre Nós)

Melhor ator coadjuvante

  • Lucas Hedges (Manchester à Beira do Mar)
  • Michael Shannon (Animais Noturnos)
  • Dev Patel (Lion)
  • Mahershala Ali (Moonlight)
  • Jeff Bridges (A Qualquer Custo)

Melhor roteiro original

  • Manchester à Beira do Mar
  • La La Land
  • The Lobster
  • 20th Century Women
  • A Qualquer Custo

Melhor roteiro adaptado

  • A Chegada
  • Um Limite Entre Nós
  • Figuras Ocultas
  • Lion
  • Moonlight

Melhor animação

  • Zootopia: Essa Cidade é o Bicho
  • Moana — Um Mar de Aventuras
  • A Tartaruga Vermelha
  • Kubo e as Cordas Mágicas
  • My Life as a Zucchini

Melhor documentário

  • 13th (Ava Du Vernay)
  • I’m not Your Negro (Raoul Peck)
  • Life Animated
  • Fire at Sea (Gianfranco Rosi)
  • O.J. Made in America (Ezra Edelman)

Melhor curta em documentário

  • Extremis
  • 4.1 Miles
  • Joe’s Violin
  • Watani: My Homeland
  • Os Capacetes Brancos

Melhor filme estrangeiro

  • A Man Called Ove (Suécia)
  • Tana (Austrália)
  • It’s the End of the World (Canadá)
  • Land of Mine (Dinamarca)
  • The Kings Choice (Noruega)

Melhor fotografia

  • A Chegada
  • Silence
  • La La Land
  • Lion
  • Moonlight

Melhores efeitos visuais

  • Doutor Estranho
  • Kubo e as Cordas Mágicas
  • Rogue One: Uma História Star Wars
  • Mogli
  • Até o Último Homem

Melhor trilha original

  • Jackie
  • La La Land
  • Lion
  • Moonlight
  • Passageiros

Melhor maquiagem e cabelos

  • A Man Called Ove
  • Star Trek: Sem Fronteiras
  • Esquadrão Suicida

Melhor canção original

  • Audition (La La Land)
  • Can’t Stop the Feeling (Trolls)
  • City of Stars (La La Land)
  • Empty Chair (Jim: The James Foley Story)
  • How Far I’ll Go (Moana)

Melhor design de figurino

  • Animais Fantásticos
  • Florence: Quem é essa mulher?
  • Jackie
  • La La Land
  • Aliados

As opiniões embutidas nos textos são dos seus respectivos autores, e não refletem necessariamente a opinião do site ou de seu editor.

Waldemar Lopes
Waldemar Lopes

Waldemar Lopes é artista plástico, engenheiro mecânico, professor, cinéfilo. Anualmente realiza em Santos uma palestra beneficente sobre o Oscar, que se tornou tradicional na cidade. Também já realizou encontros sobre cinema para a Universidade Católica de Santos, Universidade Monte Serrat, Secretaria de Cultura de Santos e Rotary. Escreve para o CineZen e o 50 Anos de Cinema.