Hollywood diz que vai sobreviver a Donald Trump em vídeo

Amy Adams foi uma das estrelas que participou.

Amy Adams foi uma das estrelas que participou.

Meryl Streep deu o recado quando recebeu o prêmio Cecil B. DeMille pelo conjunto da obra no Globo de Ouro, domingo passado.

“O que é Hollywood? É só um bando de gente de outros lugares. Eu nasci, fui criada e educada em escolas públicas de Nova Jersey. Amy Adams nasceu em Vicenza, na Itália. Natalie Portman em Jerusalém. Onde estão as certidões de nascimento delas? Hollywood está repleta de estrangeiros. Se expulsarmos todos, vocês não terão nada para assistir a não ser futebol e MMA”, disse a atriz.

A declaração da atriz, vencedora de três estatuetas no Oscar, ecoou. O próprio presidente dos EUA a respondeu pelo Twitter, chamando-a, vejam só, de “supervalorizada”.

Não tardou e mais artistas de Hollywood se posicionaram.

Nicole Kidman foi por outro caminho. “Ele [Trump] foi eleito e nós, como país, precisamos apoiar quem quer que seja o presidente, porque é nisso que o país é baseado”, disse a australiana à Time.

Ela integra um grupo de poucos artistas que de alguma forma apoiam o atual mandatário do Tio Sam. Outros como John Voight e Bruce Willis estão nesse time. Até Arnold Schwarzenegger, republicano tal qual o presidente, já fez suas críticas ao recém-eleito governante estadunidense.

Entre a classe artística, a aprovação de Trump é mínima. Tanto que, até agora, não conseguiu um grande nome da música pop para se apresentar na tomada de posse do próximo dia 20. Ele bem que tentou. Fez convites. Todos recusaram.

Na última quarta, uma nova leva de astros hollywoodianos se reuniu em iniciativa da W Magazine e gravou uma versão de “I Will Survive” (“eu vou sobreviver”), clássico dançante de 1978 eternizado na voz de Gloria Gaynor. Até a publicação desse texto já foram mais de um milhão e duzentas mil visualizações no canal da revista no Youtube, sem contar Facebook e outras redes sociais.

A letra não poderia se encaixar melhor ao contexto do que pensam milhões de pessoas. “Mas então eu passei muitas noites. Pensando como você me fez mal. E eu me fortaleci. E eu aprendi como me arranjar”.

Participaram da iniciativa nomes em evidência como Emma Stone (“La La Land”), Natalie Portman (“Jackie”), Amy Adams (“A Chegada”), Andrew Garfield (“O Último Homem”), Michael Shannon (“Animais Noturnos”), Mahershala Ali (“Moonlight” e “House of Cards”), Dave Patel (“Lion”), Matthew McConaughey, Chris Pine, Hailee Steinfeld, Felicity Jones (“Rogue One”), Taraji P. Henson, Michelle Williams, Dakota Fanning, entre outros.

Uma seleção de astros e estrelas das mais diversas etnias: brancos, negros, indianos, etc. Reforçando o que Meryl Streep disse sobre a diversidade presente e que mantém a indústria cinematográfica ativa.

Em “Burguesia”, que Cazuza canta e compôs ao lado de George Israel e Ezequiel Neves, o cantor carioca bradava: “Eu sou burguês, mas eu sou artista;Estou do lado do povo, do povo”.

Grande parte de Hollywood se posicionou. Trump sabe que não terá vida fácil se depender dos ídolos de cinema e da música em seu país.

O resultado da reunião você confere abaixo. Divertido, cínico, classudo, inteligente, charmoso.


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André Azenha
André Azenha

Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora quinzenalmente com a Rádio CBN Santos e assina o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. É membro da Abraccine - Associação Brasileira dos Críticos de Cinema. Ministra cursos e palestras sobre crítica de cinema e jornalismo cultural. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos.