Crítica | Capitão Fantástico

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Até que ponto somos livres? Até onde nossas escolhas interferem na vida de outras pessoas? É possível viver uma vida, realmente, livre, sem convenções sociais, forma de governo ou instituições religiosas? Esses e tantos outros questionamentos estão em “Capitão Fantástico”, do ator e cineasta Matt Ross.

Viggo Mortensen (“Marcas da Violência”) interpreta Ben Cash, pai de 6 jovens, entre os 5 e 18 anos que mora no meio do mato com os filhos e os ensina não só a viver, mas a sobreviver longe da civilização, passando por rígidos treinamentos diários.

Dando uma educação à base de livros que ensinam desde a Constituição até as mais diversas línguas (como o esperanto), seu mundo passa a entrar em colapso com a notícia da morte de sua esposa, que estava em tratamento médico na cidade.

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A partir de então, o filme que começou com questionamentos sobre o modo como essa excêntrica família vive e a realidade que vivemos, acaba se tornando um road movie, afinal, os Cash resolvem ir ao enterro da esposa/mãe. Ainda assim, o filme continua sempre a surpreender e a levar o espectador a lugares e pensamentos que, a princípio, talvez até discordasse, mas não há como ficar indiferente a nada convencional família Cash.

Se os filmes hollywoodianos amargam pela falta de ideias e bons roteiros (é só vermos a quantidade de remakes desnecessários de clássicos e a proliferação de filmes de super-heróis, por exemplo), eis uma produção americana, realmente instigante e original que faz com que a gente se envolva na história e torça por seus protagonistas.

“Capitão Fantástico” é aquele tipo de filme cada vez mais raro, capaz de fazer o espectador refletir e até mudar de opinião sobre os personagens, ora torcendo por eles, ora questionando seus atos e ficar imaginando até onde o excêntrico modo de vida da família Cash é capaz de levá-los. Assista ao longa e embarque nessa fascinante viagem, pois vale cada minuto de projeção.

Capitão Fantástico
Captain Fantastic
2016. EUA.
Direção: Matt Ross.
Com Viggo Mortensen, George MacKay, Samantha Isler, Annalise Basso, Nicholas Hamilton, Shree Crooks, Charlie Shotwell, Steve Zahn, Kathryn Hahn, Frank Langella.
1h58min.


 

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Marcelo Reis
Marcelo Reis

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.