Globo de Ouro | Visão estrangeira sobre Hollywood

Facebook Globo de Ouro/Reprodução.

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Antes de tudo: Globo de Ouro não é prévia do Oscar.

No primeiro, votam algumas poucas dezenas de jornalistas estrangeiros residentes em Los Angeles. No segundo, alguns milhares de profissionais da indústria cinematográfica. Vez ou outra, os prêmios se repetem.

Até os perfis das cerimônias são diferentes. Enquanto uma serve bebidas alcoólicas aos indicados, tornando a premiação a mais divertida da temporada, a outra acontece no teatro: todos devidamente comportados. Num, as categorias são divididas entre drama e comédia/musical, cinema e televisão. Noutro, apenas filmes e sem separar quem pretende fazer rir ou chorar.

Os Golden Globes são a visão internacional sobre Hollywood. Os Academy Awards são a autocelebração da sétima arte estadunidense.

Dito isso, não é de se estranhar que a francesa Isabelle Huppert tenha sido escolhida – com justiça – a melhor atriz dramática e nem que o seu Elle, do grande holandês Paul Verhoeven, eleito o longa estrangeiro da temporada. Ou que, ao contrário do Oscar nos últimos anos, vejamos mais artistas negros sendo indicados e premiados: Viola Davis, Donald Glover, Tracy Ellis Ross.

Meryl Streep foi homenageada por sua carreira. Criticou Donald Trump, alertou para a importância dos estrangeiros nos EUA e fez mais pelo jornalismo do que a própria classe vem fazendo.

A festa do último domingo ainda consagrou o musical “La La Land: Cantando Estações”, que inspirou um imperdível número musical comandado pelo apresentador Jimmy Fallon na abertura da transmissão. Foram sete prêmios. Recorde absoluto. Resultado que pode ser repetido no Oscar. Não por que, reafirmando, uma premiação seja prévia da outra. Mas por que o filme, do talentoso Damien Chazelle (“Whiplash”) é adorável, encantador e mitifica a própria Hollywood. Afinal, os gringos não são bobos.

As opiniões embutidas nos textos são dos seus respectivos autores, e não refletem necessariamente a opinião do site ou de seu editor.
André Azenha
André Azenha

Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora quinzenalmente com a Rádio CBN Santos e assina o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. É membro da Abraccine - Associação Brasileira dos Críticos de Cinema. Ministra cursos e palestras sobre crítica de cinema e jornalismo cultural. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos.