Crítica | Animais Noturnos

50805_AA_6087 print_v2lmCTRST+SAT3F Academy Award nominee Amy Adams stars as Susan Morrow in writer/director Tom Ford⬠"!s romantic thriller NOCTURNAL ANIMALS, a Focus Features release. Credit: Merrick Morton/Focus Features

Em certo momento de “Animais Noturnos”, Edward (Gyllenhaal) diz a Susan (Amy Adams) que ela tem os olhos tristes de sua mãe. Em outra cena, Anne (Laura Linney) afirma para sua filha Susan: “Você pode não perceber isso, mas você e eu somos muito mais parecidas do que você pensa”. Esse e outros questionamentos aparecem a quase todo momento no novo longa do estilista e cineasta Tom Ford (sua estreia na telona foi com o belo e triste “Direito de Amar”, estrelado por Colin Firth e Julianne Moore).

O filme segue três linhas narrativas: o presente, com Susan como uma infeliz dona de uma galeria de arte, tentando salvar seu casamento com Hutton (Armie Hammer); seu passado com Edward (Gyllenhaal) desde seu reencontro nos tempos de faculdade até seu precoce casamento (que sua mãe era contra) até sua separação. A terceira linha narrativa se dá quando Edward (de quem se separou há quase 20 anos) manda o rascunho de seu romance e Susan vai lendo a história (envolvendo violência e suspense) para o espectador.

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É interessante notar que o filme, mesmo com essas três narrativas e linhas do tempo diferentes são tão bem orquestradas. Em mãos menos habilidosas ´poderia ser um filme confuso e que não chegaria a lugar algum, mas com Tom Ford no comando, tudo funciona. A elegância dos figurinos e da galeria de arte é contrastada com a arte moderna (muitas vezes forte até para os olhos da protagonista) e pela violência da história dentro do filme (isso é, do livro de Edward). O sofrimento de Susan no atual casamento é contrastado também pelo do protagonista do livro de seu ex-marido (ambos interpretados por Gyllenhaal com muita garra).

“Animais Noturnos” é uma espécie rara de filme, que se camufla num gênero (no caso, o suspense), mas que é muito mais que isso. É um filme que trata da arte da escrita, do oficio de escritor e todas as inquietações que vem junto a isso.

 Certa hora, Susan pergunta a Edward:

– Por que você é tão motivado para escrever?

E Edward responde: – Acho que é uma maneira de manter as coisas vivas. Salvando coisas que acabarão morrendo. Se eu escrevê-las… então vão durar para sempre”.

E, adaptando o romance “Tony and Susan”, de Austin Wright, Tom Ford consegue instigar o espectador a todo instante, envolvendo-o não apenas como o cineasta talentoso que já provou ser, mas como se fosse o autor dessa (ou dessas) intrigante(s) história(s). “Animais Noturnos” pode parecer aquele tipo de obra com final aberto, mas se você prestar atenção aos personagens, perceberá que se trata, na verdade, de uma história de vingança. Ora bela, ora extremamente violenta, mas nunca não menos que perfeita.

Animais Noturnos (Nocturnal Animals)
2016.
Direção: Tom Ford.
Com Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon, Aaron Taylor-Johnson.
1h57min.


 

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.

2 thoughts on “Crítica | Animais Noturnos

  1. Meu ta loco! Esse cara conhece mto de cinema!! Parabéns mais uma vez, Marcelo e a André Azenha com seu excelente CineZen Cultural! Vamo que vamo!!!

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