Uma Crônica Cinematográfica – Parte 2 (ou como me tornei um cinéfilo)

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Às vezes, tento lembrar qual foi o primeiro filme que assisti no cinema, ainda que eu não lembre que filme exatamente foi, acredito que tenha sido (no começo dos anos 80) algum dos Trapalhões ou da Xuxa.

Se perguntasse à minha mãe, é quase certo de que ela diria: “Foi Alien – O 8º Passageiro”, que assisti quando estava grávida de você”. Acho que aí, também, não vale, né?

Lembro de ter visto “Superman IV – Em Busca da Paz” com 7 anos (em 1987). Na época eu achava o máximo (não tinha noção de que este seria lembrado, tempos depois, como o pior filme do Homem de Aço).

Lembro também de ver “Indiana Jones e a Última Cruzada” (em 1989), além de “Lua de Cristal”, da Xuxa e “Tartarugas Ninja (ambos em 1990), mas aí eu já era quase um pré adolescente (com 10, 11 anos).

A memória que mais guardo, na verdade, é como me tornei cinéfilo. Às vezes, das situações mais difíceis e dolorosas da vida, a gente acaba descobrindo algo que nos traz alegria, distração e um pouco de paz. Ou como diria o sr. Wayne: “sabe por que caímos? Nós caímos para aprendermos a levantar!”.

Era início de 1993, estava com 13 anos e devido a um problema que possuo até hoje (encurtamento em uma das pernas), precisei operá-la. Coloquei um aparelho no quadril, uma espécie de gaiola e fiquei “de molho” por 6 meses. Afastado das poucas atividades sociais que tinha e de alguns amigos da rua e da escola.

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Para me distrair, a minha vó comprava fitas de vídeo dos meus grupos/cantores favoritos (no caso, Queen, Elton John e George Michael), mas foi através da TV (em especial, o canal TNT) que acabei me descobrindo cinéfilo. Eu não sei porque reprisava tantas vezes o mesmo filme (uma mistura de cinema com teatro da mais alta qualidade), “Henrique V”, de Kenneth Branagh (uma obra de Shakespeare adaptada para a tela). Acho que só aquele ano, eu vi e revi o filme umas 11 vezes, tamanho foi meu fascínio pela cena de batalha que havia no longa. Sem os efeitos visuais e CGI tão em voga atualmente, era tudo feito na “raça”. Eu fiquei absolutamente encantado com aquele filme, com sua proposta e execução e, a partir daí, comecei a estudar e a pesquisar um pouco mais sobre cinema (através daqueles guias de vídeo, que a minha tia havia me dado).

Desde então, o que começou como um hobby, se tornou quase uma obrigação (uma boa obrigação, melhor esclarecer, rsrs), pois passei a estudar sobre os filmes, atores, diretores, premiações (em especial, o Oscar, que sempre aguça mais a curiosidade, inclusive de leigos no assunto).

Eu posso, por assim dizer, que o Cinema foi a minha única paixão platônica que deu certo, tanto é que permanece até hoje. Às vezes, é claro, fico decepcionado com algumas coisas que assisto. Tem anos, que de tão ruim que é a safra, me pergunto: “vão premiar, o quê?”, mas eu e o Cinema somos quase que um caso de amor bandido: a produção, às vezes, me maltrata pela baixa qualidade. E eu fico semanas sem ver algo, simplesmente por não achar algo minimamente interessante para assistir na telona, mas aí recorro aos clássicos (esses nunca deixam a desejar). Ou, como nesse ano, em que filmes como “Truman”, “Aquarius”, “Carol” e “Juventude” me fazem voltar a ter fé no cinema.

Na primeira parte da crônica, eu comentei sobre os meus “eus” cinematográficos e acho que, para se viver bem, não só com o Cinema, mas em sociedade (quando nos decepcionamos com algo ou com alguém) devemos fazer que nem o gato de um olho só da Celine (personagem de Julie Delpy na “trilogia do antes”, de Richard Linklater composta por “Antes do Amanhecer”, 1995; “Antes do Pôr-do-Sol”, 2004 e “Antes da Meia-Noite”, 2013): caminhar pelo jardim diariamente e apreciar a paisagem como se estivesse ali pela primeira vez. É essa a sensação que um cinéfilo deve buscar a cada novo filme e uma pessoa (com alguma outra paixão ou hobby) deve ter pelo que gosta e pela vida: contentamento, prazer, gratidão e, por que não, admirar as coisas do dia-a-dia, como se fossem únicas, novas e inesperadas.

Se a vida não é um filme como você, certas vezes, desejou que fosse, persista e faça com que a sua história tenha um final feliz. Afinal, como diria George Bailey (James Stewart) no clássico “A Felicidade não se Compra” (It’s a Wonderful Life”, 1946), de Frank Capra: “toda vez que toca um sino é sinal de que um anjo ganhou suas asas”. E, acredito, se existem anjos, há esperança.

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Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.

One thought on “Uma Crônica Cinematográfica – Parte 2 (ou como me tornei um cinéfilo)

  1. Muito obrigado pelo seu texto, Marcelo. Suas palavras me lembraram da importância que o cinema tem em minha vida. Um grande abraço!

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