Star Trek e Batman 66: Vivam os cinquentões

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1966. A televisão a cores virava febre. Duas séries eram lançadas. Cada uma durou três temporadas. Foram reprisadas à exaustão, inclusive no Brasil. Tornaram-se cults. Ganharam séquitos de fãs, que duram até hoje.

Com 50 anos de suas estreias, não era difícil imaginar que Star Trek e Batman, com Adam West no papel-título, ganhassem celebrações.

A primeira não foi exatamente popular. Mas arrebatou admiradores mundo afora. Ficção-científica de cunho existencialista, pacifista, apresentava ao espectador um time multiétnico. Norte-americanos e russos. Brancos e negros. Ocidente e Oriente. Tudo junto e misturado. Quando os direitos civis eram debatidos na vida real. Em pleno período de Guerras: a “Fria” e a do Vietnã. Gerou uma franquia de sucesso, com animação, spin-offs, Voltaria com seus atores originais em longas para o cinema e partir de 1979. Em 2009, ganhou reboot elogiado pela mente de J.J. Abrams. Essa fase chega ao terceiro filme.

Sem Fronteiras, lançado semana passada, é dirigido por Justin Lin, sujeito que elevou à enésima potência o sucesso da saga Velozes & Furiosos. Abrams virou produtor.  Há mais humor, ação e menos reflexão em relação aos dois anteriores. Vale a pena, do mesmo jeito. Especialmente pelas singelas homenagens a Leonard Nilmoy, o primeiro Dr. Spock, falecido em 2015, e ao jovem Anton Yelchin, que morreu recentemente e atua no filme.

A segunda não é exatamente unanimidade entre os fãs do Cavaleiro das Trevas. Pegou o que os gibis tinham de mais leve, solto e sem noção e transformaram em histórias divertidas. De acordo com a época. Coloridas como pediam a década da psicodelia, do flower power e da novidade TV a cores. Ingênuos, os episódios precisavam agradar toda a família. Muitas vezes davam lições de moral.

Com o objetivo de divulgar o seriado no exterior, um longa chegou às telonas. Muitos acusaram o programa de transformar um herói dark em camp. A fórmula se desgastou e a série acabou.

No entanto, aquela seria a primeira e definitiva encarnação da dupla dinâmica para milhões de pessoas. Ficou a saudade. Tanto que Adam West, Burt Ward e Julie Newmar, respectivamente Batman, Robin e a Mulher-Gato, foram ovacionados na San Diego Comic-Con de 2014, quando o Vigilante de Gotham completou 75 anos de seu surgimento nas HQs. Agora, muitos anos depois, os três viverão novamente essas figuras icônicas: na dublagem da animação Batman: Return of the Caped Crusaders, anunciada para outubro. O trailer recebido com euforia mostra que o filme mantém os traços dos personagens e a trilha sonora clássica.

Star Trek discutia temas ousados. Imaginava um futuro e abordava aspectos que ainda existem e existirão por muito tempo. Batman era, até certo ponto, conservador. Revisto, soa datado. Suas piadas e onomatopeias viraram memes. Por incrível que pareça, se completam. E estes novos lançamentos, que celebram esses cinquentões tão cultuados, chegam em momento necessário. Mundo caótico, sombrio, violento, corrupto. Intolerância por todos os lados. Precisamos do lado humanista e provocador de um. E da leveza, das risadas e das cores do outro. No fim das contas, ambos querem um mundo melhor.

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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