Festival de Gramado consagra Barata Ribeiro, 716 e O Roubo da Taça

44º Festival de Cinema de Gramado - 03/09/2016 - Cerimônia de premiação - Foto: Edison Vara/Pressphoto/Divugação site oficial do evento - www.edisonvara.com.br
44º Festival de Cinema de Gramado – 03/09/2016 – Cerimônia de premiação – Foto: Edison Vara/Pressphoto/Divugação site oficial do evento – www.edisonvara.com.br

Chegou ao fim o 44º Festival de Cinema de Gramado. Foi a primeira cobertura in loco do CineZen. Divulgamos o que tivemos acesso em nosso esforço quase indie de divulgar o cinema. Ainda faltam alguns textos da cobertura que serão postados durante a semana, como a entrevista do diretor do curta “Lúcida”, Fabio Rodrigo, concedida na última quarta-feira, antes do filme ser eleito o preferido da crítica entre os curtas no festival,  e resenha do filme “Anita”.

Sonia Braga na abertura (Foto: Paula Azenha/CneZen).
Sonia Braga na abertura (Foto: Paula Azenha/CneZen).

O evento entregou seus 38 prêmios na noite de sábado, 3 de setembro. O grande vencedor foi o longa-metragem “Barata Ribeiro, 716”, com quatro Kikitos, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, para Domingos Oliveira.

“O Roubo da Taça” também se destacou, com quatro troféus, entre eles o de Melhor Ator para Paulo Tiefenthaler.

A Melhor Atriz foi Andreia Horta, que interpretou a protagonista na cinebiografia “Elis”, que foi também o melhor filme na opinião dos espectadores, que deram notas a todos os concorrentes ao final de cada sessão.

Já para o júri da crítica, o longa escolhido foi “O Silêncio do Céu”. A obra levou ainda o Prêmio Especial do Júri, pelo domínio da construção narrativa e da linguagem cinematográfica.

Carolina Dieckmann. (Foto: Paula Azenha/CneZen).
Carolina Dieckmann. (Foto: Paula Azenha/CneZen).

Entre os estrangeiros, os Kikitos ficaram divididos entre a procução paraguaia “Guaraní”, de Luis Zorraquín, e a chilena “Sin Norte”, de Fernando Lavanderos, que levou como Melhor Diretor. Foram quatro prêmios para o primeiro – incluindo o de Melhor Ator para Emilio Barreto – e três para o segundo. A Melhor Atriz do festival foi a uruguaia Verónica Perrotta, que atua, dirige e roteiriza “Las Toninas van al Este”.

O Júri ainda concedeu um Prêmio Especial para o longa-metragem “Esteros”, de Papu Curotto, pela direção delicada e inteligente da história de amor dos atores mirins.

Além disso, “Rosinha” foi eleito o Melhor Filme entre os curtas-metragens e Felipe Saleme (“Aqueles Cinco Segundos”) foi o Melhor Diretor.

Foram dias corridos. De muito aprendizado.

Lançamento do filme "Anita". (Foto: Paula Azenha/CneZen).
Lançamento do filme “Anita”. (Foto: Paula Azenha/CneZen).

Gramado é uma cidade que deixa saudade. Bonita, organizada, de pessoas educadas, mas também com um custo de vida e consumo muito altos. É interessante notar que o gramadense, no geral, não se envolve tanto com o festival. Que acaba atraindo mais pessoas de Porto Alegre e outros estados. Muitas delas profissionais da área, jornalistas, críticos de cinema. A constatação é após conversas com dezenas de moradores do município gaúcho.

Talvez isso ocorra por conta dos ingressos, que custam R$ 30. Valor um tanto oneroso para o cidadão comum, que batalha o dia a dia, ainda mais considerando que o festival tenha apoio público. Geralmente festivais culturais cuja verba vem de programas de incentivos fiscais do governo ou tenham apoio direto de prefeituras, estado, etc, procuram conceder entradas francas ou disponibilizar valores simbólicos para as entradas, já que buscam formar público, democratizar acesso à cultura, etc. Nesse sentido, fica clara a opção turística do evento, bem como da cidade, em que o comércio abraça a ideia, vendendo kikitos de chocolate, por exemplo.

Coletiva de imprensa com os diretores dos curtas-metragens. (Foto: Paula Azenha/CneZen).
Coletiva de imprensa com os diretores dos curtas-metragens. (Foto: Paula Azenha/CneZen).

Segundo membros da organização, a edição 2016 o público teve número maior em relações às  anteriores. Já comerciantes, taxistas, lojistas e moradores diziam o contrário. Reclamavam do baixo consumo. Da pouca procura. Compreensível para uma região que vive do turismo e possui eventos nacionalmente conhecidos como o Natal Luz, que lota a cidade.

No mais, vale parabenizar a curadoria pelo bom nível dos filmes selecionados. Pelos bons debates. Obviamente o festival refletiu o momento conturbado que vive o país e diariamente aconteceram manifestações políticas. Artistas, plateia e jornalistas expressaram suas opiniões. Tudo na paz e democraticamente,

Quem sabe no próximo ano entregamos uma cobertura ainda mais detalhada. Mas não depende só da gente.

Confira os premiados:

LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS

Melhor Filme: “Barata Ribeiro, 716”, de Domingos Oliveira

Melhor Direção: Domingos Oliveira (“Barata Ribeiro, 716”)

Melhor Atriz: Andréia Horta (“Elis”)

Melhor Ator: Paulo Tiefenthaler (“O Roubo da Taça”)

Melhor Atriz Coadjuvante: Glauce Guima (“Barata Ribeiro, 716”)

Melhor Ator Coadjuvante: Bruno Kott (“El Mate”)

Melhor Roteiro: Lucas Silvestre e Caíto Ortiz (“O Roubo da Taça”)

Melhor Fotografia: Ralph Strelow (“O Roubo da Taça”)

Melhor Montagem: Tiago Feliciano (“Elis”)

Melhor Trilha Musical: Domingos Oliveira (“Barata Ribeiro, 716”)

Melhor Direção de Arte: Fábio Goldfarb (“O Roubo da Taça”)

Melhor Desenho de Som: Daniel Turini, Fernando Henna, Armando Torres Jr. e Fernando Oliver (“O Silêncio do Céu”)

Melhor Filme – Júri Popular: “Elis”, de Hugo Prata

Melhor Filme – Júri da Crítica: “O Silêncio do Céu”, de Marco Dutra

Prêmio Especial do Júri: “O Silêncio do Céu”, pelo domínio da construção narrativa e da linguagem cinematográfica

 

LONGAS-METRAGENS ESTRANGEIROS

Melhor Filme: “Guaraní”, de Luis Zorraquín

Melhor Direção: Fernando Lavanderos (“Sin Norte”)

Melhor Atriz: Verónica Perrotta (“Las Toninas Van al Este”)

Melhor Ator: Emilio Barreto (“Guaraní”)

Melhor Roteiro: Luis Zorraquín e Simón Franco (“Guaraní”)

Melhor Fotografia: Andrés Garcés (“Sin Norte”)

Melhor Filme – Júri Popular: “Esteros”, de Papu Curotto

Melhor Filme – Júri da Crítica: “Sin Norte”, de Fernando Lavanderos

Prêmio Especial do Júri: “Esteros”, pela direção delicada e inteligente da história de amor dos atores mirins.

 

CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS

Melhor Filme: “Rosinha”, de Gui Campos

Melhor Direção: Felipe Saleme (“Aqueles Cinco Segundos”)

Melhor Atriz: Luciana Paes (“Aqueles Cinco Segundos”)

Melhor Ator: Allan Souza Lima (“O Que Teria Acontecido ou Não Naquela Calma e Misteriosa Tarde de Domingo no Jardim Zoológico”)

Melhor Roteiro: Gui Campos (“Rosinha”)

Melhor Fotografia: Bruno Polidoro (“Horas”)

Melhor Montagem: André Francioli (“Memória da Pedra”)

Melhor Trilha Musical: Kito Siqueira (“Super Oldboy”)

Melhor Direção de Arte: Camila Vieira (“Deusa”)

Melhor Desenho de Som: Jeferson Mandú (“O Ex-Mágico”)

Melhor Filme – Júri Popular: “Super Oldboy”, de Eliane Coster

Melhor Filme – Júri da Crítica: “Lúcida”, de Fabio Rodrigo e Caroline Neves

Prêmio Especial do Júri: Elke Maravilha (“Super Oldboy”) e Maria Alice Vergueiro (“Rosinha”), pela contribuição artística de ambas

Prêmio Aquisição Canal Brasil: “Rosinha”, de Gui Campos

O CineZen é um site independente sobre cinema, DVD e Blu-ray, TV e eventualmente literatura, quadrinhos, teatro, música e artes plásticas, lançado em 29 de março de 2009. Tem o objetivo de informar, analisar obras e cobrir eventos dessas áreas (com atenção para a Baixada Santista), prestar serviços e atuar no incentivo ao cinema nacional.

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