Aquarius e Sonia Braga são celebrados na pré-estreia em São Paulo

Sonia Braga em "Aquarius".
Sonia Braga em “Aquarius”.

Mal deixava os holofotes do Festival de Cinema de Gramado, onde brilhou do princípio ao fim – no red carpet, na entrega do Troféu Oscarito pela ilustre carreira e na triunfal exibição de “Aquarius” – Sonia Braga apareceu na Rua Augusta, em São Paulo, para a aguardada pré-estreia de seu aclamado longa no CineSesc. A fila de ingressos dobrava a esquina, perto do cenário onde ainda se ouvia gritos e bombas devido a manifestações políticas.

Cercada de câmeras e jornalistas que lhe disparavam perguntas, Sonia caminhava acompanhada pela coordenadora da mostra de curtas. Quando me avistou, sorriu, exclamou meu nome e parou para me abraçar e dar um beijo. Depois de brincar um pouco comigo, entramos no lobby do CineSesc juntos.

Ela declarou que estar ali era muito especial para ela, que São Paulo foi onde praticamente começou a carreira. Lá estava o diretor José Rubens Siqueira, por quem a maior estrela do cinema brasileiro foi dirigida em seu primeiro trabalho, o curta ”Atenção, Perigo!”. La Braga o elogiou e abraçou longamente

Linda e elegante num vestido preto e os famosos cabelos feitos numa bela e longa trança, ela demonstrou seu famoso bom humor ao segurar uma câmera e filmar ou fingir que filmava os parentes que foram lhe prestigiar: ”essa é minha tia, essa é minha outra tia, esse é meu primo”, dizendo seus nomes’, quando de repente virou para mim e me apresentou à plateia – ”esse é o Waldemar, meu amigo!”, divertindo todos os presentes.

Um senhor bem humilde então se aproximou dela e muito triste lhe pediu um ingresso, pois havia percorrido trezentos e setenta quilômetros só para vê-la e estavam esgotados. Atenciosamente, Sonia segurou a mão do senhor e lhe disse que não tinha nenhum com ela, mas encaminhou-o para um funcionário, pedindo que o atendesse. Sonia Braga é uma pessoa simples e de bom coração, podemos ver isso claramente no seu jeito doce e encantador com o público que a acompanha e admira.

Conversei com Humberto Carrão sobre sua atuação como o grande vilão, e ele se mostrou muito entusiasmado com o auspicioso começo de sua carreira cinematográfica. A seguir falei com Maeve Jonkings e o diretor Kleber Mendonça Filho. Perguntei a ele o que achava da observação de alguns críticos europeus que gostariam muito de que as canções do filme tivessem legendas. Ele me respondeu que disse a alguns desses críticos que isso poderia mudar o foco da cena, e me confidenciou que, no final das contas, eles poderiam usar a internet para entender as letras.

A equipe de “Aquarius” foi convidada pela coordenadora da mostra de curtas para apresentar o filme e foi ovacionada. Kleber saudou os presentes declarando que escolheu o CineSesc porque foi ali que seus primeiros trabalhos, justamente curtas, foram exibidos. A seguir,  apresentou os membros da equipe um a um, deixando sua grande estrela por último para receber as mais calorosas palmas. Sonia falou do prazer de trabalhar novamente num filme nacional, falando em sua língua, com um roteiro brilhante, e uma personagem fascinante com quem muito se identificou – Clara. ”Clara é uma guerreira, suas palavras são minhas palavras”. Diga-se de passagem, por onde Sonia tem ido com “Aquarius”, uma enxurrada de elogios a acompanham –  sublime, magnifica, surpreendente, incomparável. Acaba de se tornar capa da tradicionalíssima revista francesa ”Cahiers Du Cinéma”. Finalizando a introdução, a icônica atriz agradeceu a todos  que ali estavam e recebeu novos e calorosos aplausos.  Deu-se então início à sessão.

O público se emocionou e vibrou como raramente se percebe em outros longas e ao final, todos se levantaram para aclamar a obra prima, e ainda ouviu-se muitos gritarem, ”Bravo, Sonia!”.

No entanto, a equipe de “Aquarius” havia saído rapidamente antes das luzes acenderem. O motivo era que não havia muito mais tempo para mais conversas: as próximas paradas são os festivais de cinema de New York e Toronto, que podem muito bem conduzir o filme e sua estrela maior ao Oscar. Que assim seja!

Waldemar Lopes é artista plástico, engenheiro mecânico, professor, cinéfilo. Anualmente realiza em Santos uma palestra beneficente sobre o Oscar, que se tornou tradicional na cidade. Também já realizou encontros sobre cinema para a Universidade Católica de Santos, Universidade Monte Serrat, Secretaria de Cultura de Santos e Rotary. Escreve para o CineZen e o 50 Anos de Cinema.

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