Sonia Braga será homenageada pelo Festival de Gramado

Sonia Braga em "Aquarius".
Sonia Braga em “Aquarius”.

No compasso dos atuais movimentos cinematográficos, o Festival de Cinema de Gramado chega a sua 44ª edição refletindo e acompanhando a pluralidade da atual filmografia brasileira e latina em franca expansão e consolidando um novo modelo de gestão e realização. Desde as mudanças firmadas na sua edição comemorativa de 40 anos, em 2012, o Festival tem redesenhado sua identidade sem perder os conceitos que lhe consagram como o maior evento ininterrupto do gênero no Brasil.

Observando os nomes que protagonizam o fazer cinematográfico contemporâneo sem deixar de enaltecer quem abriu os caminhos dessa arte para os talentos de hoje, Gramado se remodela e aposta em homenagear nomes de prestígio como Glória Pires, Juan José Campanella, Marília Pêra, Othon Bastos Rodrigo Santoro, Wagner Moura e Walter Carvalho.

Com curadoria assinada por Eva Piwowarski, Marcos Santuario e Rubens Ewald Filho, o Festival de Cinema de Gramado também se fortaleceu como palco de importantes estreias: da primeira exibição em território nacional de “360”, filme realizado internacionalmente por Fernando Meirelles, à escolha do celebrado “Que Horas Ela Volta?” por começar sua trajetória no Brasil com exibição inédita na Serra Gaúcha, o evento ainda expandiu sua latinidade: somente em 2015, a mostra estrangeira apresentou filmes de sete países diferentes.

É sublinhando essa atualizada trajetória do Festival que a Gramadotur, autarquia municipal criada com a missão de fazer a gestão dos grandes eventos da cidade, realiza a 44ª edição do mais tradicional festival de cinema do país. “Ao longo de quatro anos à frente do Festival, a Gramadotur já sente amadurecimento na gestão e transparência nos processos do Festival. Isso nos permite pensar em projetos mais ousados e mais calculados a cada edição. Conquistamos a premiação em dinheiro para os vencedores dos Kikitos, por exemplo, uma reivindicação de longa data da classe”, comenta o presidente da Gramadotur João Pedro Till.

Diretor de eventos da autarquia e coordenador geral da 44ª edição, Enzo Arns acredita na realização de um festival responsável do ponto de vista de gestão sem perder a qualidade artística. “Esta é uma edição realizada com o devido planejamento de gestão que, ao mesmo tempo em que amplia o diálogo com as entidades de cinema do Rio Grande do Sul, incrementa parcerias e abre novas janelas para o cinema brasileiro, latino e internacional. Gramado, em 2016, apresenta um Festival maduro, atento a seus acertos e preocupado com aperfeiçoamentos. Para esta edição, também nos dedicamos às novas possibilidades do audiovisual, com programações paralelas que colocam Gramado nas pautas sobre os avanços da plataforma on demand e também como polo de encontros que fomentam a ideia do cinema como negócio”, projeta Arns.

Direção artística

Para sua 44ª edição, a Gramadotur agrega ao time da comissão executiva a figura de um diretor artístico. Edson Erdmann assume a função e, juntamente com curadoria e Gramadotur, trabalha o conceito criativo da edição, propondo diferenciais estéticos e de conteúdo. “Estamos pensando em um festival mais envolvente e glamouroso. Queremos aproximar cada vez mais Gramado da linguagem dos grandes festivais, sem nunca perder o charme e as características que tanto tornam esse evento especial e único dentro da cinematografia brasileira. Essa edição deve surpreender e encantar, valorizando o público que celebra o evento. Estamos propondo um Festival que vai ultrapassar o Palácio dos Festivais e toma conta da cidade emocionando público e convidados. Um conceito novo, contemporâneo, dinâmico e que vai trazer um movimento diferente ao evento”, adianta Erdmann.

O cinema gaúcho em Gramado

O Festival é internacional, mas os holofotes nunca deixam de dar protagonismo ao cinema gaúcho. Neste ano, duas importantes novidades para os realizadores do Estado: o Prêmio Assembleia Legislativa – Mostra Gaúcha de Curtas ganha uma nova sessão – na sexta-feira à tarde, antes da abertura -, ampliando a sua janela de exibição, e incrementa a sua premiação em dinheiro, que agora distribuir R$ 48 mil no total, um aumento de 16% em comparação aos anos anteriores.

O Festival pelos gramadenses – Educavídeo

Iniciativa já definitivamente incorporada à programação oficial do Festival de Cinema de Gramado, a avant première para a comunidade gramadense segue celebrando os alunos da rede municipal que participam do Educavídeo, projeto que dá acesso a diferentes manifestações culturais, como criação, edição e produção com as novas tecnologias, gerando mercado de trabalho e renda com a formação de novos talentos. Os grupos conhecem toda a rotina da realização de um filme e fazem de tudo, desde a pré-produção até a edição das imagens. Em 2016, eles exibem os resultados de seus trabalhos mais recentes na noite do dia 25 de agosto no Palácio dos Festivais.

O filme de abertura: “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho

Pela segunda vez, o celebrado cineasta Kleber Mendonça Filho escolhe Gramado como o festival brasileiro que fará a estreia de um aguardado longa-metragem com a sua assinatura. Depois de competir em 2012 com o até então inédito “O Som ao Redor”, o pernambucano volta à Serra Gaúcha, agora hors-concours, com “Aquarius”, filme que representou o Brasil na última edição do Festival de Cannes. Estrelado por Sônia Braga, a obra também ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Cinema de Sydney.

Homenagem – Troféu Cidade de Gramado

Da comédia ao drama, Tony Ramos é um dos nomes de maior sucesso do cinema realizado em nosso país após a Retomada. Passando por papeis dos mais variados perfis em filmes como “Se Eu Fosse Você”, “Chico Xavier”, “Tempos de Paz” e, mais recentemente, “Getúlio”, Tony já tem um Kikito de melhor ator em sua estante (2001, por “Bufo & Spallanzani”), mas agora volta à Serra Gaúcha para receber o Troféu Cidade de Gramado, honraria que representa o tributo do município a profissionais do cinema brasileiro. Nos últimos anos o troféu foi entregue a Daniel Filho, Rodrigo Santoro, Wagner Moura e Eva Wilma.

Homenagem – Troféu Oscarito

Ícone do cinema brasileiro, Sonia Braga é a homenageada do troféu Oscarito, distinção entregue a grandes atores da nossa cinematografia. Seu primeiro sucesso internacional veio com “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, de 1976, seguido de outras obras emblemáticas como “A Dama do Lotação” (1978), “Eu Te Amo” (1981) e “O Beijo da Mulher Aranha” (1984). Em Gramado, a atriz foi consagrada duas vezes: melhor atriz em 1981 com “Eu Te Amo” e melhor atriz coadjuvante em 2001 com “Memórias Póstumas”.  Nos últimos anos, receberam a distinção: Marília Pêra, Flávio Migliaccio, Glória Pires e Betty Faria.

Museu do Festival de Cinema de Gramado

Está agendada para a semana do evento a abertura do Museu do Festival. O empreendimento, esperado ao longo de décadas, visa celebrar a sétima arte sob a luz do Kikito e seus melhores filmes, diretores, atrizes e atores. Grandes momentos da história do evento serrano estarão eternizados no Museu. Instalado ao lado do Palácio dos Festivais e da Igreja São Pedro, o empreendimento conta uma área de 584 m² e vista panorâmica para o centro da cidade. A proposta é um museu interativo, aliando tecnologia e dinâmico, que, além do acervo, deve oferecer exposições e atrações durante todo ano. A administração é do grupo Gramado Parks.

Confira a lista de filmes selecionados:

LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS

– “Barata Ribeiro, 716” (RJ), de Domingos Oliveira

– “El Mate” (SP), de Bruno Kott

– “Elis” (SP), de Hugo Prata

– “O Roubo da Taça” (SP), de Caíto Ortiz

– “O Silêncio do Céu” (SP), de Marco Dutra

– “Tamo Junto” (RJ), de Matheus Souza

 

LONGAS-METRAGENS ESTRANGEIROS

 “Campaña Antiargentina” (Argentina), de Ale Parysow

– “Carga Sellada” (Bolívia/México/Venezuela/França), de Julia Vargas

– “Espejuelos Oscuros” (Cuba), de Jessica Rodriguez

– “Esteros” (Argentina/Brasil), de Papu Curotto

– “Guaraní” (Paraguai/Argentina), de Luis Zorraquín

– “Sin Norte” (Chile), de Fernando Lavanderos

– “Las Toninas Van al Este” (Uruguai/Argentina), de Gonzalo Delgado e Verónica Perrotta

CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS

– “A Página” (SP), de Guilherme Andrade

– “Aqueles Anos em Dezembro” (SP), de Felipe Arrojo Poroger

– “Aqueles Cinco Segundos” (MG), de Felipe Saleme

– “Black Out” (PE), de Adalmir da Silva, Felipe Peres Calheiros, Francisco Mendes, Jocicleide Valdeci de Oliveira, Jocilene Valdeci de Oliveira, Martinho Mendes, Paulo Sano e Sérgio Santos

– “Deusa” (SP), de Bruna Callegari

– “Horas” (RS), de Boca Migotto

– “Ingrid” (MG), de Maick Hannder

– “Lembranças do Fim dos Tempos” (SP), de Rafael Câmara

– “Lúcida” (SP), de Fabio Rodrigo

– “Memória da Pedra” (BA), de Luciana Lemos

– “O Ex-Mágico” (PE), de Mauricio Nunes e Olimpio Costa

– “O Que Teria Acontecido ou Não Naquela Calma e Misteriosa Tarde de Domingo no Jardim Zoológico” (RJ), de Gugu Seppi e Allan Souza Lima

– “Rosinha” (DF), de Gui Campos

– “Super Oldboy” (SP), de Eliane Coster

CURTAS-METRAGENS GAÚCHOS

– “A Rua das Casas Surdas” (Porto Alegre), de Flávio Costa e Gabriel da Fonseca Mayer

– “Another Empty Space” (Porto Alegre), de Davi de Oliveira Pinheiro

– “Às Margens” (Porto Alegre), de Boca Migotto

– “As Três” (São Leopoldo), de Elena Sassi

– “Bandidos Desalmados” (Porto Alegre), de Zaracla

– “Carol” (Porto Alegre), de Mirela Kruel

– “Dia dos Namorados” (Porto Alegre), de Roberto Burd

– “Escape” (Porto Alegre), Jonatas Rubert

– “Escotofobia” (Porto Alegre), de Rafael Saparelli

– “Horas” (Porto Alegre), de Boca Migotto

– “Inatingível” (Porto Alegre), de Rodolfo de Castilhos Franco

– “Interrogatório” (São Leopoldo), de Raul Fontoura

– “Lipe, Vovô e o Monstro” (Porto Alegre), de Felippe Steffens e Carlos Mateus

– “Mundo de Wander” (Porto Alegre), de Lisandro Santos

– “O Jardim dos Amores de Woody Allen” (Porto Alegre), de Gustavo Spolidoro

– “Objetos” (Porto Alegre), de Germano de Oliveira

– “Outono Celeste” (Pelotas), de Yuri Minfroy

– “Pobre Preto Puto” (Santa Cruz do Sul), de Diego Tafarel

– “Preliminares” (Porto Alegre), de Douglas S. Kothe

– “Quando Pisei em Marte” (Pelotas), de Analu Favretto e Taís Percone

– “Sesmaria” (Pelotas), de Gabriela Richter Lamas

– “Venatio” (Canoas), de Ulisses da Motta

– “Vento” (Porto Alegre), de Betânia Furtado

– “Vida Como Rizoma” (Porto Alegre), de Lisi Kieling

O CineZen é um site independente sobre cinema, DVD e Blu-ray, TV e eventualmente literatura, quadrinhos, teatro, música e artes plásticas, lançado em 29 de março de 2009. Tem o objetivo de informar, analisar obras e cobrir eventos dessas áreas (com atenção para a Baixada Santista), prestar serviços e atuar no incentivo ao cinema nacional.

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