A história do Homem-Aranha no cinema

 

Tom Holland.
Tom Holland.

“Capitão América 3: Guerra Civil” chega aos cinemas em 28 de abril. A expectativa é grande para o filme. Não apenas por dividir os Vingadores em dois times que se enfrentarão. Mas especialmente por adicionar o Homem-Aranha ao universo cinemático do Marvel Studios, após o acordo da empresa com a Sony.

O jovem Tom Holland, que estrelou “Billy Elliot The Musical” no Victoria Palace Theatre em Londres, e também foi Lucas, o filho de Naomi Watts e Ewan McGregor em “O Impossível” (2012), será o quarto ator a interpretar o herói aracnídeo nas telonas.

Nascido em 1996, o britânico fará uma versão mais jovem de Peter Parker que as anteriores. A seguir, relembramos todos os intérpretes que deram vida ao personagem nos cinemas:

spider-man1977Nicholas Hammond
O norte-americano surgiu para o mundo vivendo Friedrich, um dos sete filhos do Capitão Von-Trapp de “A Noviça Rebelde” (1965). E interpretou Peter Parker/Homem-Aranha em 13 episódios divididos em duas temporadas da rede CBS entre setembro de 1977 e julho de 1979.

Cada história tinha uma hora de duração e eram exibidos em dias e horários diferentes, como especiais.

Numa tática digna de Silvio Santos, os produtores decidiram juntar algumas tramas e transformá-las em longas-metragens, lançando-os nos cinemas de outros países, inclusive o Brasil.

Foram eles: “Homem-Aranha – O Filme” (piloto do seriado, disponível no YouTube), “O Retorno do Homem-Aranha” (o episódio duplo “Areia Mortal”) e “O Desafio do Dragão” (o episódio duplo, “A Teia Chinesa”). Este último pegava carona na febre dos filmes de artes-marciais desencadeada pelo sucesso de Bruce Lee.

A semelhança com os quadrinhos é mínima: o jornal Clarim Diário, o editor J.J. Jameson… Não há grandes vilões, as lutas são mal coreografadas e os efeitos visuais são precários – vítimas do baixo orçamento. A teia do herói lembra uma rede de pesca.

Apesar disso, muitos fãs guardam com carinho essa versão e os traços de Hammond serviriam de inspiração para a série animada do personagem nos anos 90, sucesso de público e crítica.

Obs: Mais ou menos neste mesmo período foi produzido um seriado do Homem-Aranha no Japão, descaracterizando o personagem e mais próximo dos heróis nipônicos.

08-spider-man-2002Tobey Maguire – a trilogia de Sam Raimi entre 2002 e 2007
Até seu retorno às telonas, Homem-Aranha se viu envolto em brigas judiciais entre estúdios e adaptações que quase saíram dos papéis por nomes como a Cannon, produtora de filmes B que fez o quarto Superman com Christopher Reeve e longas de Chuck Norris e outras “preciosidades” dos anos 80, e até James Cameron. Ainda bem que nenhuma tentativa vingou, pois os roteiros eram embaraçosos.

Até que, em 2002, a Sony iniciou uma trilogia de sucesso. Dois anos antes, “X-Men: O Filme” iniciaram a retomada dos super-heróis nos cinemas traçando um padrão de qualidade que nortearia diversos estúdios dali em adiante.

Sam Raimi, dos cults “Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio” (1981) e “Darkman: Vingança Sem Rosto” (1990) dirigiu a nova empreitada com êxito, mesclando ação, drama, fidelidade aos quadrinhos e um bom elenco de jovens: Tobey Maguire, Kirsten Dunst (Mary Jane), James Franco (Harry Osborn). O “teioso” foi colocado frente a frente com seu principal algoz, o Duende-Verde (o sempre competente Willem Dafoe). Tudo escudado por um orçamento de US$ 139 milhões. Resultado: sucesso de público (US$ 821 milhões arrecadados, valor altíssimo para a época) e crítica.

Deste modo, a continuação estava garantida e veio em 2004: dando sequência aos fatos do filme anterior e adicionando o interessante Dr. Octopus à franquia, vivido com intensidade por Alfred Molina. Com um orçamento ainda maior (US$ 200 milhões), possibilitando cenas espetaculares (premiada merecidamente com o Oscar de efeitos visuais) e um roteiro melhor desenvolvido, “Homem-Aranha 2” é considerado até hoje uma das melhores adaptações dos quadrinhos para o cinema.

O filme alcançou US$ 738 milhões em bilheterias mundiais. Sucesso comercial, mas inferior ao primeiro. Fato que fez o produtor manda-chuva Avi Arad se intrometer demais no desenvolvimento do terceiro capítulo da série, lançado em 2007. Sam Raimi queria o Abutre como vilão. Arad insistiu em Venon, figura querida dos fãs nas HQs. Resultado: o roteiro de “Homem-Aranha 3” precisava dar conta de três vilões (Venon, Homem-Areia e o Duende-Verde) e ainda lidar com novos personagens adicionados à saga, especialmente um novo interesse amoroso, Gwen Stacy (Bryce Dallas-Howard).

Escrevi à época: “Ao todo, são mais de dez personagens importantes, interpretados por bons atores, mas por causa da falta de espaço na trama, acabam reduzidos a poucas cenas. Theresa Russell, a esposa do Homem-Areia, e James Cromwell, o capitão da polícia e pai de Gwen Stacy, são exemplos disso. Do elenco principal, quase nada se salva. O trio protagonista formado por Maguire, Dunst e Franco surge apático. (…) Quando Parker encontra-se autoconfiante com seus feitos, passa a desfilar pelas ruas de Nova York arrancando olhares de mulheres recém saídas de um desfile da Elite Models. Mais brega e tosco, impossível. Num outro momento, a confusão na personalidade de Parker é tanta que não dá pra saber se ele já está sendo controlado pelo simbionte alien ou se está doido mesmo. Para piorar tudo, ostenta uma franja digna dos emos (some a capacidade de aprender a perdoar e ficar emocionado com tudo, parecendo um bebê chorão, e temos o primeiro emo super-herói da Terra), e a cena em que dança num bar constrange a plateia de tão ruim.”

A campanha de marketing avassaladora e a expectativa do público renderam à produção US$ 890 milhões em bilheteria. Mas a crítica desaprovou. Desentendimentos internos e a insatisfação de Sam Raimi levaram-no a pular fora do quarto filme, levando junto Tobey Maguire. A Sony decidiu reiniciar a franquia apresentando um Homem-Aranha mais jovem.

Enquanto isso, em 2008, o Marvel Studios dava início ao universo compartilhado e cinematográfico da editora a partir de “Homem de Ferro”.

amazingspidermanAndrew Garfield – A franquia que não foi concluída
Apenas cinco anos depois de sua última aparição nos cinemas, Homem-Aranha ganhou novo filme.

Dois bons jovens atores da nova geração, Andrew Garfield (que chamou a atenção de público e crítica em “A Rede Social”, 2010), e Emma Stone (destaque em “Amor a Toda Prova” e “Histórias Cruzadas”) foram escolhidos para viver respectivamente Peter Parker e Gwen Stacy, a primeira importante namorada do personagem nos gibis.

Marc Webb, que ganhou repercussão mundial com o “indie” “(500) Dias com Ela” (2009) foi contratado para a direção de “O Espetacular Homem-Aranha”. O intuito da Sony era dar um ar de romance independente à história dos protagonistas dentro da trama de super-heroísmo, gastar menos com diretor e elenco e investir mais na produção, visando um lucro maior, e acertar os ponteiros com a crítica especializada, apostando em nomes relativamente novos, porém “aprovados” pela mídia.
Sally Field (duas vezes vencedora do Oscar) interpretou a Tia May e Rhys Ifans (o companheiro de casa de Hugh Grant em “Um Lugar Chamado Notting Hill”) fez o vilão Lagarto.

Apesar do roteiro irregular, o filme alcançou sucesso de público (US$ 757 milhões) e teve sua continuação garantida. O estúdio, inclusive, cogitou uma quadrilogia e spin-offs da saga, a exemplo de um filme do Sexteto Sinistro.

Em 2014, chegou aos cinemas “O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro”. Jamie Foxx encarnou o vilão. A história ainda lidava com o aparecimento de Harry Osbourn e o consequente surgimento do Duende-Verde, outro vilão, Rino (Paul Giamatti) e uma subtrama sobre os pais de Peter Parker.

Ainda que seja mais divertido em relação ao anterior, o longa não obteve o sucesso de bilheteria esperado pelo estúdio (US$ 708 milhões para um megaorçamento de US$ 255 milhões!) e dividiu a crítica.
A Sony chegou a anunciar “Sexteto Sinistro” para 2016 e “O Espetacular Homem-Aranha 3” para 2018. No entanto, foi vítima do vazamento de emails – e neles, constavam trocas de mensagens com a Marvel, numa possível parceria entre os estúdios.

Até que, em fevereiro de 2015, é anunciado aquilo que os fãs aguardavam: Homem-Aranha, enfim, faria parte do universo criado pelo Marvel Studios, em uma parceria entre as empresas. Mas seria vivido por outro ator. Assim, a franquia estrelada por Andrew Garfield entraria para o limbo.

Tom Holland e o futuro
O novo Homem-Aranha aparecerá pela primeira vez em “Capitão América 3: Guerra Civil”, ao lado dos Vingadores, e depois ganhará um filme solo em 2017, “Spider-Man: Homecoming”.

Marisa Tomei fará a Tia May e o vilão do próximo longa do aracnídeo será o Abutre. Tom Holland acabou o escolhido após disputar o papel com outros jovens e talentosos atores. Entre eles, Asa Butterfield (“A Invenção de Hugo Cabret” e “Ender’s Game – O Jogo do Exterminador”).

A primeira aparição do teioso em um dos trailers de “Guerra Civil” causou comoção nos fãs e algumas das primeiras críticas do filme publicadas pelos veículos de imprensa dos EUA chegaram a citá-lo como a melhor versão live-action do herói.

Além da participação dele nos filmes do Marvel Studios, o acordo com a Sony prevê participações de Vingadores nos longas do Homem-Aranha. O Homem de Ferro está confirmado.

A Sony ainda tenta levar à frente o longa do Sexteto Sinistro e uma animação em longa-metragem do “cabeça de teia”.

Vamos aguardar.

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *