Sessão Comodoro: “Herança Maldita” do diretor Carlos Reichenbach segue viva em Santos

abreCriada pelo diretor de cinema Carlos Reichenbach em meados dos anos 2000, a Sessão Comodoro tem como objetivo exibir filmes do chamado “Cinema Extremo” (com temas fortes e geralmente polêmicos) para suscitar discussões acaloradas e profundas em cinéfilos. Durante mais de oito anos o CineSesc, na região central de São Paulo (SP), abrigou as exibições de filmes que sempre eram acompanhadas por debates em botecos ou lanchonetes da região – uma atividade que deixou como legado “olhos livres” para quem participou e depois veio trabalhar com cinema no Brasil. Reichenbach faleceu em 2012, mas o acervo do Comodoro – composto por inúmeros DVDs da coleção pessoal do diretor – continua sendo o ponto de partida para futuras sessões. E a “herança maldita” de Carlão (apelido do diretor entre os amigos) agora está a cargo dos curadores Leopoldo Tauffenbach e Vébis Junior. E ela prossegue justamente em Santos (SP), desta vez nos domínios de outro cinéfilo histórico: a Cinemateca da cidade, criada por Maurice Lègeard.

Formado em Audiovisual e Mestre em Cinema, Vébis Junior, hoje com 40 anos de idade, foi um “pupilo” de Carlos Reichenbach, e acompanhou de perto as sessões Comodoro no CineSesc: “Ajudava na divulgação, fazia um ‘social’, registrando a participação das pessoas. Porém, mais do que isso, foi um grande prazer trabalhar de perto com um ídolo meu. O Carlão me chamava de ‘capitão de fragata’, pois ele era o ‘comodoro*’ (*Nota: patente de oficial da Marinha)”, destaca Junior.

Carlos Reichenbach (Foto: Alf Ribeiro)
Carlos Reichenbach (Foto: Alf Ribeiro)

Após o falecimento de Reichenbach, o acervo passou a ser cuidado por Leopoldo Tauffenbach, que também cuidava da divulgação das sessões e legendava alguns filmes que jamais teriam uma versão de distribuição no Brasil. São dezenas de DVDs. “Lembro que os debates e conversas provocados pelo Reichenbach e pelos filmes ajudaram muitas pessoas a terem uma visão ampla de cinema. Afinal, o ‘Cinema Extremo’ aborda estéticas diferentes do que o público normalmente encontra em filmes mais tradicionais”, conta Vébis. “O Comodoro influenciou muita gente que participou e depois foi escrever sobre cinema, ou produzir curtas e trabalhos audiovisuais”, acrescenta.

Agora, em Santos

A história da Sessão Comodoro em Santos (SP) começou no ano passado, no Curta Santos de 2015. “Por meio do Ricardo Vasconcellos, da Oficina Cultural Pagu, fui apresentado à Cinemateca de Maurice Lègeard. E simplesmente notamos que tanto o Reichenbach quanto o Lègeard tinham processos semelhantes na difusão da cinefilia nas pessoas, exibindo filmes que geravam inúmeras discussões. Não há um melhor lugar do que esse para abrigar a Sessão Comodoro”, afirma Vébis. Assim, no dia 12 de setembro de 2015 na Cinemateca, foram exibidos cinco curtas para iniciar essa nova fase do evento.

Da esquerda para a direita: Leopoldo Tauffenbach, Carlos Reichenbach e Vébis Junior.
Da esquerda para a direita: Leopoldo Tauffenbach, Carlos Reichenbach e Vébis Junior.

Hoje, Vébis passou o cargo de “capitão de fragata” a Fabiano Geraldo, também cinéfilo e funcionário da Vídeo Paradiso (locadora de DVDs e VHS de Santos), e fala que as sessões seguirão sendo feitas mensalmente: “Uma vez por mês eu subo para São Paulo, me reúno com o Leopoldo Tauffenbach, que cuida de todo o acervo do Carlão. Discutimos e escolhemos o melhor filme a ser exibido, e esperamos que o público cresça cada vez mais”, diz Vébis, que pretende, futuramente, incluir filmes feitos em Santos nas sessões que trabalhem sempre temas correlatos ao “Cinema Extremo”.

A próxima Sessão Comodoro acontece no dia 2 de abril às 20h na Cinemateca de Santos, e você tem mais detalhes neste link. O filme que será exibido é “Bay of Blood”, do diretor italiano Mario Bava.

Formado em Jornalismo na UniSantos em 1999, atuou como repórter e também como editor de revistas segmentadas nas áreas de Construção, Transporte, Indústria e Automação Industrial. Também trabalhou em Assessorias de Imprensa nas áreas de Cultura e Negócios. Viciado em Música (mais do que em Cinema - foi mal, André, rs...) e em revistas (de todos os tipos). Nas horas vagas, ataca de baterista de banda de rock. Contato: redacao.cinezen@gmail.com

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