Quem é Henry Cavill, o atual Superman?

 

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A partir de hoje vamos postar algumas matérias sobre as principais estrelas de “Batman V. Superman: A Origem da Justiça”, filme que reunirá finalmente os dois maiores heróis do planeta no cinema e que estreia dia 24. Para começar, claro, um texto sobre o ator que encarna o primeiro super-herói das histórias em quadrinhos no filme: Henry Cavill é Clark Kent/Superman desde “O Homem de Aço”, lançado em 2013.

É a sexta encarnação do personagem nas telonas: as anteriores foram a animação dos irmãos Fleishcer (1941), em dublagem de Bud Collyer, Kirk Alyn em dois seriados exibidos nas matinês cinematográficas dos anos 40, George Reeves num longa de 1951, Christopher Reeve em quatro filmes entre 1978 e 1987, e Brandon Routh em 2006. Não entram na lista as séries televisivas.

Natural da ilha britânica de Jersey, Henry William Dalgliesh Cavill nasceu em 5 de maio de 1983. Estudou na Escola Preparatória St. Michael, na ilha, e depois frequentou o internato Stowe School. Bonito, musculoso, sempre chamou a atenção pela beleza. Mas o porte físico durante muito tempo não serviu para que alcançasse os trabalhos tão almejados.

O ator Henry CavillApareceu em papeis menores de longas como “Tristão e Isolda” (2006), “Stardust: O Mistério da Estrela” (2007) e “Tudo Pode Dar Certo” (2009), este último de Woody Allen.

Tentou ser Bruce Wayne em “Batman Begins”. Perdeu o posto, ainda bem, para Christian Bale. Ao mesmo tempo, disputou o papel de James Bond na franquia que seria reiniciada com “Cassino Royale” (2006). Foi considerado jovem demais e o posto ficou com Daniel Craig. E já poderia ter sido Clark Kent em “Superman, O Retorno” (2006). Por incrível que pareça hoje, preferiram à época Brandon Routh que, não apenas desagradou o grande público, como teve carreira ladeira abaixo e atualmente faz o Átomo na série “Legend’s Os Tomorrow”.

Tantas negativas renderam-lhe o apelido de “o homem mais desafortunado de Hollywood” pela revista Empire. Mas dizem que “água mole, pedra dura, tanto bate até que fura”. E sua persistência em tentar seguir a carreira de ator seria recompensada. Foi escolhido para interpretar Charles Brandon, Duque de Suffolk, no premiado seriado “The Tudors” do canal Showtime, de 2007 a 2010.

Em 2011, viveu Theseus em “Imortals”, mostrando que poderia sair-se bem em cenas de ação. Em janeiro deste mesmo ano teve sua vida transformada ao ser anunciado como o novo homem de aço do cinema pela Warner.

Lois Lane (Amy Adams) e Superman (Henry Cavill) em cena de 'O homem de aço'Estrelaria ainda “Fuga Implacável” (2012) e, em 2013, finalmente vestiu o uniforme azul e a capa vermelha do último Filho de Krypton em “O Homem de Aço”, de Zack Snyder. O filme teve melhor recepção que o anterior de 2006, no entanto não teve unanimidade: a crítica ficou dividida e há fãs que rejeitam um Super-Homem capaz de matar. A verdade é que “Superman, O Retorno” homenageou tanto o clássico de 1978 dirigido por Richard Donner e imortalizado por Christopher Reeve, focou tanto no romance e pegou tão leve na ação, que o público esperava algo diferente para uma história seguinte. Zack Snyder, oriundo de duas adaptações dos quadrinhos bem sucedidas e repletas de testosterona (“300” e “Watchmen”) radicalizou e transformou Cavill num Superman soturno, extremamente musculoso e que parte logo para a porrada. Nisso o ator correspondeu e fez o seu máximo. Sai-se bem em cenas dramáticas, a exemplo da perda do pai adotivo Jonathan Kent, e no desfecho da trama. Logicamente sem o carisma de Christopher Reeve, ainda que traçar comparações seja injusto para qualquer ator que viesse a viver o herói.

Mas o sucesso não chegou ao esperado pela Warner e, ao invés de uma continuação exclusiva de Superman, o estúdio decidiu juntá-lo ao herói mais popular da editora DC Comics nos cinemas: Batman. O Cavaleiro das Trevas vinha de uma trilogia de sucesso e com dois filmes que ultrapassaram US$ 1 bilhão. A opção parece acertada: a nova produção tornou-se uma das mais aguardadas dos últimos anos e vem batendo recordes de pré-venda.

Henry Cavill, que vive o Superman nos cinemas, lança em Copacabana, no Rio, o filme de ação 'O agente da U.N.C.L.E.'

Voltando a Henry Cavill, que ama rugby – porém não pratica o esporte devido a lesões – e namorou a ex-lutadora de MMA e atriz Gina Carano (“Deadpool”), foi um dos protagonistas de “O Agente da U.N.C.L.E.”, adaptação de 2015 para a série televisiva clássica dos anos 60. O longa fracassou nas bilheterias, apareceu em algumas listas de piores do ano e fez executivos da Warner questionarem o potencial do ator para se tornar realmente uma estrela de cinema. Não que ele esteja ruim no longa. Está ok, correto. Só falta aquele “algo mais” dos grandes astros.

No âmbito pessoal Cavill parece não ter o melhor dos assessores: dá entrevistas questionáveis, como a recente em que disse não fazer cinema “apenas pela arte”. Ao site Man of the World, disse: “O dinheiro que ganho, eu gasto com coisas legais, seja em feriados luxuosos para mim e meus amigos ou apenas para olhar alguma coisa, ir em uma loja e dizer ‘Sim, eu quero isso para a casa’, e [poder] comprá-lo. Gastar dinheiro com os meus amigos, pagar a janta de todo mundo, bebida pra todo mundo, é algo muito legal de fazer, e eu gosto que as pessoas se sintam cuidadas. Uma viagem é tão longa quanto boa se você viaja de primeira classe. Quer dizer, viajar para a Nova Zelândia de econômica é uma droga. Principalmente se você tem mais de um metro e oitenta de altura. Agora, primeira classe? Eu nem ouso ser modesto sobre isso. Eu adoro”.

Cavill tem todo o direito de expor sua opinião. E merece ser remunerado, e bem, por seu trabalho. As questões não são essas. Mas as maneiras como pode ser interpretado. Não tardou para que suas declarações fossem replicadas mundialmente e muitos o considerassem alguém no mínimo fútil. Algo muito aquém da nobreza de caráter de Superman. Vale lembrar que Christopher Reeve era um sujeito praticamente exemplar em tudo, jamais deu escorregadas públicas e ainda virou um herói da vida real após ficar tetraplégico e se tornar um grande líder na luta em prol das pesquisas com células-tronco. Quando criança, ao ver Christopher Reeve já o imaginava como Superman. Penso em uma criança vendo uma entrevista de Cavill na televisão ou na internet e se perguntando o porquê dele estar tão diferente dos filmes…

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André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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