Super-heróis na TV e o que podemos imaginar para eles

"Legends of Tomorrow".
“Legends of Tomorrow”.

Enquanto a Warner Bros. Pictures inicia o desenvolvimento de um universo compartilhado nas telonas, à maneira que o Marvel Studios tem feito desde 2008 quando lançou “Homem de Ferro”, nas telinhas as séries “Arrow”, “The Flash”, “DC’s Legends of Tomorrow”, exibidas pelo canal pago CW, e “Supergirl”, da CBS, já mostraram diversos personagens: Arqueiro-Verde, Flash, Canário Negro, Pantera, Canário Branco, Nuclear, Átomo, Super Moça, Tornado Vermelho, J’onn J’onzz (Caçador de Marte ou Ajax para os mais antigos), Mulher-Gavião, Vibro, Gavião Negro, além de citações a Hal Jordan e seu Lanterna-Verde, Aquaman, o Homem de Aço, entre outros. Ainda há “Gotham”, da Fox, que mostra os primeiros passos do Comissário Gordon.

Melissa Benoist como 'Supergirl' Ou seja: o mais próximo que tivemos de uma Liga da Justiça em live action – aquele piloto para uma série da equipe feito em 1997 não vale. O episódio “Welcome to Earth-2” (“Bem Vindo a Terra 2”), de “The Flash”, foi uma ode à “nerdice”. Mostrou os universos paralelos e as diferentes versões para vários personagens, algo consagrado pela editora DC Comics desde 1961 na história “Flash of Two Worlds”, sem contar a aparição de certas figuras conhecidas dos fãs. Revelar mais estragará a surpresa para quem não viu o episódio.

Já que a Warner/DC decidiu manter os universos de cinema e TV separados, ao contrário da Marvel, onde cinema, TV e Netflix pertencem teoricamente ao mesmo universo, poderia muito bem abordar os “pesos-pesados” Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman e Shazam na televisão.

Aqui vai um exercício de imaginação: no Netflix, a Marvel está produzindo séries separadas de 13 episódios cada para Demolidor (o Justiceiro aparecerá na segunda temporada e possivelmente ganhará seriado próprio), Jéssica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro. Depois, todos os heróis se juntarão numa minissérie do supergrupo Os Defensores.

Não seria legal pra caramba se a Warner fizesse, além de Flash e Arqueiro-Verde, séries para o Superman, Batman e Mulher-Maravilha? E, ao fim desses seriados, que poderiam ter menos que os tradicionais 23 episódios, produzisse uma minissérie de quatro ou cinco capítulos sobre “Crise nas Infinitas Terras”, por exemplo? “Ah, mas na televisão o orçamento é menor e, por isso, os efeitos visuais não correspondem aos filmes do cinema”. Ok, mas na tela pequena o impacto visual é menor. A câmera se aproxima dos personagens e com um roteiro bem bolado a coisa poderia funcionar.

Ben Affleck como Batman em 'Batman Vs Superman'A série da Supergirl não é da CW, mas da CBS, que pertence ao grupo Warner. CW e CBS acertaram um crossover entre a heroína e Flash.  E o Flash em pouco tempo terá versões no cinema – aparecendo inicialmente em “Batman V. Superman: A Origem da Justiça” e na TV. Dificilmente cancelarão o seriado do velocista, que faz bastante sucesso. Assim, vai por água abaixo o discurso de que um herói que aparece no cinema não pode ser mostrado na telinha com possibilidade do público enjoar ou preferir um a outro. Vale lembrar que “Smalville” ainda estava no ar quando “Superman, o Retorno” foi lançado nos cinemas, em 2006. Ok, o filme não foi lá essas coisas, porém o papo aqui é outro.

Antigamente, não era incomum que filmes para as telonas fossem produzidos a partir das séries televisivas e vice-versa. “Batman – O Homem Morcego”, de 1966, serviu para divulgar o programa clássico estrelado por Adam West. “Superman and The Mole Man” (1951) antecedeu o seriado com George Reeves. “Star Trek” e “Arquivo X” ganharam suas versões cinematográficas estreladas pelos mesmos atores da televisão.

ArrowTudo bem, a indústria evoluiu a tal ponto que atores de cinema ganham muito mais que os da televisão. Os orçamentos para as produções são extremamente díspares entre os dois formatos. Não precisamos ter, por exemplo, Henry Cavill e Ben Affleck repetindo Superman e Batman na TV. Mas atores diferentes podem encarnar esses heróis. E a Warner, justamente por ter feito universos separados para cinema e televisão, tem a liberdade que a Marvel não tem – “Agentes da SHIELD” precisa criar cada vez mais personagens próprios, pois cada aparição de um Samuel L. Jackson da vida pode estourar o orçamento. Sem contar problemas de agenda dos grandes astros de Hollywood.

Os executivos da Warner, especialmente Greg Berlanti e Marc Guggenheim, parecem atender cada vez mais a imaginação dos fãs. Quem sabe não partam por esse caminho e invistam nos heróis que o público quer ver logo de uma vez junto aos que já estão no ar. Não seria demais? Aí poderíamos ver o Superman treinando sua prima ao invés do Caçador de Marte e não a deixando na mão quando kryptonianos do mal decidem destruir a Terra.

Bom, quem não é fã dos super-heróis logicamente não aguenta mais ver tantos filmes e séries com esses personagens. Alguns apregoam o esgotamento do “gênero”. “Gênero” esse que, junto das animações, tem ajudado os estúdios de Hollywood e não entrar no vermelho.

Agora fico imaginando o que a Marvel/Disney não faria com os personagens da DC, já que conseguiu fazer de personagem que era B nos quadrinhos (Homem de Ferro, ele mesmo) render filme que arrecadou mais de US$ 1 bilhão nos cinemas, e uma equipe C ou D (Guardiões da Galáxia), que também virou hit.

Fica a torcida para que a Warner acerte com “Batman V. Superman: A Origem da Justiça” e siga com suas séries em alta. É bom para indústria cinematográfica, para as editoras de quadrinhos e, claro, para a alegria dos fãs como eu.

"The Flash".
Grant Gustin em “The Flash”.

 

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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