11 filmes para ver a dois

Jimmy Fallon e Drew Barrymore em "Amor em Jogo".
Jimmy Fallon e Drew Barrymore em “Amor em Jogo”.

Tendo em vista a chegada daquela do Dia dos Namorados, não o “nosso” de 12 de junho, mas o Valentine’s Day, celebrado em 14 de fevereiro por diversos países, o blog preparou uma lista com filmes que tem tudo para agradar aos pombinhos: há comédias românticas, um pouco de drama, filmes famosos, outros nem tanto. A lista é variada e não tem a pretensão de ser definitiva. Afinal, existem vários clássicos que poderiam estar nela. Optamos por “A Princesa e o Plebeu”. Todos estão disponíveis em DVD, blu-ray, streaming ou por demanda. Confira:

Amor em Jogo (2005)
Adaptado de “Febre de Bola” (que já havia sido filmado em 1997), do escritor cult Nick Hornby (“Alta Fidelidade” e “Um Grande Garoto”), a cativante comédia romântica dos irmãos Farrelly troca o futebol do livro pelo baseball e evita o escracho das tramas anteriores dos cineastas, aproveitando o carisma de Drew Barrymore e Jimmy Fallon, casal que precisa lidar com o fanatismo dele pelos Yankees.

Antes do Pôr do Sol (2004)
Quase 10 anos separam este do longa anterior, “Antes do Amanhecer”. Mas é como se não houvesse intervalo entre os dois longas de Richard Linklater, tamanha naturalidade dos personagens e seus diálogos. No primeiro, o jovem americano Jesse (Ethan Hawke) e a estudante francesa Celine (Julie Delpy) se conhecem e partilham um dia em Viena. Na continuação, eles se encontram casualmente uma década depois em Paris. Com lindas paisagens que ajudam a criar o clima perfeito de love story, somos entregues a uma obra sensível, na qual os personagens não precisam de palavras para que o público perceba o amor que eles sentem um pelo outro. Atenção para a cena em que Jesse lamenta-se para Celine dentro de um carro e a reação dela. Um belo exemplo de como a simplicidade de uma cena de cinema consegue captar a complexidade das relações humanas.

brilhoeterno2Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004)
Segundo filme do roteirista Charlie Kauffman com o diretor Michel Gondry (fizeram “Natureza Quase Humana”) é apaixonante, tem elenco inspirado e ideia original. Garota impulsiva (Kate Winslet) apaga o namorado (Jim Carrey) da memória em clínica que faz tal cirurgia. Ele resolve dar o troco, mas desiste no meio da “operação” e precisa lutar dentro do próprio cérebro para manter suas lembranças. É um filme tecnicamente simples, porém que atinge profundamente o espectador. Para dar vida a esse romance contemporâneo, os produtores escolheram um casal nada convencional, que revela tremenda química em cena. No entanto, não são apenas os dois que chamam a atenção. Cada ator tem seu momento. Tom Wilkinson, Mark Ruffalo, Elijah Wood, Kirsten Dunst e o restante do elenco. Todos, sem exceção, protagonizam pelo menos uma grande cena. E não é necessária uma catarse para cada artista revelar seus dotes dramáticos. A entrega de cada ator está embutida em pequenos gestos, olhares, momentos quase silenciosos. Um dos melhores filmes daquela década.

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001)
Premiado longa francês, que mistura realidade e fantasia, drama, romance e comédia. Realizado com apuro visual por Jean-Pierre Jeunet, parceiro de Marc Caro em ”Delicatessen” (1991), e que depois dirigiu “Alien: A Ressurreição”, traz a francesinha mais fofa do cinema nos últimos tempos, Audrey Tautou (“O Código Da Vinci”), como a adorável personagem-título. Na busca para achar o antigo dono de uma caixa, que ela encontrou em sua nova casa, Amélie descobre o amor e uma nova visão do mundo, passando a ajudar, com pequenos gestos, as pessoas que a cercam. O carisma da protagonista, a trama otimista e a bela direção de arte tornaram o filme um jovem clássico bastante cultuado.

Uma Linda Mulher (1990)
Grande sucesso de bilheteria, remete às comédias românticas dos anos 40. Milionário (Richard Gere) contrata prostituta (Julia Roberts) para acompanhá-lo em eventos sociais durante uma semana, mas ambos se apaixonam. Exageros deixados de lado, o filme cativa pela canção-título e o carisma do casal protagonista. Julia (Globo de Ouro pelo papel), por sinal, se tornou estrela a partir deste longa.

Um Lugar Chamado Notting Hill (1999)
Traz o encontro dos astros Julia Roberts e Hugh Grant. A história é uma espécie de versão contemporânea para “A Princesa e o Plebeu”: estrela de cinema perseguida pelos paparazzi numa visita a Londres decide se esconder na casa de um sujeito comum. Daí em frente todos sabemos o que acontece. Mas o charme do casal, a trilha sonora deliciosa (em especial “She”, por Elvis Costello) compensam todos os clichês.

letraemusicaLetra e Música (2007)
A comédia romântica do diretor Marc Lawrence (roteirista de “Miss Simpatia”) passaria despercebida do grande público, não fosse a escolha de Hugh Grant e Drew Barrymore para os papéis principais. Ambos são especialistas no gênero, têm carisma, charme, mas jamais haviam atuado juntos. E o longa chama atenção graças á química dos dois e boas tiradas com revivals e Britneys da vida. O filme aborda o revival dos anos 80 e traz Grant no papel de Alex Fletcher, astro decadente da música pop, que se apresenta em feiras e parques de diversões para antigas fãs, agora senhoras de meia idade, e ganha uma chance de recuperar a fama perdida quando a nova estrela teen Cora Corman (Haley Bannet) lhe pede a composição de um novo hit. Alex não compõe há anos, não é letrista e procura ajuda em Sophie Fisher (Barrymore), moça responsável por cuidar de suas plantas, talentosa em mexer com as palavras. E nesse contato, a relação obviamente acaba transcendendo o lado profissional. Destaque para a trilha musical, com canções de Adam Schlesinger (da banda Fontains of Wayne), autor do sucesso “That Thing You Do” do filme “The Wonders – O Sonho Não Acabou”.

Ligeiramente Grávidos (2007)
Dirigido por Judd Apatow, foi planejado para ser uma continuação de “O Virgem de 40 Anos” (com Seth Rogen e outros coadjuvantes reprisando seus personagens), do qual também foi diretor, mas acabou ganhando vida própria e arrebatou elogios nos EUA, alcançando uma considerável bilheteria de US$ 150 milhões. Apesar do roteiro um pouco batido, o longa deve agradar quem acompanha programas da televisão norte-americana; pois são várias as referências. Jessica Simpson, American Idol, Matthew Fox (“Lost”) chamado de bobão, Felicity Huffman e também James Gandolfini são lembrados, e zoados. O ápice é num diálogo que esculhamba “Everybody Loves Raymond”. Katherine Heigl (a Izzie de “Grey’s Anatomy”) interpreta a jovem bonita e ambiciosa Alison, jornalista do E! Entertainment prestes a estrear como repórter em uma importante emissora de TV. Ben Stone (Seth Rogen) e mais quatro amigos vivem numa casa bagunçada, onde passam os dias fumando maconha e jogando conversa fora. Certo dia, Alison e Ben se trombam embriagados numa boate e passam a noite juntos. Algumas semanas depois ela reaparece grávida, levando o “garotão” a questionar sua própria vida.

princesa_plebeuA princesa e o plebeu’A Princesa e o Plebeu (1953)
O filme alçou Audrey Hepburn à estrela de Hollywood. O papel de princesa que decide passear anonimamente em Roma e acaba envolvida com um repórter (Gregory Peck), rendeu à atriz o Globo de Ouro, o Bafta e o Oscar – o longa ainda levou roteiro original e figurino PB na premiação. O diretor William Wyler, que desejava Jean Simmons para o projeto, se rendeu à novata Audrey. Ela e Peck nos levam a uma viagem pelo cotidiano da capital italiana. Tantas outras produções, inclusive a refilmagem televisiva de 1987 e “Um Lugar Chamado Notting Hill” (que homenageia o clássico repetindo a coletiva de imprensa), imitariam a fórmula. No entanto, a química do casal, as cenas memoráveis e a ambientação envolvente – Roma é um personagem à parte – são insuperáveis.

Quando Estou Amando (2006)
Luc Besson foi um dos produtores deste drama francês minimalista e sensível, realizado por Xavier Giannoli e que concorreu à Palma de Ouro em Cannes. Gérard Depardieu, completamente à vontade no papel principal, interpreta Alain Moreau, um cantor de bailes galanteador que passa a enxergar a vida de forma diferente quando conhece Marion, uma corretora de imóveis recém divorciada interpretada pela belga fofíssima Cécile De France (“Um Lugar na Plateia”. “Albergue Espanhol” e “Bonecas Russas”). Incrivelmente, o casal protagonista desenvolve uma química impressionante. Mas não calcada no sexo (ainda que transem logo no início), mas na forma como interagem em momentos silenciosos. O mote da história não é se eles irão ou não ficar juntos, mas a forma como cada um transforma o rumo da vida um do outro.

Simplesmente Amor (2003)
Sabe aqueles filmes natalinos que já assistimos tantas vezes, mas sempre que reprisam, conferimos novamente e nos emocionamos outra vez? “Simplesmente Amor” é um deles. A diferença é que, ao invés de uma, conta com várias histórias. Cada uma apresentando uma faceta do amor, ou a falta dele. Com um elenco repleto de estrelas, destacando Hugh Grant (ele de novo), e as presenças sempre marcantes de Laura Linney, Emma Thompson e Colin Firth, além de participações e pontas de Billy Bob Thornton (como presidente norte-americano), do Mr. Bean Rowan Atkinson, das atrizes Denise Richards (“Garotas Selvagens”) e Elisha Cuthbert (a filha de Jack Bauer na série “24 Horas”) e da top model Claudia Schiffer, o filme traz vários clichês de histórias de amor. A sensação é que já vimos essas situações. E daí? São tantas atuações charmosas, cenas divertidas, trilha sonora contagiante, tiradas de sarro espertas sobre política e a música pop, que é praticamente impossível não embarcar no longa e se deliciar com ele.

"Simplesmente Amor".
“Simplesmente Amor”.

 

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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