15 grandes atuações de Leonardo DiCaprio

Leonardo em "O Regresso".
Leonardo em “O Regresso”.

Chega aos cinemas nesta quinta-feira (4) “O Regresso”, filme que deve dar o Oscar de melhor ator a Leonardo DiCaprio. Alçado ao estrelado por “Titanic” (1997), o astro que sempre tentou manter-se reservado e é engajado ambientalmente foi indicado seis vezes na carreira ao prêmio da Academia.

Mesmo antes da megaprodução dirigida por James Cameron, o ator já chamava atenção pelo talento e a dedicação aos personagens. Foi assim em “Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador” (1993), quando atuou ao lado de Johnny Depp e concorreu para ator coadjuvante. Depois, teria as seguintes indicações de melhor ator por “O Aviador” (2004), “Diamante de Sangue” (2006) e “O Lobo de Wall Street (2013), pelo qual também disputou melhor filme, pois é um dos produtores do longa.

Agora parece inevitável – e justo – que seja reverenciado. Por “O Regresso”, ganhou o Globo de Ouro, o Cristics’ Choice Awards e o SAG (Sindicato dos Atores), principal termômetro do Oscar. Não levará a estatueta dourada caso haja uma grande zebra. Se tudo ocorrer conforme o previsto, será a coroação de uma carreira sólida, ainda que vez ou outra prejudicada pela alcunha de galã que DiCaprio carregou por muito tempo, o que provavelmente lhe impediu de receber um Oscar anteriormente.

Leonardo DiCaprio em 'Titanic'Jamais estrelou uma franquia. Chegou a ser cogitado para viver o Homem-Aranha, na trilogia de Sam Raimi. Personagem que acabou nas mãos de seu amigo, Tobey Maguire. Após o sucesso avassalador de “Titanic”, que rendeu indicação para sua parceira em cena, Kate Winslet, mas não a ele, a impressão é que deu preferência a interpretações desafiadoras, tentando apagar qualquer estereótipo do galã juvenil. Meta que foi alcançada durante os anos.

Listamos 15 grandes atuações do astro ao longo de sua carreira. Algumas delas mereciam maior reconhecimento, é verdade. Vale destacar a parceria longeva com o cineasta Martin Scorsese. E o apuro na escolha dos papeis, trabalhando sempre com grandes diretores: Steven Spielberg, James Cameron, Quentin Tarantino, Clint Eastwood, Sam Mendes, Christopher Nolan, Ridley Scott.

“O Despertar de Um Homem” (1993)
Aos 18 anos, chamou atenção ao interpretar um personagem complexo: o adolescente Tobias Wolff, que sofre abusos do padrasto inescrupuloso vivido por Robert De Niro.

Leonardo Di Caprio em Gilbert Grape“Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador” (1993)
No mesmo ano, outra atuação marcante: faz o irmão mais novo e autista do personagem-título, interpretado por Johnny Depp.

“Titanic” (1997)
O filme se tornou a maior bilheteria da história até ser superado por outro trabalho – “Avatar” (2009) – do mesmo diretor, James Cameron. No auge da juventude e de sua beleza, DiCaprio foi prejudicado pela alcunha de jovem galã, mas interpreta com garra Jack Dawson, o rapaz pobre que se apaixona pela garota da elite (Kate Winslet, que também virou estrela após este filme) e precisa salvá-la.

“Prenda-me Se For Capaz” (2002)
Ao viver o golpista Frank Abagnale, Leo atuou ao lado de ídolos como Tom Hanks, Christopher Walken e Martin Sheen, experiência que lhe rendeu maior maturidade enquanto intérprete. Foi dirigido por Steven Spielberg.

 

“O Aviador” (2004)
Segunda parceria com o diretor Martin Scorsese (a primeira foi em “Gangues de Nova York”, 2002). Reza a lenda que Robert De Niro, que foi dirigido pelo cineasta em diversos filmes, comentou sobre DiCaprio com o diretor após “O Despertar de Um Homem”. Aqui, o astro encarna ninguém menos que o excêntrico e lendário multimilionário Howard Hughes.  Nota-se claramente a busca cada vez maior por papeis desafiadores e complexos, que consigam mostrar sua versatilidade.

Scorsese ao lado de Leonardo Di Caprio no set de 'Os infiltrados', filme que finalmente lhe deu o Oscar“Os Infiltrados” (2006)
O filme que, finalmente, premiou Martin Scorsese no Oscar é uma refilmagem de “Conflitos Internos” (2002, de Hong Kong) e retrata a máfia irlandesa de Boston. Leonardo vive um jovem policial que se infiltra na organização chefiada por Jack Nicholson. Mais maduro, confere verossimilhança ao personagem que precisa convencer o inimigo e, em determinado momento, já não sabe qual o caminho correto a seguir.

“Diamante de Sangue” (2006)
O diretor Edward Zwick escancara a pobreza e violência africanas, mas como pano de fundo para um filme de ação, que teve boa bilheteria nos EUA. Experiência ele já tinha – “Nova York Sitiada” de 1998, e “O Último Samurai”, de 2003, mostravam realidades brutais em formato blockbuster. Para alcançar o êxito executou algumas lições de Fernando Meirelles (ao mostrar crianças de arma em punho, feito “Cidade de Deus”) e contou com um bom elenco capitaneado por Leonardo DiCaprio visceral na pele de um ex-mercenário que se envolve com Jennifer Connelly. Neste, o ator mostra que pode se sair bem em sequências de ação.

“Foi Apenas um Sonho” (2008)
O reencontro com Kate Winslet mais de uma década após “Titanic”. No mesmo ano, a atriz fez “O Leitor”, que lhe rendeu o primeiro Oscar de melhor atriz. Mas ela poderia muito bem ser premiada pela atuação neste drama no qual os dois formam um casal que sonha alçar maiores voos, mas é vítima do desgaste da relação e das frustrações impostas pela vida. O diretor é Sam Mendes, que foi marido de Kate e dirigiu o premiado “Beleza Americana” (1999). Há quem considere que DiCaprio soe imaturo ou jovem demais perto de Kate. No entanto, há cenas dramáticas em que ele demonstra talento e esforço.

“Rede de Mentiras” (2008)
O astro se envereda pelo thriller de ação no papel de um agente do serviço secreto americano que precisa deter um terrorista. Não é dos melhores trabalhos de Ridley Scott, porém Leo passa no teste de um novo gênero em sua carreira.

Leonardo Di Caprio e Mark Rufallo estão no suspense noir 'A ilha do medo'“Ilha do Medo” (2010)
Um trabalho menor de Martin Scorsese, mas não menos competente, repetindo a parceria de sucesso de trabalhos anteriores. Mistura de thriller psicológico e drama, traz DiCaprio novamente como uma figura complexa mergulhada em mistério e medo: ele é Edward Daniels, que investiga o desaparecimento de um paciente no Shutter Island Ashecliffe Hospital, em Boston. O ator consegue nos passar todas as transformações e angústias vividas pelo personagem numa história em que nem tudo é o que parece.

“A Origem” (2010)
Os mistérios da mente voltam a pontuar a carreira do ator nessa megaprodução dirigida de maneira competente por Christopher Nolan, logo após o grande sucesso de “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2008). DiCaprio integra um elenco de grandes nomes como Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ken Watanabe, Tom Hardy, Cillian Murphy, Dileep Rao, Tom Berenger e Michael Caine. E comprova sua versatilidade para cenas que mesclam drama e ação. Travestido de filme experimental, rendeu mais de US$ 900 milhões em bilheteria mundial. É o segundo maior sucesso comercial do astro.

“J. Edgar” (2011)
Neste ele volta a protagonizar uma cinebiografia de alguém controverso na história dos EUA: no caso, J. Edgar Hoover, um dos responsáveis pela criação do FBI e cuja vida pessoal foi marcada por segredos que depois seriam revelados e contribuiriam para sua decadência. Direção de Clint Eastwood.

Leonardo DiCaprio, como o fazendeiro Calvin Candie: elenco tem atuação irrepreensível no longa, que estreia no próximo dia 18“Django Livre” (2012)
Faltava interpretar um vilão de verdade. E coube a Quentin Tarantino conseguir a façanha. O cineasta mostra respeito ao ator desde a primeira cena: um close no astro que sorri para a câmera. Foi a forma do diretor dizer: “Atenção, esse é Leonardo DiCaprio, ‘o cara’, e ele está no meu filme”. Apesar da participação pequena, houve uma corrente da imprensa que fez campanha para que Leo fosse indicado ao Oscar de ator coadjuvante. Algo que não ocorreu. Mas ele convence na pele de Calvin Candie, que maltrata os escravos com sadismo implacável.

“O Lobo de Wall Street” (2013)
A mais recente parceria entre DiCaprio e Scorsese traz o ator em uma atuação surtada, intensa e irresistível vivendo o corretor de títulos de Nova York que fica milionário ao dirigir uma empresa que aplica fraudes de seguro. Há sequências impagáveis com DiCaprio emulando o sexo ao atender o telefonema de um possível cliente na frente de seus colaboradores, quando contracena ao lado de Jonah Hill, entre outros momentos memoráveis. Algumas pessoas preferiram ele a Matthew McConaughey, que levaria o Oscar de melhor ator por “Clube de Compras Dallas” e coincidentemente faz o guru de Leo neste filme.

“O Regresso” (2015)
O Tour de Force de Leonardo DiCaprio deve lhe render o primeiro Oscar de melhor ator na carreira. Sua atuação neste ambicioso projeto dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu – vencedor do Oscar um ano antes por “Birdman” e que repete a indicação à categoria – tem poucas falas. É calcada nos olhares, na forma de andar, na maneira de se arrastar e nas expressões. O ator interpreta Hugh Glass, caçador que é abandonado pelos companheiros ao ser atacado por um urso e fica na floresta. Mas sobrevive aos ferimentos e precisa enfrentar os perigos da natureza e dos humanos para alcançar vingança contra aquele (Tom Hardy) que matou seu filho mestiço. Enfim, a redenção do astro.

A 88ª cerimônia do Oscar acontece em 28 de fevereiro. O Cine Roxy, em Santos, exibe o evento ao vivo.

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André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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