Trilha Sonora | O Regresso

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Em tempos de discussão sobre a falta de diversidade étnica entre os indicados ao Oscar, os bastidores e ficha técnica de uma trilha sonora como a de “O Regresso” entram “na contramão”. Liderada pelo japonês Ryuchi Sakamoto, a parte musical do filme do mexicano Alejandro González Iñárritu conta ainda com o produtor alemão Alva Noto e – OK… – o norte-americano Bryce Dessner, guitarrista da banda de rock The National.

Nacionalidades à parte, Iñárritu não poderia estar mais feliz. Em um texto que está no livreto que acompanha a trilha sonora, o premiado diretor se declara um fã do trabalho de Sakamoto, em especial da trilha que Ryuchi fez para “Furyo, Em Nome da Honra” (1983). Hoje com 64 anos, o compositor japonês, natural de Tóquio, é um dos mais importantes artistas da música contemporânea de seu país.

Sakamoto é integrante da Yellow Magic Orchestra (YMO), grupo pioneiro de música eletrônica que iniciou seus trabalhos em 1977 e influenciou diversos artistas e estilos, do synthpop ao techno, do dance ao hip hop e até mesmo as músicas de jogos de vídeo game. O YMO sempre foi um grupo à frente do seu tempo. E no filme “Babel” (2006), Alejandro Iñárritu já tinha trazido Sakamoto para o seu universo, ao acrescentar a música “Bibo no Aozora” na parte final do longa-metragem.

Com 23 faixas, a trilha de “O Regresso” é fortemente influenciada pelos tons da “ambient music”, gênero que enfatiza muito mais os climas e atmosferas sonoras do que as construções convencionais de canções, calcadas em ritmos e estruturas ordenadas. Sakamoto, um especialista nas manipulações eletrônicas de sons, faz uma grande parceria com o alemão Alva Noto e o americano Bryce Dessner.

Noto, um veterano também da música eletrônica, tem em seu currículo uma formação que casa perfeitamente com suas composições: ele estudou Arquitetura e Design de Paisagens (“Landscapes”). De certa forma, essa interdisciplinaridade leva a uma integração bem interessante na construção de uma música que mistura os sentimentos internos dos personagens com o cenário em que eles interagem, no caso, a região dos Estados norte-americanos de Montana e da Dakota do Sul no ano de 1823. A faixa de abertura, “Main Title”, é capaz de mixar sentimentos como solidão e amplitude, junto a sons de fundo que lembram grandes planícies vazias.

Destaque também para “Killing Glass / Killing Hawk”, onde Sakamoto tece uma sonoridade altamente sombria. Em “Powaqa Rescue”, os três músicos (Sakamoto, Noto e Dessner) fazem um cruzamento do “ambient” com a eletrônica que resulta na trilha perfeita para as cenas gélidas do longa-metragem.

A música do filme não foi indicada para concorrer ao Oscar de Melhor Trilha Sonora em 2016, mas concorreu no último Globo de Ouro e “perdeu” para o trabalho de Ennio Morricone em “Os Oito Odiados”.

Link da trilha sonora no Youtube

https://www.youtube.com/watch?v=ZU4gP47J07Q

Formado em Jornalismo na UniSantos em 1999, atuou como repórter e também como editor de revistas segmentadas nas áreas de Construção, Transporte, Indústria e Automação Industrial. Também trabalhou em Assessorias de Imprensa nas áreas de Cultura e Negócios. Viciado em Música (mais do que em Cinema - foi mal, André, rs...) e em revistas (de todos os tipos). Nas horas vagas, ataca de baterista de banda de rock. Contato: redacao.cinezen@gmail.com

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