Crítica | O Regresso

Leonardo em "O Regresso".
Leonardo em “O Regresso”.

 

O Tour de Force de Leonardo DiCaprio deve lhe render o primeiro Oscar de melhor ator na carreira. Sua atuação neste ambicioso projeto dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu tem poucas falas. É calcada nos olhares, na forma de andar, na maneira de se arrastar e nas expressões. O ator interpreta Hugh Glass, caçador que é abandonado pelos companheiros ao ser atacado por um urso e fica na floresta. Mas sobrevive aos ferimentos e precisa enfrentar os perigos da natureza e dos humanos para alcançar vingança contra aquele (Tom Hardy) que matou seu filho mestiço.

Vale lembrar que o livro no qual o longa se baseia parcialmente, escrito por Michael Punke, havia sido adaptado para o cinema em “Fúria Selvagem” (1971). Richard Harris e John Huston estrelaram aquela versão, com desdobramentos diferentes no decorrer da história. Neste o foco é a jornada de sobrevivência e vingança.

Se DiCaprio enfim parece próximo da consagração, Tom Hardy sai-se bem na pele do vilão – se especializou em viver sujeitos perturbados: o Bane de “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” e o Max de “Estrada da Fúria”. Iñárritu e o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki ratificam êxitos de anos anteriores. Ambos foram premiados por “Birdman” em 2015 e o último tinha recebido a estatueta um ano antes por “Gravidade” (também dirigido por um mexicano, Alfonso Cuarón).

Lindamente fotografado e repleto de imagens de tirar o fôlego (a briga entre Glass e o urso é brutalmente realista), o filme nos mostra o quão ao mesmo tempo belas e perigosas podem ser a natureza e a essência do ser humano. Sejam os colonizadores (descendentes de ingleses e os franceses) ou colonizados (os nativos da América).


 


 

O REGRESSO (The Revenant).
Estados Unidos. 2015.
Direção: Alejandro González Iñárritu.
Com Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson.
156 minutos.


 

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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