Trilha sonora | Drive

Quando foi lançado em 20 de maio de 2011 no Festival de Cannes, “Drive” provocou um furor, com crítica e público aclamando as raízes “neo-noir” desse filme dirigido pelo dinamarquês Nicolas Winding Refn. Com elenco tendo como protagonista o ator canadense Ryan Gosling (além da bela atriz inglesa Carey Mulligan e da estrela do seriado “Breaking Bad”, Bryan Cranston), o enredo fala sobre as (más) escolhas do um dublê de Hollywood que divide seu tempo entre cenas perigosas com carros em filmagens de dia e fugas da polícia à noite.

O diretor Refn estava decidido que o produtor norte-americano Johnny Jewel (famoso por trabalhar somente com equipamentos analógicos) fosse o autor da trilha sonora do filme. Mas por conta de uma decisão que partiu dos estúdios que produziam o longa, a responsabilidade pelos sons de “Drive” ficou a cargo de Cliff Martinez, americano nascido no Bronx, Nova York, e que já foi baterista da banda Red Hot Chili Peppers na década de 80.

A escolha de Martinez não foi nenhum problema para Refn, que já era um fã do trabalho do compositor em “Sexo, Mentiras e Videotape” (1989). E Martinez não poupou esforços para entregar uma textura pop etérea, com forte influencia dos sintetizadores dos anos 80. Inclusive, Martinez se inspira muito em sonoridades trabalhadas por Johnny Jewel, que além de produtor também é integrante de bandas como Chromatics e Desire (ambas estão presentes na trilha).

Das 19 faixas do álbum, 14 são instrumentais feitas por Cliff Martinez, enquanto as cinco restantes (e que iniciam o disco) são composições de artistas como Kavinsky, Desire, College, Riz Ortolani e Chromatics.

Na parte instrumental, destaque para “Rubber Head”, um exercício de Cliff que constrói vários cenários sonoros que passam uma sensação de sonho. “I Drive” segue a mesma linha, porém se aprofunda com mais efeitos de teclados que, na tela, amplificam as incertezas do protagonista. “Hammer” é mais pesada, carregando texturas mais densas para acompanhar uma das cenas fortes da trama.

Quanto às cinco músicas autorais, as escolhas não poderiam ter sido mais felizes. A abertura com “Nightcall” é daquelas trilhas perfeitas para viajar de carro à noite pela cidade ou pela estrada, com uma linha de baixo pesada, “Anos 80” na veia, meio dance, meio club. Criada pelo produtor francês de música eletrônica Kavinsky, a faixa ainda conta com o vocal da brasileira Lovefoxxx (vocalista da banda CSS, ou “Cansei de Ser Sexy”), e é quase um resumo das influências “oitentistas” de seu criador.

As faixas “Under Your Spell”, do Desire, e “Tick Of The Clock”, dos Chromatics, apesar de serem de grupos diferentes, levam a assinatura do produtor Johnny Jewel: eletrônicas, dançantes e extremamente pop.

“A Real Hero”, do College, um projeto eletrônico do também francês David Grellier, emula um baixo sintetizado com os vocais do duo de synth-pop canadense Electric Youth, e não faz feio em uma pista.

Por fim, “Oh My Love”, que parece destoar completamente do restante da trilha, serve para colar o rótulo de “noir” no filme. A música escrita pelo italiano Riz Ortolani (falecido no ano passado aos 87 anos) foi gravada pela primeira vez em 1971, e é cantada pela hoje viúva de Ortolani, a atriz italiana Katyna Ranieri. Com letra em inglês e instrumentação clássica, a canção casa com perfeição à trilha de “Drive”, quebrando a intensidade dos sons eletrônicos.

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Formado em Jornalismo na UniSantos em 1999, atuou como repórter e também como editor de revistas segmentadas nas áreas de Construção, Transporte, Indústria e Automação Industrial. Também trabalhou em Assessorias de Imprensa nas áreas de Cultura e Negócios. Viciado em Música (mais do que em Cinema - foi mal, André, rs...) e em revistas (de todos os tipos). Nas horas vagas, ataca de baterista de banda de rock. Contato: redacao.cinezen@gmail.com

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